Estaduais brasileiros em crise

Chegaram a ser sinónimo de sucesso e estádios cheios, mas, hoje, os campeonatos estaduais do Brasil atraem pouco público

• Foto: Epa

Até final dos anos 90, as palavras ‘campeonatos estaduais’, seriam sinónimos de sucesso. Mas esse passado ficou longe e parece não ter vontade de voltar. Os estaduais estão de regresso no final desta semana ao Brasil, mas se antes os estádios recebiam mais de 100 mil pessoas para assistirem a alguns jogos, hoje isso é impensável. Por um lado, já não há estádios que tenham essa capacidade, mas mesmo que existissem, eles estariam vazios...

O motivo? Falta de bons jogadores, competições mal organizadas e equipas que utilizam os estaduais apenas como preparação para o Brasileirão. E, no entanto, destas são poucas as que disputam o campeonato nacional. As que só vivem dos estaduais, têm vindo a degradar-se. São, por exemplo, os casos de equipas que foram campeãs nos seus Estados, como o América e o Bangu no Rio de Janeiro ou a Portuguesa de Desportos em São Paulo.

Desinteresse

O Cariocão e o Paulistão ainda são aqueles que garantem algum interesse. Ainda assim, no Rio de Janeiro, clubes tradicionais como o São Cristóvão (que revelou Ronaldo), Campo Grande e Olaria, onde Romário iniciou a carreira, não participam há vários anos. Essas mesmas equipas, nos anos 50, 60 e 70, chegaram a jogar no Maracanã com Flamengo, Fluminense e Botafogo diante de quase 100 mil pessoas. Só para ter uma ideia, a média de público do Cariocão em 2015 foi pouco mais de 10 mil pessoas, mas vários jogos não registaram mais de 100...

Nos estaduais mais pequenos até há clubes que praticamente encerram as portas depois dos estaduais e apenas voltam no fim do ano para se prepararem para o estadual seguinte.

Craques como Zico, Roberto Dinamite, Pelé, Tostão e centenas de jogadores que brilharam nos relvados dos estaduais, devem estar a chorar pelo mau futebol agora apresentado.

Por António Carlos. Rio de Janeiro. Brasil
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