Portugal, um país de maratonistas

Estudo diz que atletas amadores portugueses são os terceiros mais rápidos do Mundo

Longe vão os tempos em que atletas como Carlos Lopes, Rosa Mota ou Manuela Machado se destacavam nas maratonas pelo Mundo, mas a semente deixada por estas lendas do atletismo nacional parece estar a dar frutos na atualidade. Não entre a elite, que tem deixado resultados aquém daquilo que era feito há duas ou três décadas, mas sim nos chamados atletas amadores. É que, segundo estudo recentemente realizado pelo portal Run Repeat, em colaboração com a Federação Internacional de Atletismo (IAAF), os maratonistas amadores portugueses são os terceiros mais rápidos do Mundo.

Os números

Numa análise a cerca de 70 mil provas realizadas pelo Mundo entre 1986 e 2018, os atletas nacionais que concluíram as respetivas corridas registaram um tempo médio de 3:59.31 horas, sendo superados só por Espanha e Suíça. Os espanhóis comandam com 3:53.59 h e os helvéticos surgem logo a seguir, com 3:55.12 h. Números que podem surpreender, especialmente porque o panorama da elite tem sido amplamente dominado por quenianos e etíopes, mas que se explica essencialmente pelo facto de os atletas africanos que participam em maratonas serem na sua larga maioria de elite, entrando nas provas para vencer e, claro está, melhorarem as suas condições financeiras. Daí que os atletas amadores de países como Quénia ou Etiópia não tenham qualquer destaque neste estudo.

Cada vez mais popular

A maratona é um desafio brutal, tanto física como mentalmente, mas nem isso afasta os portugueses. Com efeito, segundo os dados do referido estudo, Portugal foi o segundo país do Mundo que assistiu a um maior incremento do número de maratonistas entre 2008 e 2018, com um crescimento de 177% - apenas superado pela Índia (229%). Números incríveis, que surgem em claro contraste com o de outros países europeus, como a Alemanha ou Itália, que viram o número de maratonistas cair na ordem dos 10% na última década.

Ainda assim, Portugal acaba por estar na cauda no que à participação de mulheres diz respeito, já que apenas 15% dos maratonistas nacionais são do sexo feminino. Não obstante este número reduzido, convém frisar que esses 15% conseguem ter o sétimo tempo médio mais rápido do Mundo, com 4:21.56 horas. Já no caso dos homens, os portugueses estão ligeiramente acima na tabela, no quarto posto, com 3:54.55 h.

O Mundo está mais lento

São vários os dados de realce neste estudo e alguns deles até dão que pensar. Como por exemplo o número de corredores presentes em provas (dos 5 km à maratona), que passou dos 9,1 milhões em 2016 para os 7,9M em 2018, ou o facto de o número de mulheres ser praticamente o mesmo de homens.

Mas um dos dados mais interessantes é mesmo o facto de o Mundo estar a ficar... mais lento. Provavelmente devido ao maior número de corredores menos bem preparados, o tempo médio de maratona passou das 3:52.35 h em 1986 para 4:32.49 h em 2018.

Por Fábio Lima
Deixe o seu comentário
SUBSCREVA A NEWSLETTER RECORD GERAL
e receba as notícias em primeira mão

Ultimas de Record Running

Notícias