Semana #13: insistir nem sempre é a solução

Jornalista Record cumpriu mais uma semana rumo à Maratona de Nova Iorque

Não sou muito de superstições, mas o 13 parece ter sido efetivamente de azar para os meus lados. Bem, não diria 'azar'. Diria antes que esse número representou uma semana menos positiva. Provavelmente a semana menos positiva de todo ciclo de preparação para Nova Iorque. E ironicamente tudo se deveu à minha (quase) obsessão de cumprir o plano de preparação à risca.

Já aqui tinha dito que não gosto de deixar treinos por realizar ou de simplesmente não os fazer da forma como devem ser feitos. Há quem diga que é dedicação, foco ou determinação. Pode ser. Mas também pode ser teimosia e até a tal obsessão (ainda que não queira chegar a esse ponto). Há treinos em que temos de derrubar a preguiça ou simplesmente combater o cansaço. E há treinos em que temos de saber ouvir o corpo. Saber parar quando temos de parar. Saber perceber que há dias em que não devemos forçar. Especialmente quando a meta mais desejada, o alvo de todo o trabalho que tenho feito, está a apenas 21 dias.

Ora foi este último caso que me sucedeu nesta 13.ª semana rumo a Nova Iorque, mais propriamente no treino longo da semana, onde tinha de fazer um teste que seria determinante para perceber aquilo que posso ou não fazer dentro de uns dias na Big Apple. Um teste que acabou por se revelar francamente negativo.

Na prática acabei por pagar por duas coisas: a primeira foi o cansaço acumulado. Não poderia ser de outra forma, até porque uma semana antes tinha corrido uma maratona para novo recorde pessoal. Não que a maratona me tenha deixado particularmente massacrado, porque não deixou e até fiquei francamente bem de pernas (os dois treinos progressivos que fiz durante a semana mostram-no), mas sim porque 42,2 quilómetros têm sempre a sua fatura. Seja em que ritmo for, especialmente quando começamos a acumular cada vez mais quilómetros.

E depois porque continuo a ter o músculo isquiotibial da perna direita a decidir dar sinais de si, devido a um encurtamento muscular (segundo aponta o meu massagista). Uma dor que vai surgindo aqui e ali, especialmente quando o treino começa a pedir ritmos algo mais exigentes. Ritmos que tive de andar a rodar neste domingo...

O filme do dia

Na verdade este longo tinha tudo (mas mesmo tudo!) para correr bem. Afinal de contas, estava acompanhado do enorme Sérgio Salgueiro, que dentro de mês e meio se estreará na maratona em Valência, e tinha os habituais abastecimentos de luxo por parte de alguns dos meus amigos da corrida (obrigado Catarina, Joana's, Hugo, Carla...). E, diga-se, tudo corria de forma praticamente perfeita até ao segundo patamar de ritmo, ali até aos 23 quilómetros.

Tinha nove pela frente e sabia que a exigência ia surgir nessa altura. Até aí, confesso, a dor foi-se manifestando, mas estava suportável. Conseguia correr e lidar bem com ela. Mas à medida que o ritmo teve de aumentar... o caso mudou de figura.

Aos 24 quilómetros senti que não podia continuar a esforçar. Parei. Recuperei o fôlego e tentei novamente. Arranquei, terei feito mais um quilómetro (dentro do ritmo apontado) e tive de voltar a parar. Já não era só a dor. Era também o cansaço acumulado. As pernas começavam a pesar mais do que o normal. A energia parecia esgotar-se. Recuperei novamente o fôlego, pensei ficar por ali (o Sérgio disse-me para o fazer e eu não o ouvi), mas fui teimoso e tentei novamente. Mais dois quilómetros... nova pausa. Novamente as pernas pesadas e aquela dor a incomodar-me.

"Fico aqui? Não. Tenho de ir até ao fim", pensei eu. Estava tão bem quieto! Insisti, repeti isto por mais duas vezes, até que cheguei aos 30 quilómetros e achei que já bastava. Já chegava de me castigar. Não dá, não dá. Não há nada a fazer. Devia ter pensado assim uns seis quilómetros antes e não ali, aos 30 quilómetros, quando sentia que tinha passado um limite.

Minutos depois, ao falar com o meu treinador, levei nas orelhas, obviamente. E com razão! Tinha feito o que não devia ter feito. Especialmente nesta fase. Foi arriscar tudo o que fiz até agora. Espero não ter deitado tudo a perder, sinceramente...

Um dia passou desde esse treino menos bom e a dor vai passando, especialmente depois da massagem e da pressoterapia (fiz ambos na segunda-feira). Ainda está aqui um pequeno desconforto, ainda incomoda ligeiramente, não tanto quanto antes, mas sei perfeitamente que ainda não está a 100%. Bem longe disso!

Agora resta apenas esperar que tudo passe até daqui a 20 dias. No que depender de mim, muito alongamento e descanso serão o prato forte dos próximos tempos. E se o corpo der novo sinal, desta vez vou ouvi-lo. Não há espaço para brincar. Muito menos agora...

Até para a semana!

A décima terceira semana em números
» 78,9 km
» 6:24 horas
» 4'53 de ritmo médio
» 5 treinos de corrida e 1 treino de ginásio

Os meus treinos no Strava
07/10: Calmo
09/10: Progressivo
11/10: Progressivo
12/10: Calmo
13/10: Longo

Dica #14: Estejam atentos e respeitem os sinais do vosso corpo
(Recorda a dica #1, #2, #3, #4, #5, #6, #7, #8, #9, #10, #11, #12, #13)

Bem sei que é muito complicado saber distinguir a preguiça do cansaço acumulado ou de uma potencial lesão, mas às vezes mais vale parar, não fazer o treino que tínhamos planeado, do que arranjar um problema que deite tudo a perder. Até porque, lembrem-se: Falhar um treino não vai fazer-nos perder a maratona. Mas fazer um treino errado e arranjar uma lesão é meio caminho andado para isso...

A caminhada para uma maratona é longa. Há dezenas de treinos e se falharem um (e até mesmo dois ou três) não vem nenhum mal ao mundo. Eventualmente até podem sair a lucrar com isso, pois estarão menos desgastados. Como em tudo na vida (aqui não é diferente!) o segredo é ser ponderado e tentar não ir do oito ao oitenta.

Sim, estou a escrever isto depois de ter feito o total oposto... A ver se aprendo!

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Por Fábio Lima
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