Asics MetaRacer: máquinas prontas a voar

A análise às primeiras sapatilhas da marca japonesa com placa de fibra de carbono

Depois de termos testado a fundo as Carbon X da Hoka One One, nas últimas semanas colocámos à prova a mais recente aposta da Asics, as MetaRacer. Um modelo bem distinto neste segmento de sapatilhas com placa de fibra de carbono, pois são bem diferentes tanto das Carbon X (que estão na ‘fronteira’ entre um modelo de competição e de treino) como das ‘saltitonas’ da Nike, tanto as Next% ou as Alphafly NEXT%.

Com um perfil mais baixo do que as concorrentes (com apenas 24 mm de meia-sola máxima, para um drop de 9 mm), as máquinas de velocidade da Asics notabilizam-se também pelo seu baixo peso (190 g), garantido por uma malha de apenas uma camada extremamente fina e respirável. Para mais, conta com uma pequena dose de amortecimento, graças à espuma FlyteFoam, e ainda a tecnologia GuideSole, a qual lhe dá um perfil curvo e responsivo. Na prática, é uma sapatilha à antiga, ‘baixinha’, com uma zona superior bastante simplista, totalmente voltada para a competição, pensada para ritmos rápidos e para aqueles corredores que querem voar no dia da verdade.

Tudo à 'antiga' mas... com modernismo

Olhando ao perfil destas MetaRacer, é impossível ficar indiferente ao facto de, em total sentido oposto da concorrência, se apresentarem seguindo os ideais do minimalismo. Tanto pela altura da meia-sola (24mm/15mm), que até as coloca como das poucas sapatilhas de estrada autorizadas pela World Athletics a ser utilizadas em pista, mas também pelos materiais utilizados na zona superior. A ideia é claramente poupar no peso, sem nunca esquecer o conforto, que para todos os efeitos costuma ser rei nos modelos da ASICS.

Falando primeiro do que está na meia-sola, nomeadamente a placa de fibra de carbono, a primeira nota a deixar é que, por maior que possa ser a ajuda, esta placa não vai correr por nós. Vai sim servir para devolver de uma forma mais eficiente a energia que lhe colocarmos a cada passada. Por isso, acaba por ser quase um desperdício utilizá-las para correr a ritmos acima de 5'00/km. Podemos até ganhar uns segundos, mas com treino e gastando menos nas sapatilhas também o conseguiríamos...

Por outro lado, se o corredor tiver um ritmo superior a 5'00/km, o mais certo é necessitar de um pouco mais de amortecimento, algo que aqui não abunda. Sim, temos uma boa dose da espuma FlyteFoam, mas nunca na quantidade necessária para atender a esse público. Daí que seja mesmo necessário correr rápido (e saber correr rápido) para tirar o máximo partido delas. E se corrermos rápido vamos também conseguir tirar proveito da tecnologia GuideSole na meia-sola (já vista em modelos como o MetaRide, GlideRide ou EvoRide) que tal como nesses três modelos dá uma curvatura diferenciada à sapatilha, quase que forçando o corredor a aterrar com a parte frontal do pé para ser empurrado em diante. Permite também reduzir o ângulo de flexão do tornozelo e o impacto do contacto com o solo. Na prática, tal como nos outros três modelos, a GuideSole eleva a eficiência da corrida e de certa forma poupa a nossa musculatura aos efeitos do desgaste pelo passar dos quilómetros.

Só o essencial

Em relação à zona superior, aqui o ideal do minimalismo é levado ao extremo, com uma malha bastante fina e muito respirável, que serve naturalmente para tornar este modelo num dos mais leves do segmento. Ainda assim, apesar da utilização de uma malha fina, a verdade é que o conforto não fica comprometido, tanto pela ventilação que temos na zona superior, como também pela estratégica colocação de material acolchoado em volta do tornozelo. Há ainda a destacar uma língua finíssima, típica de sapatilhas de competição, linhas de estrutura simples mas eficazes que 'seguram' todo o modelo e ainda o tal material acolchoado apenas em torno do tornozelo. É pouco, mas num modelo deste género, idealizado para ser leve, chega perfeitamente para o seu propósito.

Cuidado com a aterragem!

Quando falamos em modelos de competição, nomeadamente os com placa de fibra de carbono, uma das maiores queixas passa pela reduzida durabilidade da sola. E a verdade é que para fazer render estas MetaRacer é (mesmo) preciso saber correr. Tudo por causa da colocação de borracha injetada na zona de maior contacto com o solo por parte dos corredores rápidos, ao passo que a zona traseira está mais exposta e não conta com nenhuma borracha (ali só há espuma). Quer isso dizer que, se o corredor for lento e/ou aterrar de calcanhar, o mais certo é o prazo de validade destas sapatilhas ser muito reduzido. Já se a sua corrida for 'limpa', então arriscamos dizer que durarão pelo menos uns 500 quilómetros.

De notar ainda a capacidade bastante interessante de tração desta sola em pisos irregulares e molhados, tudo graças à aplicação de duas novas tecnologias - a ASICS Grip e a Wet Grip -, que prometem e dão a tal boa tração em praticamente todos os terrenos e também em qualquer situação.

Ficha técnica

Peso: 190 gramas
Drop: 9mm (24mm/15mm)
Categoria: competição
Tipo de pisada: neutro
Ideal para: todo o tipo de treinos e provas rápidas. Eventualmente para o corredor 'normal' o máximo sejam os 30 quilómetros. Para corredores mais avançados, com uma corrida mais 'limpa', podem render até à maratona
Por Record
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