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Jornalista Record está no Quénia a treinar junto dos atletas locais e partilha a sua experiência
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O oitavo dia desta aventura serviu para colocar o 'check' em vários objetivos que tinha desde que aterrei no Quénia, mas que até agora não tinha sido possível concretizar.
- Acordar ainda com a noite cerrada e ver, ainda por entre a escuridão, o famosíssimo pórtico que indica que esta é a Casa dos Campeões.
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- Começar uma corrida enquanto o sol começa a surgir no horizonte.
- Correr na companhia de dois atletas locais que apenas estavam ali para me acompanhar. Fosse eu ao ritmo que fosse.
- Cruzar-me ao longo dos 60 minutos do meu treino com larguíssimas dezenas de corredores, grande parte deles vencedores de provas com relativa importância no mundo da corrida.
Estas eram quatro das coisas que tinha pendentes de fazer desde que cá cheguei e ao primeiro dia completo em Iten tive a chance de cumpri-las. Logo por aí este dia foi ganho em absoluto.
A jornada começou, como disse, ainda o sol não se via. Esta é a melhor hora para treinar, segundo dizem os quenianos. A justificação, explicou-me na terça-feira o treinador Nicholas Koech, passa pela sensação que os atletas têm de que, ao ser tão cedo, o corpo ainda estar fresco e pronto para o impacto dos treinos, mas também pela possibilidade de a estas horas poderem respirar um ar mais fresco.
Pode ser mania ou não, mas a verdade é que começar treinos ainda com a noite cerrada é algo que praticamente todos os grandes atletas fazem por estas bandas. Há quem diga que serve também para fugir do calor. Outros que é uma forma de dar mais tempo de recuperação ao corpo para o segundo treino do dia. Todas parecem justificações credíveis. Se resulta, para quê questionar?
Da minha parte, não comecei com a noite cerrada como eles, mas às 7 estava a arrancar. De um lado estava o Gideon, um atleta com uma melhor marca de 62 minutos na meia maratona; do outro o Johnstone, com 2h17 de recorde na maratona e que há alguns anos foi lebre da Mary Keitany, atleta que venceu em sete ocasiões maratonas do circuito World Marathon Majors. Os dois poderiam muito provavelmente andar pelo mundo a fazer provas e a tentar ganhar dinheiro para (sobre)viver, mas nesta altura para eles é bem mais acessível e lucrativo ser pacer de atletas amadores estrangeiros do que propriamente a competir. Ficam perto de casa e dos seus e continuam a correr por diversão e paixão.
Só lhes tive de dizer o ritmo que tinha para fazer e eles trataram de me guiar por entre as estradas de terra batida características da região. Com muito sobe e desce, claro! E foi assim, com tudo a meu favor, com dois mega atletas a ajudarem-me, que parti para a minha corrida tendo o sol a surgir timidamente no horizonte.
Quando começo o treino vejo logo um grande grupo a uma velocidade considerável. Mais uma reta, mais uma curva. E novo grupo com uns 15 corredores. Estes bem mais 'lentos'. Foi assim durante uma hora de corrida - para alguns a quinta-feira significa treino longo, para outros é o fartlek, para outros simplesmente um treino fácil. Aqui e ali passava por um corredor isolado, mas foi curioso perceber que terei passado, sem exagerar, por mais de uma centena de atletas no espaço de uma hora.
Com um início de dia assim, era impossível o resto da jornada não ser positiva. Foi também a primeira oportunidade para ir à descoberta dos recantos de Iten, com as suas mil e uma lojinhas de tudo e mais alguma coisa.
As tendas de venda de fruta e verduras são das que mais vemos na rua e são também aquelas que nós europeus mais gostamos de visitar. Porque os produtos que aqui se vendem nada têm a ver com o que habitualmente encontramos nas nossas cidades. O sabor é totalmente diferente. Nota-se que são produtos vindos diretamente da terra, diretamente do produtor, sem qualquer tipo de processo intermediário para dar um aspeto mais 'bonito'. E depois o preço... Para nós europeus é quase oferecido! Uma banana, por exemplo, custa o equivalente a cerca de 4 cêntimos.
Mas o rei por aqui é mesmo o ugali. Já vos falei dele recentemente e hoje aprendi finalmente a fazê-lo. E nada mais fácil! Água a ferver e farinha de milho. O truque é ir adicionando a farinha aos poucos e ir mexendo. Quando chegar a uma consistência similar à de papas de aveia (bastante espessas), está pronto a ir para a mesa. Esta é a refeição predileta dos corredores, seja ao almoço ou ao jantar. Muito por ser uma opção relativamente barata (cada quilo de farinha de milho custa cerca de 70 cêntimos) mas também por ser energia pura. Hidratos de carbono, que no treino ou dia seguinte os corredores acabarão por precisar.
Hoje, curiosamente, foi também a minha vez de voltar a comer ugali. Porque amanhã há mais um treino de pista e não quero de forma alguma comprometer o resultado de um dos últimos treinos de qualidade por falta de energia. Faltam 9 dias para a Maratona de Sevilha e agora é hora de acertar todas as agulhas!
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