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Estivemos nos Emirados Árabes Unidos a correr a prova de RAK e percebemos bem o 'hype' da mesma
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Ano após ano, a época das grandes marcas mundiais da meia maratona começa em Ras Al Khaimah. Um destino paradisíaco e exótico, que fora dos Emirados Árabes Unidos está claramente ofuscado pela espetacularidade e imponência do Dubai e de Abu Dhabi. Mas no mundo da corrida é dele o protagonismo principal para estes lados. E uma das coisas que sempre nos intrigou foi perceber o porquê. O porquê de RAK, como é conhecido na gíria, ser tão propício a marcas rápidas e, também, o porquê de ano após ano ter pelotões de elite com qualidade elevadíssima.
Este ano não foi diferente. Nos inscritos havia 18 homens abaixo da hora e 7 abaixo dos 59 minutos. Nas mulheres, 15 tinham registos de carreira abaixo dos 70 minutos e 6 abaixo dos 66. Parte da explicação reside, claro, no dinheiro que a organização entrega. Tanto em participação (os valores não são conhecidos) como pelos prémios da classificação. 15 mil dólares, 10 mil e 7 mil para os que subirem ao pódio, mais 100 mil dólares para um eventual recorde do mundo e 5 mil para o recorde do percurso.
Este ano nenhum desses objetivos foi alcançado, mas isso não impediu que fossem feitas várias marcas de relevo. Por exemplo, oito homens correram abaixo da hora, com o queniano Daniel Mateiko a confirmar o favoritismo ao vencer em 58:45. Um tempo modesto para esta realidade, mas que tem duas explicações: a humidade que se sentiu neste dia e, também, o vento que dificultou a missão dos corredores - tal como a ausência de pacers na corrida masculina. Já nas senhoras, seis correram abaixo dos 67 minutos, com a vencedora Tsigie Gebreselama a tirar quase um minuto à sua anterior melhor marca (de 1:06:13 para 1:05:14). Registos rápidos que colocam RAK no top das melhores marcas do ano até ao momento - nos homens os três primeiros tempos são desta prova; já nas senhoras, RAK tem a 4.ª, 5.ª e 6.ª melhor marca.
E o que explica esses tempos? O percurso totalmente plano, essencialmente. Mas quando dizemos "totalmente"... é mesmo! Chega a ser até 'chato' de tão plano que é. É quase um treino longo, de 21 quilómetros, numa autêntica pista. Não é percurso mais interessante, mas até o facto de corrermos numa ilha, num cenário totalmente distinto daquele que estamos habituado, tem o seu encanto. Não temos grande apoio popular, com exceção das duas ou três passagens que temos mais perto da meta, mas aqui o foco é mais o tempo e não tanto a experiência global. Vamos ter uma experiência diferente, daquelas que certamente nos podem ficar na memória, mas não será aquela prova da qual nos lembraremos por termos tido um banho de gente.
Por exemplo, olhando às duas outras grandes meias maratonas rápidas do mundo (Lisboa e Valência), as diferenças, ainda que curtas, são bem evidentes. Valência tem o ponto mínimo de altitude nos 1,6 metros e o máximo em 18,3. Lisboa é ainda mais reduzida, com 3 e 12 metros. Mas RAK está noutro nível: 5 metros de diferença entre o ponto mais baixo e o mais alto. Por isso, estando um bom dia para correr, com temperatura baixa e sem vento, o recorde mundial um dia cairá aqui.
No dia em que lá corremos no último sábado, as condições meteorológicas não estavam perfeitas e isso acabou por condicionar. A temperatura até estava agradável, mas a humidade e um vento incomodativo terá tirado as chances claras de haver um sub 57 minutos. Com Jacob Kiplimo presente de novo (já correu lá em 2022, com 57:56), o recorde de Lisboa correr sérios riscos.
De resto, falando em concreto da experiência de corrida, a prova está superiormente organizada e nada neste dia falhou. Num dia sem temperaturas elevadas, mas com a humidade típica deste lado do globo, a organização não poupou nos esforços para dar aos corredores muitos pontos de hidratação, impedindo que houvesse problemas graves de desidratação. O percurso, apesar de algo chato pelas voltas dadas, estava muito bem marcado e era feito em estradas largas, com espaço para tudo e todos.
E quanto a nós, o melhor de tudo foi termos saído de Ras Al Khaimah, uma semana de correr a Maratona de Sevilha em 2:59:25, com um novo recorde na meia maratona, ao baixar o cronómetro ligeiramente das 1:24, com 1:23:57. Mais uma prova de que RAK é mesmo rápida!
Por fim, um último argumento para colocar esta prova no seu calendário para 2025: como certamente sentiram nos últimos dias, esta altura do ano é marcada por temperaturas frias em Portugal e na Europa em geral. Que melhor plano do que uma escapadinha aos Emirados Árabes Unidos, com temperaturas sempre amenas, para correr uma meia maratona e desfrutar do resto do fim de semana na praia ou na piscina? É que, já nos esquecíamos de dizer, a Meia Maratona de Ras Al Khaimah se corre num sábado, o que dá logo margem para desfrutar bastante das horas finais de estadia antes de voltar a casa.
E para quem tem família ou amigos que não correm uma meia maratona, no programa também há provas de 2, 5 e 10 quilómetros. Em suma, um programa desportivo perfeito!
NOTAS FINAIS
Percurso: 10/10
O que preferem? Um percurso rapidíssimo, mas 'chato', ou percurso interessante mas não totalmente plano? Em Ras Al Khaimah, com o foco de ter tempos o mais rápido possível, a opção passou pela primeira e, no nosso entender, muito bem. Há muitas formas de ver e fazer corridas e esta tem um propósito claro: permitir o máximo de recorde pessoais. E, também, porque ao ser ali feita, na Al Marjan Island, não incomoda o trânsito nas vias principais até RAK.
Logística: 10/10
A prova é toda feita no interior da Al Marjan Island, começando e acabando perto do ponto de entrada na mesma. O centro nevrálgico é na estrada principal, junto de vários hotéis, incluindo o Rixos Bab Al Bahr, o hotel oficial da prova. O levantamento dos kits de prova é feito neste local, num processo bastante acessível. A partida é feita de forma muito organizada (não havia blocos de partida, mas não se revelaram necessários) e durante a prova destacamos o número e a dimensão das mesas de hidratação, tal como o trabalho dos voluntários. Nada a apontar!
Ambiente: 5/10
Será provavelmente o ponto menos bom, mas é o preço a pagar. Com exceção da zona da partida e meta, de um momento em que nos aproximamos do final e voltamos para trás e ainda a passagem de alguns hotéis, nesta prova corremos sozinhos apenas com os nossos companheiros de batalha.
Medalha e t-shirt: 9/10
É sempre uma questão de gosto, mas no nosso caso ficamos agradados com aquilo que a organização nos entregou. A camisola técnica de prova é da adidas e apresenta uma qualidade de material superior, apesar do design ser minimalista. Já a medalha, não sendo nada de extraordinário, é diferente daquilo que vemos por aí.
Preço:Meia maratona: 90 dólares
10 km: 60 dólares
5 km: 30 dólares
2 km: 20 dólares
Como chegar
Para chegarmos a Ras Al Khaimah temos dois passos: primeiro chegar ao Dubai e depois a RAK. De Lisboa há voos diretos para o Dubai através da Emirates e ainda com escala pela Turkish Airlines, por Istambul. Já do Porto não há voos diretos, sendo necessário fazer escalas em Istambul (pela Turkish Airlines) ou Amesterdão (pela KLM), isto para falar das mais acessíveis financeiramente. Depois, chegados ao Dubai, há uma curta viagem de 100 quilómetros até ao local da prova, que pode ser feita de táxi ou usando os shuttles destinados para este efeito.
Onde ficar
Ras Al Khaimah, ao contrário do Dubai e Abu Dhabi, é uma zona balnear por excelência. Aqui a oferta de hotéis é muito voltada para o 'all inclusive', para fins de semana ou semanas completas de praia/piscina. Há vários hotéis junto da ilha onde decorre a prova, quase todos eles com algum tipo de acordo de parceria com a prova. O hotel principal, aquele no qual ficamos instalados, o Rixos Bab Al Bahr, tem também preços promocionais para corredores e, melhor do que tudo, está a 200 metros do ponto de partida da prova. No nosso caso, bebemos o café pré-prova às 6:40, no buffet do hotel, para uma prova que começava às 7:00.
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