Pedro Martins: «Vitória recuperou grandeza»

Novo treinador do Olympiacos recorda passagem por Guimarães

• Foto: Movenotícias

RECORD - Como é possível o Vitória terminar oito pontos à frente do Sp. Braga em 2016/17 e logo no ano seguinte seguir ficar a... 32 pontos?

PEDRO MARTINS - Os fatores que referi anteriormente tiveram o seu peso, mas há mérito também do Sp. Braga. E do Abel Ferreira, que fez uma campanha fabulosa.

R - A fórmula encontrada pelo Sp. Braga pode ser uma referência para o crescimento vitoriano?

PM - Não sei o que se passa na casa do lado. Sei o que se passou connosco nestas duas épocas. Apontei a objetivos elevados. Não assumi apenas uma competição europeia, mas sim mais do que isso. Durante anos e anos, o Vitória e os seus responsáveis passaram uma mensagem, sem querer ser deselegante, que não estava de acordo com a grandeza do clube. Recuperar algo que o Vitória tinha perdido motivava-me. Assumi esse risco e não estou arrependido. Volto a dizer que os números falam por mim.

R - Em que sentido?

PM - Não é normal o Vitória ficar em 4º lugar e ir à final da Taça de Portugal. Não é normal praticamente duplicarmos as receitas em termos de merchandising. Não é normal termos praticamente 33% de aumento de receita de bilheteira e 25% de aumento de sócios. Somando-se agora o caso do Raphinha, entre jogadores vendidos e a Liga Europa, não é normal encaixar cerca de 30 milhões de euros em dois anos. Fui dos profissionais, quer como jogador, quer como treinador, que se revelaram melhores ativos e que o Vitória rendibilizou ao máximo. Sinto-me responsável por esse sucesso.

R - Quando foi desafiado para o Vitória a ambição era elevada?

PM - Sim, senti uma enorme ambição desde a primeira conversa que tive com o administrador Armando Marques. Uma enorme vontade de mudar o estado em que o Vitória estava. A ambição era de voltar a ser o grande Vitória. Como isso me foi prometido, havia condições para fazer algo de extraordinário.

R - Olhando para trás, parece que em 2016/17 tinha um plantel de luxo, mas teve de desenvolver vários jogadores por afirmar...

PM - Sei que sou muito criticado pelos adeptos porque disse que, esta época, a equipa estava mais bem preparada do que na época anterior. E volto a dizê-lo. Era isso que eu achava e observava. Quando constituímos a equipa do primeiro ano, ela não era tão forte como veio a revelar-se. Foi crescendo, ganhando uma enorme maturidade, um corpo sólido. Marega, Hernâni ou Soares não estavam no nível que demonstraram; Pedro Henrique o Raphinha vinham da equipa B; o próprio Bruno Gaspar não tinha a mesma dimensão. O nosso trabalho permitiu que, passados seis/sete meses, tivessem uma valorização completamente diferente.

R - A questão do investimento de 13 milhões de euros surge da aposta em segurar jogadores que já estavam no clube. Aprovou essa linha?

PM - Garantir jogadores como o Pedro Henrique, o Hurtado ou o Celis fazia todo o sentido. Até porque sou apologista de que quanto menos jogadores emprestados tivermos, melhor para nós. Esse foi um fator que sempre disse que era importante, o de integrar esses jogadores nos quadros do clube. Agora, essa parte da gestão financeira não é da minha responsabilidade.

R - Esperava um desgaste tão rápido até à saída depois do trabalho realizado na época de estreia?

PM - Foi um ano de eleições, o que tornou tudo muito mais complicado. Esse fator pesou em todo o burburinho que se viveu durante quase toda a época na cidade.

R - Faz sentido despedir um treinador quando o próprio presidente atribui o desfecho a dois erros graves por parte do árbitro mostrando ‘frames’ na sala de imprensa?

PM - Não vou comentar.

R - O seu despedimento foi injusto?

PM - Há uma coisa da qual tenho noção. Eu e a minha estrutura técnica, quando aconteceu aquilo, tínhamos noção de que posteriormente iríamos para um quadro superior, em face do que fizemos, não só no Vitória, mas também no Rio Ave e no Marítimo. Durante estes anos todos mostrámos grande competência, grande consistência no trabalho, seriedade e resultados. Era uma questão de tempo.

R - O divórcio justifica-se pelo ambiente após a derrota pesada em casa frente ao Sp. Braga?

PM - O que posso dizer é que acredito, e tenho a certeza, que o Vitória iria discutir um apuramento europeu se eu tivesse ficado até ao fim.

R - Agora sente-se mais reconhecido pelos adeptos?

PM - Não tenho dúvidas. Recebi grandes mensagens de apoio. Muita gente sabe aquilo que foi feito. Se como jogador fui respeitado, como treinador fui muito mais. Há uma marca que ninguém vai esconder e que a história não vai apagar. Os números falam por si e a minha marca vai ser perpetuada por muitos anos. Espero que outros treinadores consigam muito melhor, é isso que desejo para o clube. Gosto muito do Vitória e estou ligado a uma história muito importante e muito bonita. Inclusivamente, e é algo de que me orgulho, fui o grande impulsionador do hino que neste momento une todos os vitorianos no estádio.

Por Vítor Pinto
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