Corremos duas maratonas com o Huawei Watch GT Runner 2: estes foram os resultados

Marca chinesa tenta entrar no mundo do running com um modelo específico

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Huawei Watch GT Runner 2 testado em duas maratonas
Huawei Watch GT Runner 2 testado em duas maratonas

Ao longo dos últimos anos, a Huawei sempre fez relógios muito bons para corrida, mesmo que não fossem modelos específicos para essa atividade. Por isso, ao relançar a saga Watch GT Runner, agora na sua segunda versão, a marca chinesa sabia que não precisava de começar do zero. Só tinha de pegar no que tinha feito bem até agora e dar-lhe um toque mais runner. E aproveitar da melhor forma a recente ligação à dsm-firmenich Running Team, a equipa de Eliud Kipchoge.

Testámos o Watch GT Runner 2 ao longo de praticamente três semanas, com dois testes muitíssimo exigentes para o colocar à prova: duas maratonas no Japão, em cidades repletas de grandes prédios e com passagens junto a rios/pontes. O cenário de pesadelo para qualquer relógio desportivo. Seja ele da poderosa Garmin ou da cada vez mais forte Coros. Nesse cenário, qualquer que seja o relógio, o desafio é elevadíssimo. Ainda para mais quando o teste que fizemos foi ainda numa versão beta, sempre suscetível de ter alguns ‘bugs’ – as chamadas dores de crescimento…

Por isso, para não sermos injustos na análise, fizemos o teste com o Coros Pace 4 no outro pulso, de forma a termos um ponto comparativo em relação ao relógio que, no nosso entender, se tem revelado mais certeiro na forma como capta as nossas atividades. E a diferença em ambos os casos foi bem curta. Houve uma falha ainda relativamente grande na captação do sinal do percurso, mas o facto de estarem ambos praticamente a par permitiu fazer uma espécie de filtro.

Em Osaka, o GT Runner 2 deu-nos 42.81 quilómetros contra os 42.83 do Coros. Em Tóquio, o Huawei chegou aos 42.86; o Coros ficou-se pelos 42.76. Aqui temos apenas de fazer um disclaimer quanto aos metros a mais: em Osaka fizemos duas paragens na casa de banho, que facilmente terão adicionado pelo menos uns 100 metros no total – sim, as casas de banho eram algo afastadas do percurso -; e em Tóquio uma que nos obrigou a fazer uma mudança brusca no percurso.

Os dados foram globalmente positivos e mostram os efeitos da aposta feita pela marca numa nova fórmula de captura de sinal de satélite, com o uso da chamada ‘3D Floating Antenna’. A marca fala em 20% de ganho em termos de precisão de deteção do sinal, um valor que entendemos ser algo exagerado, ainda que os resultados sejam satisfatórios.

WATCH GT Runner 2 é fino e bastante leve
WATCH GT Runner 2 é fino e bastante leve

Prova a prova

Em Osaka, a diferença para a distância de prova foram 590 e 610 metros; em Tóquio, 640 e 540, respetivamente. Parece muito, mas são valores bem em linha com o habitual. Não só porque nunca conseguimos fazer percursos na linha perfeita em provas com mais de 30 mil corredores como estas, mas também pelo facto de haver prédios bem altos no caminho dos satélites. E, mesmo assim, o desvio por cada quilómetro cifrou-se em 15 metros na pior das amostras.

No fundo, estes dados somente permitem deixar claro que não há um relógio perfeito na deteção e que as discrepâncias de 400 a 600 metros na distância total são perfeitamente normais. Ainda para mais neste tipo de percurso.

E quanto aos demais dados? Aqui temos de fazer outro disclaimer, no caso para ‘pressionar’ a fiabilidade dos dados do Huawei WATCH GT Runner 2. No Coros levámos não só a banda cardíaca da Wahoo, mas também um sensor para medir todo o tipo de métricas (o Coros POD 2). Era algo injusto na comparação, já que o POD 2 estava colocado no sítio perfeito para captar as métricas e o WATCH Runner 2 tinha de fazer tudo no pulso. Contudo, a resposta foi também muitíssimo positiva.

Os dados mais equilibrados vieram de Osaka, uma maratona que se revelou muito difícil para captar devido ao facto de termos parado duas vezes, de termos baixado o ritmo de forma abrupta a determinada fase e de, dos 36 em diante, caminhado até final. Cadência e comprimento da passada foram praticamente iguais. A potência detetou algo mais no Huawei e o sensor cardíaco foi praticamente perfeito.

Maratona de Osaka

Cadência: 174/173 (Coros detetou mais)
Comprimento passada: 99 (igual em ambos)
Potência: 187W/202W de média (Huawei detetou mais)
Frequência cardíaca: 117/119 (Huawei detetou mais)

Em Tóquio, a maior diferença surgiu na frequência cardíaca, com a banda (da Wahoo) a registar 142 bpm de média, contra os 129bpm do GT Runner 2. E aqui, para lá da diferença média, o gráfico denuncia claramente o que falhou e onde falhou. Primeiro o Coros (com a banda externa) falhou na deteção nos primeiros minutos; depois estabilizou na casa dos 140bpm, enquanto o GT Runner 2 andava pelos 130. Ao cabo de 150 minutos de prova, veio a falha mais estranha. A coincidir com uma pequena pausa devido a um problema físico, o GT teve um pico muito estranho e de seguida baixou. A banda cardíaca detetou tudo certo: ritmo baixa e depois volta ao normal.

Maratona de Tóquio

Cadência: 195 (igual em ambos)
Comprimento passada: 114 (igual em ambos)
Potência: 240W/266W de média (Huawei detetou mais)
Frequência cardíaca: 142/129 (Huawei detetou menos)

O modo ‘maratona’ como estrela

Desenvolvido em conjunto com a equipa de Eliud Kipchoge, o novo relógio da Huawei tem várias funções específicas de corrida, sendo a mais interessante e bem conseguida aquela que nos permite ter um pacer virtual. Aqui a Huawei não inventou a roda, porque tem tudo o que as outras marcas já apresentam, mas adicionou algo muitíssimo interessante.

Além do tempo de avanço ou atraso em relação ao que temos como alvo, o relógio apresenta-nos também o tempo a que deveríamos ter passado a cada quilómetro um pouco mais abaixo. Isso permite que, contando com a eventual falha na deteção do percurso, sejamos capazes de saber no momento em que tempo deveríamos ter passado em determinado ponto.

Foi confuso? Explicamos (a imagem de baixo vai ajudar).

O ecrã que temos no ‘Modo Maratona’ com os parciais
O ecrã que temos no ‘Modo Maratona’ com os parciais

Em Tóquio, definimos 3:08 como tempo alvo para a maratona. Para esse registo, teríamos de correr a 4’27/km. Como começámos mais lento, chegámos a andar com 2 minutos de atraso, mas eventualmente, aos 30, estávamos já no verde, com 30 segundos de avanço para a quilometragem do relógio. Que, no caso, e como habitual, era diferente da da prova.

Ora, aos 31, tínhamos de passar a 2:18:00, mas com o erro da deteção do sinal (e o nossos eventuais desvios) o relógio dizia-nos que estávamos mais rápido do que o nosso objetivo, mas o percurso na estrada dizia-nos que tínhamos um minuto de atraso. E só conseguimos saber isso porque, abaixo do tempo a mais ou menos, tínhamos o parcial necessário nesse ponto. Só temos um reparo a fazer: para quem vai a correr uma maratona – e também para quem vê um pouco mal… -, os números são demasiado pequenos e obrigam a olhar de forma muito concentrada e atenta para perceber.

Sim, Kipchoge aprovou, como tudo o que têm neste relógio, mas se calhar o maior maratonista da história não é só um grandíssimo corredor. Vê também muito bem!

Outro aspeto importante neste relógio é a possibilidade de (finalmente!) podermos criar treinos de séries compostos. Por exemplo: 10 minutos de aquecimento, seguidos de 10×300 e 10×400. Até agora, pelo menos não sabíamos desta possibilidade, apenas podíamos colocar uma distância para as repetições. Mas aqui fazemos outro reparo: a forma para lá chegarmos é muitoooooo longa. E confusa! Fizemos esse teste com o nosso amigo Hugo Barreto, um homem mais do que habituado a lidar com gadgets deste tipo. Ele andou às voltas na aplicação, passou por todos os lados e só depois de alguns minutos chegou lá. No fundo… isto merece um tutorial.

A saúde sempre como foco principal

O Huawei GT Runner 2 é um relógio de corrida diferente do que a marca chinesa vem lançando, mas tudo o que de bom havia nos outros está também neste modelo. Em concreto no campo da saúde, que continua a ser algo no qual a marca chinesa vem focando muito a sua atenção. E ainda bem. Especialmente nesta altura em que tanta gente começa a correr sem ter noção de como está o seu corpo.

O relógio nunca substituirá um médico, mas ajuda a ter indicadores bastante precisos. O sensor cardíaco é o básico de tudo e funciona muito bem. Mas os demais sensores são, como nos outros modelos, muito fiáveis e captam com qualidade as habituais métricas de sono, variabilidade da frequência cardíaca (VFC), o SpO2 ou até a adaptação à altitude – isto para quem treina mais a sério. Isto sem esquecer as ferramentas de recuperação, que cada vez ganham mais importância.

Aqui também se enquadra uma funcionalidade muito importante e cada vez mais polida na Huawei: o ECG, que nos permite antecipar eventuais problemas mais graves. Repetimos, não substitui um médico ou uma consulta, mas ajuda a manter a saúde debaixo de olho no dia a dia. E tem ainda a análise de arritmia por onda de pulso e deteção de rigidez arterial, dois indicadores importantes complementares ao ECG.

A Huawei Health é a app a partir da qual se pode gerir grande parte dos serviços que o relógio oferece. É uma das melhores apps do mercado de relógios desportivos ou smartwatches. É simples, intuitiva e fácil de usar, com informação que se compreende sem necessidade de ser um médico ou um licenciado em ciências da atividade física e do desporto.

E, apesar dos problemas recorrentes da Huawei por conta das restrições aplicadas há alguns anos, tudo funciona em harmonia em qualquer ambiente, seja Android ou iOS. E, claro, no sistema operativo base da própria marca chinesa.

A bateria como estrela

Elogiamos os relógios da HUAWEI por muitos aspetos – há modelos que se destacam num, outros que brilham noutro campo -, mas se há coisa na qual a marca nunca falha é na bateria. E mesmo sendo um relógio de desporto, pensado para corrida, o WATCH GT Runner 2 tem muitas funcionalidades e comportamentos de smartwatch, sem que isso comprometa a autonomia. Nada mesmo!

A marca promete 14 dias de autonomia em uso reduzido e 7 dias em uso desportivo. No nosso teste, fazendo treinos diários e as tais maratonas, batemos em ambos os casos nesses valores – e até ligeiramente em excesso. Valores bastante interessantes, que se colocam também como um trunfo a favor na hora de escolher um novo relógio.

Não é só um relógio para correr

A corrida é o foco deste relógio, mas a HUAWEI olhou também às exigências do mercado atual, com cada vez mais gente a fazer outras modalidades. Trail, golfe, mergulho, ciclismo, natação, força, desportos de inverno… E há até um modo de triatlo, que nos permite conciliar a natação, ciclismo e corrida numa só atividade.

E, então, é uma boa aposta para corrida?

Chegamos aqui e falta responder a esta pergunta. A resposta direta é “sim”. Mas pouco mais do que os anteriores modelos da marca, que já eram muito bons – apesar de lhes faltar, essencialmente, fama.

Ainda assim, o facto de se apresentar com um design bem mais desportivo, mais leve e fino – 34.5 gramas com a bracelete de nylon e somente 10.7 mm de espessura -, com uma bracelete de nylon muito confortável (e respirável), um toque global mais ‘runner friendly’ e ainda uma inovadora funcionalidade de pacing (por aquilo que tem integrado) faz elevar o nível.

Para um patamar bem próximo dos demais. Ainda lhe falta coisas que temos num Garmin. Mas um Garmin deste nível de resposta para a corrida (falemos apenas do aspeto desportivo) custar-nos-á praticamente o dobro. E falta também algo que a Coros tem: um preço muitíssimo competitivo.

É que, ao adicionar tanta coisa voltada para a corrida, a Huawei decidiu também retocar na sua política de preços. Estávamos habituados a ver modelos a rondar os 300 euros. Não era barato numa primeira análise, mas com tudo o que tinha, era um grande preço. Com este WATCH GT Runner 2, a marca chinesa sobe a fasquia até aos 400 euros (399€, para sermos exatos). Um preço que estica ligeiramente a corda, ainda que haja uma promoção inicial que o coloca 30 euros mais barato.

Se justifica esse valor? Da nossa utilização intensiva, diríamos que sim. Veremos o que o mercado dirá nas próximas semanas e se o selo de aprovação de Eliud Kipchoge (e da sua dsm-firmenich Running Team) terá tanto peso assim.

As três cores disponíveis. É escolher o que mais agrada
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