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O UTSM era conhecido pela tribo do trail running como a prova ideal para um atleta se estrear nas distâncias de três digitos. E assim era por ser uma prova com um grau de dificuldade relativamente baixo, por ser pouco técnica e com pouco desnível positivo. Muitos de nós, que hoje nos aventuramos nas maiores distâncias, embarcámos nestas aventuras em Portalegre ao longo das várias edições. Corria o ano de 2014, quando me estreei nesta prova, lembro-me como se fosse hoje do nervoso que antecedeu a prova e de todas as dúvidas que tinha. Será que tinha treinado bem? Será que tinha o material certo? Teria a questão da alimentação e hidratação preparada? Como iria reagir o corpo a todas aquelas horas de corrida? Enfim, as dúvidas naturais de quem entra num terreno desconhecido e tem simplesmente o sonho de ultrapassar este desafio.
Volvidos cinco anos, eis que decidi voltar ao Alentejo e ao ponto de partida. O grande objetivo em 2019 passa por uma prova de 300km com "apenas" 7300m D+ (lá mais para o final do ano), pelo que o UTSM afigurava-se como uma excelente opção dado ter características semelhantes às que espero encontrar no final do ano. Puro engano. A verdade é que o UTSM já não é apenas uma prova corrível, pouco técnica ou com pouco desnível, pois tornou-se uma prova incomparavelmente mais dura e desafiante. Se deixou de ser uma boa prova para estreias? Não, creio que continua a ser uma excelente prova para quem se quer estrear na distância, pois mantém o essencial, o espírito das pessoas com quem nos cruzamos ao longo de 110km. Em particular, a forma incrível como somos brindados por uma tuna universitária, um grupo de cante alentejano ou de uma patrulha de escuteiros a meio da noite, no sítio mais improvável, enchem-nos a alma e reforçam a energia nas pernas. Mas não só, os trilhos tornaram-se diversificados com inúmeros single tracks técnicos, com subidas longas a "moer" a pernas (e a cabeça) e descidas a por à prova os quadricipes. Como nenhuma outra prova no Alentejo.
O trajeto conta com passagem por algumas das mais emblemáticas aldeias das redondezas, num carrossel entre ruas de casas brancas e locais inóspitos onde apenas sobressaia a luz de uma lua cheia que nos iluminava cada passo. E apesar de ser um trajeto bastante diferente daquele que fiz em 2014, consegui reconhecer alguns dos locais e o flashback em Marvão foi inevitável. Há 5 anos passei neste local com muita dificuldade, com os pés desfeitos em bolhas, sendo que demorei não menos de 30 minutos neste ponto que era à data a base de vida da prova. Volvidos estes anos, a paragem em Marvão não demorou mais que um par de minutos (agora passa-se por aqui no início da prova) e praticamente não houve tempo para desfrutar deste local incrivelmente bonito.
E o que vou recordar desta prova? Dois momentos em particular. Os primeiros km’s da prova, onde pude testemunhar o carinho dos portalegrenses para com os atletas da terra, em particular para um senhor chamado Vítor Cordeiro (M55), que acabou por vencer a prova. Não há ninguém na tribo do trail que não conheça e reconheça o extraordinário atleta que é o Vítor. Testemunhar as gentes da sua terra a incentivá-lo e a apoiá-lo em cada metro foi para mim um enorme privilégio e um sinal de esperança (há mais mundo para além do futebol). O segundo momento, dá-se por volta do km 30, onde encontro dois atletas (que naquele momento disputavam as primeiras posições), um deles tinha aberto a canela numa pedra e ou outro abdicou da sua prova para ajudar o colega em dificuldades. Depois de perceber que não podia ser útil naquela situação, segui o meu caminho a admirar ainda mais o meu amigo Rui Luz, que demonstrou não só ser um atleta e eleição, mas também uma pessoa com uma atitude ímpar que muito se precisa no desporto em geral.
O UTSM 2019 foi sem dúvida uma experiência, se foi perfeito, não! Por isso é que é conto voltar em 2020!
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