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Jornalista Record está no Quénia a treinar junto dos atletas locais e partilha a sua experiência
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Desde que cheguei ao Quénia, há pouco mais de uma semana, tive oportunidade de perceber alguns dos aspetos que fazem a diferença nas suas incríveis performances. A altitude, a dificuldade dos terrenos, a exigência dos treinos ou a alimentação... Todos estes aspetos, mesmo que sozinhos não mudem praticamente nada, ao serem conciliados têm um papel fundamental nas marcas soberbas que eles vão fazendo. Tinha essa ideia ainda antes de vir e confirmei-o. Tanto pela observação, como pelas palavras de algumas pessoas com as quais fui trocando impressões.
Hoje vi outra parte desse sucesso. Uma parte também essencial. A recuperação. No caso através das massagens. Eu sabia perfeitamente que esse é um aspeto preponderante na performance desportiva - até porque como atleta amador procuro pelo menos ter uma massagem de duas em duas semanas -, mas aqui no Quénia provavelmente assume uma importância ainda superior, visto que neste tipo de terrenos os corredores estão sujeitos a vários momentos de stress e potencial lesão. E também pela quilometragem semanal que normalmente atingem, quase sempre perto ou acima dos 200 quilómetros.
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Com tantos corredores de grande nível, é preciso também haver uma grande oferta de massagistas e nisso o Quénia parece-me estar muito bem servido. Especialmente porque, para lá daqueles que investiram forte numa formação para serem credenciados na área, há também atletas (aspirantes a profissionais) que, para ganharem dinheiro para sobreviver e ter energia para correr, exercem esta especialidade em part time. Na maior parte dos casos, esses 'massagistas' não têm formação - pela falta de condições financeiras para seguir uma via académica -, mas são orientados por quem a tem. Dizem-me que é uma prática recorrente e que aqui os profissionais credenciados não têm qualquer problema em partilhar os seus conhecimentos com um qualquer corredor ou simples entusiasta.
Foi isso que também me disse e explicou o Amos, o massagista residente do High Altitude Training Center (HATC), e que ao contrário de muitos teve a possibilidade de seguir os estudos até ao ponto de acabar a sua formação na área da reabilitação. A sua figura é imponente e ao olhar para ele poucos diriam que no passado também ele foi corredor. No caso de 800 metros. Agora afastado do atletismo, é massagista há 15 anos, tendo os últimos oito passado precisamente no HATC. É por aqui que vai ganhando a vida, mas também tendo o privilégio de cuidar do corpo de atletas de topo mundial - por aqui recentemente passaram Emmanuel Korir, o campeão olímpico dos 800 metros em Tóquio'2020, o suíço Julien Wanders ou Josphat Boit, um dos 'pacers' de Eliud Kipchoge. Quando vê o sucesso de atletas como Korir, assume, a sensação que o invade é de missão cumprida. Não admira!
Além da elite, Amos cuida também do corpo dos atletas amadores que tencionam ter os seus serviços. O preço é bem mais elevado do que se calhar esperávamos para um país como o Quénia (14€, quando o normal anda em torno de metade), mas a qualidade paga-se. E neste caso a qualidade é mesmo elevada. Isso sente-se logo no primeiro contacto e prossegue ao longo de toda a massagem. Não digo que seja melhor ou pior do que tenho em Portugal, mas essencialmente foi diferente. Até pelas mil e uma histórias que o Amos teve para contar. Foram 50 minutos definitivamente bem passados, apesar de a determinado momento me ter levado a um ponto em que (quase) gritei. Ele encontrou aqui um ponto crítico e passei ali uns minutos complicados... Mas é para isso que ele lá estava!
Depois desta massagem 'premium', na próxima semana vou conhecer a outra realidade. Num massagista que trabalha diretamente de sua casa, isto enquanto o resto da família passa e faz a sua vida por ali como se nada fosse. É a realidade do Quénia. Uma realidade que estou a gostar cada vez mais de conhecer. É um país diferente, com costumes diferentes, com uma realidade bastante complicada, em que a pobreza é gritante em muitos casos, mas é também um dos povos mais alegres e felizes que me recordo de alguma vez ter visto. Podem ter tão pouco, mas conseguem ser tanto ou mais felizes do que nós, que temos tanto... e não sabemos dar valor.
E é isso que eu vou também fazendo dia após dia aqui no Quénia. Dar valor ao que vou tendo, dar valor ao que vou fazendo. Nem todos os treinos me têm corrido bem, mas hoje por exemplo foi um daqueles dias em que, sim, finalmente, as pernas disseram 'sim' e se alinharam com tudo o resto. Ter finalmente dormido uma boa noite de sono ajudou e muito! A altitude, a pouco e pouco, vai exigindo menos de mim e o meu corpo começa a ficar mais adaptado. E isso é um bom sinal. Que venham os próximos dias!
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