ASICS GEL-Nimbus 28: clássico que não falha… mas que também não entusiasma

A nossa análise ao modelo de amortecimento e conforto da marca japonesa

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Sapatilhas ASICS GEL-Nimbus 28: um clássico para corrida.
Sapatilhas ASICS GEL-Nimbus 28: um clássico para corrida.

Um clássico que nunca falha. Esta é provavelmente a frase mais repetida sempre que a ASICS coloca no mercado mais uma evolução dos seus modelos mais longínquos. Sejam as GEL-Kayano, sejam as GEL-Nimbus. Porque, na verdade, foi esse tipo de relação com o público que a marca conseguiu forjar, lançando modelos competentes e capazes de fazer o que prometem, sem precisarem de transformações algo radicais. Se calhar, talvez, com a exceção da grande mudança das 24 para as 25 no que às Nimbus diz respeito, a linha manteve-se mais ou menos sempre no mesmo campo.

Por isso, assim que nos chegaram as Nimbus 28, a primeira coisa que nos veio à cabeça foi precisamente isso. É muito pouco provável que elas falhem. E não falharam, de todo. Mas também não deixaram aquele gostinho especial que nos tinham dado, por exemplo, as 25. Há duas mudanças claras: o corte de peso e um upper algo mais refinado. Mas o que isso muda na sensação de corrida? Pouco ou nada. E isso faz com que o upgrade das 27 para as 28 seja quase algo desnecessário…

Mas, atenção, as GEL-Nimbus 28 são umas sapatilhas incríveis, do mais confortável que há no mercado. Nisso, não falham mesmo. Mas olhando ao mercado atual, já é hora da ASICS encontrar novamente uma espuma diferente para fazer face ao que a concorrência vem lançando neste particular. Comparando-as, por exemplo, com as MagMax da PUMA, sejam as primeiras ou as segundas, o conforto é similar, mas a sensação de retorno de energia é bem inferior.

A sensação de corrida: como se sentem as Nimbus 28

Nisto a ASICS entrega totalmente aquilo que promete. Ano após ano. As GEL-Nimbus são conforto puro. Daquele conforto digno de um bólide de luxo. Dizemos isto desde sempre quando falamos deste modelo ou das GEL-Kayano e nunca nos cansamos de fazê-lo. Porque, com pequeninas melhorias aqui e ali, a marca japonesa consegue sempre melhorar um pouco mais uma fórmula que já está há muito bem polida.

Não só no conforto que temos quando as calçamos (já lá iremos), mas essencialmente pela sensação de proteção que temos sempre as colocamos na estrada. As GEL-Nimbus 28 são proteção pura, um daqueles modelos que absorve os impactos a cada passada como nenhum outro. E o melhor de tudo – é o seu aspeto diferenciador – é o facto dessa proteção permanecer lá mesmo com o avançar dos quilómetros para lá das duas ou três dezenas.

Contudo, nem tudo são rosas neste aspeto. Especialmente quando olhamos para a concorrência. Apesar de estar munido da espuma FF BLAST PLUS, que em teoria entregaria uma boa dose de retorno de energia, a verdade é que a sensação de corrida é pouco ou nada energética. Não temos aquele retorno que conseguimos noutros modelos, que conseguem aliar muito melhor o cariz de daily trainer com aquele toque de resposta que cada vez mais corredores procuram. Aqui, infelizmente, não o temos.

E nem mesmo corte de peso (uma grande vitória da ASICS!) consegue ajudar nisso. Apesar de estarem cerca de 25 gramas mais leves, as GEL-Nimbus 28 não ganham nada em termos de dinamismo quando as comparamos com as suas antecessoras. E isso, sinceramente, faz um upgrade do 27 para o 28 não ser algo essencial. A não ser que o modelo anterior esteja já a dar as últimas… e não haja uma grande diferença nos preços.

O upper merece os maiores elogios

Colocar os pés dentro deste modelo é sentir de imediato esse toque suave, um abraçar do pé sem qualquer desconforto. É como se as sapatilhas fossem automaticamente moldadas ao nosso pé e encaixassem que nem uma luva. Nesta nova versão, a principal melhoria surge precisamente no upper, com a troca para um ‘Engineered Knit‘ (o modelo anterior tinha um ‘Jacquard mesh‘), que consegue melhorar a sensação de conforto global por ser algo mais elástico sem nunca ser demasiado apertado.

Outra mudança interessante e bem sucedida (em parte) reside na língua. Aqui, a marca japonesa apostou numa construção algo mais minimalista e com o mesmo material do upper. Isso torna a língua bem mais elástica e fácil de puxar para calçar as sapatilhas – mas também pode tornar esse processo um pouco mais ‘confuso’. É difícil explicar em palavras, mas se as calçarem perceberão. Nada de crítico, mesmo assim, porque a verdade é que a alça ali presente está bem melhor. Tal como, já agora, a que temos no calcanhar.

Neste ponto da construção, o contorno do calcanhar é ligeiramente melhorado e promove não só uma melhorada sensação de conforto como também garante uma estabilidade bastante elevada (apesar da altura de meia sola que até temos – na ordem dos 43.5 mm).

Outro dado a ter em conta é que a respirabilidade. No clima frio que vivemos agora em Portugal não temos tido nenhum problema, mas desconfiamos que com o aumentar das temperaturas possamos passar a ter alguns problemas em termos de aquecimento exagerado do nosso pé.

Composto de sola que não falha

A sola é uma das grandes responsáveis pela perda de peso destas GEL-Nimbus 28. Mas isso não compromete de modelo algum o grip ou a durabilidade global. Antes pelo contrário.

O corte de peso foi conseguido pela remoção da borracha de zonas em que ela simplesmente não faria diferença, mantendo-se bem visível (e em boa quantidade) nos pontos mais críticos de contacto. Tanto para dar durabilidade e não castigar demasiado este aspeto, mas também para garantir um agarre mais eficaz tanto em seco como em molhado. E acreditem que temos testado bem em molhado!

Quanto à tração, a ASICS aposta num dos seus compostos estrela, o Hybrid ASICSGRIP, que não tendo o impacto mediático do PUMAGRIP ou Continental consegue entregar resultados muitíssimo satisfatórios. Nesse aspeto, não falha. Nada mesmo!

E então, valem a pena?

200 euros por um modelo que, na prática, apenas está mais leve e pouco ou nada muda em relação ao antecessor em termos de retorno de energia? Depende da necessidade de renovar o armário e/ou da carteira de cada um.

Para os fieis seguidores da saga, comprar as GEL-Nimbus 28 é a garantia de mais um ano de conforto extremo. Para quem gostou das 27 e não se importa do peso extra, se calhar o melhor é procurar os saldos e encontrá-las as preços a rondar os 120 euros. Para quem quer estar sempre a par da moda e levar consigo um modelo que é eficaz naquilo que promete, as 28 são uma boa aposta.

Mas para as 29 está na hora de algo ser feito. Esta meia-sola tem de levar uma mexida. Urgentemente!

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