Seis dias depois da Maratona de Boston, as atenções do mundo do atletismo mudam-se para o outro lado do Atlântico, mais concretamente para Londres. Este domingo será dia da Maratona de Londres, que este ano contará com um dos mais fortes pelotões de elite da história, com a presença de alguns dos melhores de sempre na distância. A começar desde logo pela recordista mundial Brigid Kosgei, sem esquecer o etíope Kenenisa Bekele e o queniano Kelvin Kiptum, segundo e terceiros mais rápidos de sempre, respetivamente. Analisados os nomes, Londres tem tudo para ser palco de uma maratona memorável. Mas com recordes do mundo? Talvez não...
No pelotão masculino, os grandes nomes são os dois já citados. Bekele regressa à maratona um ano depois de ter sido somente quinto nesta mesma prova londrina, na altura com 2:05.19. Aos 40 anos, o segundo mais rápido da história (2:01.41, Berlim 2019) poderá fazer aqui a sua despedida dos 42,195 quilómetros, pelo que a expectativa estará em alta. Isso e a incógnita, porque com Bekele... nunca se sabe. Para lá do lendário etíope, no pelotão de elite estará também um dos mais surpreendentes nomes dos últimos tempos, o já falado Kelvin Kiptum, que no último mês de dezembro conseguiu a proeza de fixar a terceira melhor marca de sempre, com os 2:01.53 de Valência. De volta à maratona - será a sua segunda... -, o queniano de 23 anos terá a missão clara de confirmar a sua qualidade e mostrar que, afinal, aquele tempo não foi fruto do acaso.
Se Bekele ainda deixa em dúvida a continuidade, quem já anunciou a despedida após esta maratona é Mo Farah. Aos 40 anos, o melhor atleta britânico da história vai ter o seu último ato na prova da capital inglesa, naquela que será a sua sexta maratona na carreira, a quarta em Londres. Com 2:05.11 como melhor marca (Chicago 2018), Farah não parte como favorito - nem lá perto -, mas quererá certamente uma despedida em grande. Mas não esperem a vitória ou até mesmo um grande tempo do britânico de origem somali. Ele dificilmente surgirá...
É que, se é para falar em grandes tempos, temos muita oferta para dar. Para lá de Bekele e Kiptum, atenção especial aos etíopes Birhanu Legese (2:02.48), Tamirat Tola (2:03.39), Kinde Atanaw (2:03.51), Leul Gebresilase (2:04.02) e Seifu Tura (2:04.29), mas também ao queniano Amos Kipruto, o vencedor da edição do ano passado e que chega a esta prova com 2:03.13 de recorde pessoal. Isto sem esquecer aquele que poderá, em teoria, conseguir a maior melhoria de marca: Geoffrey Kamworor. Com apenas 2:05.23, o queniano de 30 anos tarda em confirmar o seu potencial na maratona, mas este pode mesmo ser o seu dia... Se tudo correr bem, pelo menos dois minutos de melhoria estão garantidos.
Por Fábio Lima