COROS Apex Pro 2: fiabilidade com autonomia 'assustadora'

Novo relógio mostra aposta clara da marca norte-americana em ser líder no segmento

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Quando há pouco mais de um ano se associou à NN Running Team e ao lendário Eliud Kipchoge, a norte-americana Coros colocou-se sob o olhar de todos e isso obrigou-a a dar um passo em frente. Era hora de dar e mostrar o melhor e confirmar que podia, efetivamente, assumir uma posição de destaque no segmento dos relógios desportivos. O PACE2 já a tinha colocado em boa posição no que a relógios desportivos a um preço reduzido diz respeito, mas faltava ainda um modelo mais avançado, capaz de lutar taco a taco com os modelos topo de gama da Garmin em especial.

A resposta chegou neste outono, com o lançamento dos APEX 2 e APEX Pro 2. Dois lançamentos de uma só vez, com ligeiras diferenças que justificam os preços distintos: 479 e 579 euros, respetivamente. Por aqui no Record tivemos a oportunidade de testar ao longo do último mês e meio o modelo mais avançado e não conseguimos não ficar agradavelmente satisfeitos. Em especial pela incrível duração da bateria, que continua a mostrar a capacidade da COROS para superar os limites impostos pela própria marca nos modelos anteriores. Chega a ser quase assustador ver a forma como a bateria dura, dura, dura... E, tal como noutras ocasiões, até passamos por aquele quase vergonhoso momento de, quando a bateria chegar ao final, não sabermos onde deixamos o carregador!

Mas este APEX Pro 2 é muito mais do que um relógio com uma bateria de longa duração. Em comparação com o APEX original, nota-se claramente a evolução em termos de velocidade de captura e fiabilidade de sinal GPS, mas também leituras do sensor cardíaco muito mais claras e fiáveis. O primeiro ponto surge muito por conta da integração de um chipset GNSS de dupla frequência - mas também pela possibilidade de captura de sinais GPS/GZSS, GLONASS, Galileo e BeiDou -, que aprimora a captura de sinal de GPS e faz com que as interferências sejam menores. Isso permite que, ao observarmos o desenho do dos nossos treinos, seja possível verificar uma linha praticamente perfeita.

Um dos maiores exemplos disso mesmo foi quando há pouco mais de um mês fizemos a Maratona de Nova Iorque. Uma prova que se corre com passagens por pontes e entre prédios enormes, mas nem isso fez com que o relógio entrasse naquele habitual modo de atrofio - o único ponto menos preciso foi a passagem pela Queensboro Bridge, que é não só um pesadelo para os corredores como também para os relógios pelo seu formato. Ainda assim, enquanto os demais corredores me iam dizendo que o relógio deles tinha superado os 43 quilómetros - em 2019 foi isso que me aconteceu com um modelo de outra marca -, o meu APEX Pro 2 dava-me o desvio habitual numa maratona, com pouco mais de 300 metros. 300 metros que numa maratona... não são nada. São 7 metros de desvio a cada quilómetro, algo perfeitamente possível tendo em conta as mudanças de direção para apanhar águas ou ultrapassar corredores.

Esse foi um dos grandes testes que demos a este APEX Pro 2, mas não quisemos ficar por aí. Um mês depois, novamente na distância rainha, colocámos novo teste na Maratona de Valência. Uma prova bem mais ampla, sem grandes obstáculos que pudessem interferir com o sinal recebido. O resultado foi, uma vez mais, de assinalar: somente 320 metros de diferença e uma linha traçada na perfeição em relação ao que fizemos. Nada de passagens imaginárias por cima de prédios ou idas ao rio quando temos passagens por pontes... E até um pequeno desvio que fizemos (andámos para trás e para a frente, basicamente) foi claramente registado no relógio de forma precisa.

Quanto ao sensor cardíaco, está bastante melhorado e neste modelo já não nos dá aquelas leituras que por vezes tínhamos no APEX original, com picos sem lógica na leitura cardíaca. É óbvio que nem sempre a nossa perceção é correta, mas nos treinos que fizemos foi possível perceber que os picos de leitura era justificados por aquilo que fazíamos no treino.

Minimalista mas resistente

Outro ponto no qual se nota uma evolução gritante é mesmo a questão visual e também a própria resistência do modelo. Talvez pelo trabalho desenvolvido pelo lendário Kilian Jornet, a COROS coloca aqui dois modelos capazes de aguentar todo o tipo de condições, mesmo pensados para quem, para lá da estrada, gosta de aventurar-se nos mais difíceis terrenos. O design é até algo mininalista a um primeiro olhar, mas é possível perceber-se, até pelo toque, que aqui só temos materiais de topo e ultraresistentes.

Com um ecrã maior em comparação com o APEX original, mas também do que o APEX 2, o Pro 2 apresenta uma maior facilidade de leitura dos dados de treino. Por outro lado, ainda que seja algo que já confessámos não gostar, este modelo apresenta igualmente um ecrã tátil (que podemos manter ativo ou simplesmente desligar). Por outro lado, agora olhando a um ponto que sempre nos agradou, estamos a falar de um relógio com pouco mais de 50 gramas. Um verdadeiro peso pluma de alta performance!

A navegação pelo menu volta a ser feita através de um movimento de scroll utilizando o botão grande do lado direito, o que, quando estamos a treinar a ritmos mais vivos, pode ser algo chato e desconfortável a princípio, mas que depois acaba por se tornar um movimento natural. Através desse scroll podemos analisar os vários dados de base, como passos, calorias gastas ou dados de saúde, mas também navegar através do menu com dezenas de atividades desportivas que temos à nossa disposição.

De resto, o APEX Pro 2 dá-nos tudo aquilo que já tínhamos vistos noutros modelos da marca e que, neste caso, nem precisava de ser melhorado. Como o modo de treino de pista, que nos permite, ao fazer seleção da linha que estamos a usar, captar na perfeição os metros de cada volta. Chega a ser assustadora a forma como o relógio consegue não falhar por um metro!

Mapas cada vez melhores

O APEX Pro 2 conta igualmente com a capacidade para carregar mapas e segui-los de forma precisa, o que acaba por ser uma funcionalidade interessante para quem faz trail ou pretende simplesmente ter a possibilidade de seguir um percurso quando não conhece bem a área. Aqui entra um dos pontos que achamos que pode ser melhorado: quando usamos o modo de mapa não podemos fazer os nossos treinos compostos. Quer isso dizer que, por exemplo, quando recebemos um treino através do Training Peaks, não podemos fazê-lo em modo mapa como provavelmente gostaríamos...

Além disso, falando ainda de funcionalidades melhoradas, o APEX Pro 2 passa a ter capacidade para reprodução de música, através da memória de 32GB para carregamento de músicas em formato MP3. A reprodução apenas pode ser feita através de auriculares Bluetooth, já que o relógio não conta com saídas de áudio, como por exemplo sucede nos smartwatches de outras marcas. Por integrar está a ligação a plataformas de streaming, algo que a COROS promete ser possível já para 2023.

Aplicação cada vez mais organizada

Além de ser um relógio que já se coloca bem próximo do topo no seu segmento, o APEX Pro 2 beneficia também da qualidade da aplicação da COROS, tanto pela sua organização de dados como até pela sua quantidade. Neste campo queremos destacar um dos novos parâmetros de análise que a marca norte-americana apresentou recentemente, o Pace de Esforço, que não é mais do que o ritmo adaptado à condição do terreno (se tem subidas, por exemplo, o nosso esforço para manter determinado ritmo é superior). Isso faz com que, também em tempo real no relógio, consigamos manter o nosso nível de esforço sem passar aquele limite. Na aplicação podemos também observar ao detalhe todos os dados dos nossos treinos, analisar também a evolução que vamos tendo com o decorrer do tempo e obter previsões (quase perfeitas) dos tempos que podemos conseguir em determinadas distâncias.

Para lá de tudo o que temos quanto a registos e análise de treinos, o COROS APEX Pro 2 conta também uma forte aposta no campo dos dados de saúde, tanto os que estão relacionados com a performance - como a recuperação e fadiga -, mas também o já falado sensor cardíaco e também os dados relativos ao sono. O relógio deteta o nosso sono e apresenta-nos as horas em que estivemos a descansar e, tal como os modelos de outras marcas, divide-o pelas diversas fases (REM, sono leve, sono profundo, etc.), de forma a dar-nos uma ideia se estamos ou não a dormir bem. Tudo isso é possível analisar diretamente no relógio e depois aprofundado através da aplicação, com a exibição de um gráfica que nos mostra a continuidade de determinado período de sono e também as horas em que tal sucedeu.

A aplicação da marca garante igualmente sincronização com Strava ou Training Peaks, o que permite passar os nossos treinos para a primeira plataforma e receber também os planos dos nossos treinadores através da segunda.

Uma bomba quando ligado ao POD2

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