Buena Suerte

A crónica de António Carraça

Descubro no monte de papéis que trouxe de Portugal uma notícia de 2015 com a listagem de cerca de 180 treinadores portugueses a trabalhar no estrangeiro. Por esse Mundo fora, o engenho, a capacidade de trabalho e a camaleónica adaptação a qualquer circunstância, permite-nos ter treinadores lusos em clubes grandes, médios e pequenos. Com condições. Sem elas. Com muito dinheiro. Com pouco. Com bons dirigentes. Com maus ou sem eles sequer. E, normalmente, com resultados de referência e com sucesso. O Zé Mourinho e o Marco Silva em Inglaterra. O Jardim e o Sérgio Conceição em França. O Paulo Sousa em Itália. O Villas-Boas na China. O Peseiro nos Emiratos. São alguns dos nomes de excelência que proliferam por esse futebol internacional. A fazerem das tripas coração, implementando os seus conceitos, as suas ideias de jogo, a sua organização enquanto equipa e o seu tipo de intervenção, de forma a que o êxito seja atingido. Vitórias e mais vitórias. Títulos seguidos e repetidos. Visibilidade profissional e pessoal. E por extensão, malões de euros ou dólares para uns e ‘malinhas’ ou apenas ‘necessaires’ para muitos outros. É que a vida está cara e a Louis Vuitton e a Armani não fazem saldos.

Desde o século 15 e 16 que o Mundo sempre foi muito pequeno para nós. A aventura e a descoberta está-nos no sangue. Sem medos nem receios dos novos Cabos das Tormentas e da Boa Esperança. Hoje, para nós, ‘homens do jogo’, os desafios são ‘canja’.

E é o caso, por exemplo, do meu amigo Luís Norton de Matos, que assumiu há muito pouco tempo o cargo de treinador da selecção sub-17 da Índia. De peito feito e levando consigo toda a experiência enquanto jogador e treinador de muitos e muitos clubes e seleções. Emigrou, teve de o fazer, pois não teve espaço de trabalho no futebol português. Já tem mais de 60. Por isso, só lhe resta ir para o outro lado do Mundo desenvolver a sua profissão.

E não tenho dúvidas que o irá fazer com grande dignidade, profissionalismo e resultados de eleição. Como o fez, quando comigo trabalhou no velhinho Atlético (eu como jogador), no glorioso Benfica (eu como seu Director Geral) e na surpreendente seleção da Guiné (eu como seu Director Desportivo) sempre com total dedicação, compromisso e qualificada capacidade de trabalho.

Mesmo com cerca de 16 mil quilómetros de distância entre nós, temos falado e trocado Whatsapps. Porque somos amigos. Porque somos ‘expatriados’. Porque temos a mesma paixão pelo futebol. E porque gostamos de trocar impressões sobre as nossas experiências. E também, porque estamos felizes e realizados a trabalhar fora de casa!

A vida nem sempre escreve por linhas direitas. Por vezes dá curvas e mais curvas. Mete por atalhos e veredas. E nós, só temos de ter a lucidez e a sensibilidade de seguir o nosso instinto. De tentar entender os sinais que nos vai transmitindo. E depois, é só tomar a decisão que entendemos ser a certa!

Luís, meu amigo, ‘buena suerte’...

Tenho o leve pressentimento de que ainda vamos voltar a trabalhar mais uma vez juntos!

Por António Carraça
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