Diabo da mala Prada

Não me restava outra alternativa senão tentar serrar o fecho da mala...

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Aquando do Campeonato do Mundo de 2002 organizado pela Coreia do Sul e pelo Japão, tive a oportunidade de visitar (na companhia do meu irmão Mané e de dois bons e velhos amigos, o Vasco e o Vieira) alguns países asiáticos com mais detalhe e atenção.

O período de intervalo dos jogos da Seleção, permitiu fazer desta jornada desportiva também um tempo de conhecimento multicultual e de descoberta de novos mundos e novas gentes.

Acordámos desde logo que faríamos de Seul a base da nossa viagem. Depois de cada jogo da nossa Seleção, partiríamos para outro destino e regressávamos para o jogo seguinte.

E foi assim que aportámos no Japão, visitando Tóquio, Kyoto e Osaka usando e abusando do ‘Comboio Bala’. Na Tailândia vivemos o dia a dia da cosmopolita Banguecoque e a calma serenidade de Phuket. Na China, de Pequim, onde a Muralha emerge para além do espaço, até às coloridas e movimentadas cidades de Hong Kong e Macau. Na Indonésia, onde o mar e a brisa de Bali nos embalou os sentidos. Não esquecendo as cidades coreanas onde a nossa equipa das quinas jogou – Suwon, Jeonju e Incheon. Esta foi uma viagem inesquecível e que nos marcou para toda a vida. Pel vivência de experiências especiais e únicas. Pelas pessoas que conhecemos e pelo muito que nos divertimos e rimos... E rimo-nos muito.

Como por exemplo quando chegámos a Seul. Autocarro para o nosso hotel, que demorava cerca de 2 horas (trânsito infernal) e onde aproveitávamos ‘para passar pelas brasas’. Chegada ao hotel e respetivo check-in com as malas amontoadas no hall. Subi e preparei-me para desfazer a minha nova mala Prada, que todos comprámos no mercado da contrafação em Banguecoque. De pele preta, estilizada e com código. Marco o código e nada. A mala não abria. Forço e nada. Volto a marcar e não consigo abrir a maldita mala. Continuo nesta persistência tola e obstinada e a mala continua fechada.

Desço no elevador e na recepção tento pedir uma chave de fendas ou uma serra para tentar resolver a situação. Os recepcionistas estavam totalmente confusos acerca das minhas pretensões. Lá me trouxeram uma lâmina minúscula de uma serra.

Não me restava outra alternativa senão tentar serrar o fecho da mala. E comecei a serrar, a serrar, a serrar. Suava tanto, pelo movimento repetido e pelo calor que se fazia sentir que a minha testa e a minha camisa escorriam água. Oiço uma voz ao fundo do hall:

– Toninho...

Levanto a cabeça e vejo o meu amigo Vasco a gritar

– Toninho, ó Toninho...

Cansado e desgastado pela situação respondi:

– Não me chateies ó Vasco, está calado e deixa-me resolver isto!

– Ó Toninho não faças isso por favor – e apressa o passo na minha direção de semblante preocupado.

Eu serrava.

– Ó Toninho pára com isso, essa mala é minha!

Levanto a cabeça e vejo o meu amigo Vasco com uma mala Prada igual que pelos vistos era a minha. Um de nós tinha trocado inadvertidamente de mala. E como tinham códigos diferentes...

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