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Há um ‘O Sapo’ que quase todos os que pertencem ao mundo do futebol já viram. Fica em Irivo, Penafiel, e é um restaurante onde qualquer um pode encontrar, de terça a domingo, um jogador, um treinador,
Há um ‘O Sapo’ que quase todos os que pertencem ao mundo do futebol já viram. Fica em Irivo, Penafiel, e é um restaurante onde qualquer um pode encontrar, de terça a domingo, um jogador, um treinador, um dirigente ou até um árbitro.
Quando a Revista Record ali marcou encontro com Jaime Pacheco, para jantar no restaurante escolhido pelo treinador nascido em Lordelo (ali perto), que foi campeão nacional no Boavista na época de 2000/2001, encontrou Vítor Paneira, acabado de sair do comando técnico do Tondela, o antigo jogador Moreira de Sá e a equipa de arbitragem do Portugal-Hungria em sub-19 que tinha decorrido em Penafiel.
‘O Sapo’ é um restaurante diferente de todos os outros. "Aqui não há lista, comemos o que nos põem na mesa", diz Pacheco, que até tem o seu cantinho, com direito a foto e com as camisolas dos clubes que treinou em exposição. "Venho cá uma vez por semana com os amigos e outra com a família", conta quem normalmente tem sempre a companhia de António Natal, o ‘seu’ preparador físico, João Freitas, jornalista e advogado, Frasco, velha glória do FC Porto e seu antigo companheiro de equipa, e Cipriano Santos, amigo e ex-funcionário do Boavista.
António Ribeiro é um dos quatro irmãos que fazem de ‘O Sapo’ uma referência da gastronomia nortenha. Eles e as duas irmãs (Joaquina e Maria), que asseguram a qualidade da cozinha, sempre com a mãe, dona Luisinha, atenta a todos os pormenores. O negócio é centenário e vem dos avós de uma família que já não sabe por que é conhecida por ‘Sapos’. O pai de António, Luís, Adão, Paulo e Nelo ainda andou pelas feiras e romarias com um burrito a vender vinho e petiscos. "Foi ali que os conheci, nas festas aqui da região", conta Pacheco.
"O que procuramos sempre é colocar boa comida na mesa e tratar bem as pessoas pois os miminhos são muito importantes", sublinha António ‘Sapo’ enquanto distribui pela mesa cebola crua, presunto, azeitonas, broa da casa, pastelão e… "alto, mais nada", pede Pacheco, "pois vamos comer a seguir cozido à portuguesa". Mas para a mesa ainda salta um ovo estrelado com pão frito em azeite e uma febra de porco. "Aqui é tudo bom, os produtos são naturais, o vinho verde é da terra e até a sopa é especial com a sua modinha de tiras de presunto no fundo", destaca o nosso convidado.
À cabeça da mesa, uma tina cheia de gelo e de garrafas prontas para entrar em campo. Mas em ação está agora apenas vinho tinto doce, servido em canecas geladas que logo ficam pintadas.
Quando o cozido chega, acompanhado por arroz de forno com chouriço e paio, sobra apenas a gula pois o apetite há muito que foi afogado pelas entradas, apesar do pedido feito por Pacheco para haver moderação na apresentação das mesmas. Um cozido com todos, até com frango velho, como convém.
"Há outros restaurantes por aqui onde também se come bem mas como ‘OSapo’ só conheço este", reforça Pacheco, que não consegue encontrar mesmo uma especialidade. "Bem, o cachaço, ou cupim, também é espetacular", diz, enquanto se atira ao cozido.
O repasto é de tal ordem que ninguém pede sobremesas. Mas como há uma festa de aniversário ao lado, lá vem uma fatia de bolo para cada um, enquanto Pacheco faz questão de posar com dois miúdos daquela família, ambos equipados à FC Porto. O clube para onde um dia Pacheco foi treinar à experiência durante seis meses, pela mão do pai de Adelino Caldeira, atual administrador da SAD portista. Ficou a promessa de Pedroto de que voltaria se conseguisse livrar-se da tropa, o que logrou, embora nesse entretanto lhe tivessem chegado convites de Académica, Rio Ave e Paços de Ferreira.
Campeão europeu no FC Porto, onde esteve oito épocas, com um intervalo de duas para representar o Sporting, Jaime Moreira Pacheco já teve oportunidade, como treinador, de conhecer gastronomias de países distantes, como aconteceu na China, onde foi vice-campeão, na Arábia Saudita e no Egito. Mas não guarda grandes memórias pantragruélicas desses países.
"Na China, em Pequim, ou comíamos no ‘Lusitanos’, um restaurante português, ou num restaurante espanhol, e até nos vieram as lágrimas aos olhos quando um dia recebemos uma encomenda aqui do António do ‘Sapo’, com os produtos deste restaurante", conta quem também aprecia "comida alentejana, um bom marisco e bom peixe". Pacheco é um bom garfo mas sabe desgastar. Quando não está a treinar, joga futebol, corre e anda de bicicleta ali por Leça da Palmeira, onde reside. "Joguei ontem e joguei hoje", diz-nos quem já fez, de bicicleta, o caminho de Santiago e o percurso Sesimbra-Sagres.
Mas quando é que vamos ter Jaime Pacheco de volta a um clube português? O campeão nacional pelo Boavista, no início do século, reflete um pouco. "Só sei que vou voltar a treinar a Portugal", atira. "Gostava de treinar alguns dos clubes históricos do nosso país", confessa. Quais? "Um Leixões, um V. Setúbal, um Atlético...", responde de imediato, sempre atento ao que se vai passando no nosso futebol.
Já com as castanhas assadas em cima da mesa, Pacheco ainda aceita o nosso repto para falar de alguns jogadores que estão a dar. Por exemplo, de André André, filho de um antigo colega de equipa. "Costumo dizer que os filhos nunca são melhores do que os pais e a história dá-me razão", diz a propósito do médio do FC Porto. "O pai não tinha uma técnica muito refinada, mas tinha uma autoestima muito forte e uma potência e resistência impressionantes", explica. "O filho joga 20 metros mais à frente, até é melhor tecnicamente e tem muito valor mas, que me desculpe, o pai era melhor", insiste. Tentamos encontrar uma brecha na sua tese. Então e o Bruno Alves? "O Washington era melhor mas jogava no Varzim e o Varzim, tendo a dimensão que tinha, com ele fez um 5.º lugar no campeonato", argumenta. Não desistimos. E Rui Águas e Miguel Veloso? "Ui, os pais foram muito melhores", ouvimos logo e por aqui ficamos, pois tinha soado a hora de Jaime Pacheco passar para a mesa do lado, para jogar às cartas, com uma foto de Eusébio, que também por ali passou, a decorar a parede.
Os chineses perderam-se
Quando treinou os chineses do Beijing Guaon, Pacheco fez dois estágios em Portugal, um em Melgaço e outro em Quiaios. Das duas vezes a equipa veio comer a ‘OSapo’, na segunda a pedido. "Adoraram isto e fizeram aqui uma grande festa", conta o treinador. "O pior foi na altura dos brindes com vinho verde pois aqui os copos são grandes e para eles os copos têm de estar todos cheios e com a mesma medida", detalha. E os brindes foram muitos. "Estavam sempre a dizer para brindar e quando voltámos na primeira curva o massagista já estava a vomitar, o que valeu é que nos aviámos com sacos para o enjoo", recorda, com uma gargalhada quem se despediu da China aos ombros dos adeptos do clube que ali treinou, num país onde pensa voltar. Por ora, Pacheco vai-se entretendo com umas corridas na marginal de Leça da Palmeira, umas voltas de bicicleta e, claro, com encontros semanais com os seus amigos mais chegados no seu cantinho no restaurante ‘O Sapo’, ali por Irivo, Penafiel. O mais difícil é mesmo chegar lá. Depois, é tudo fácil. Muito fácil.
Fiel a outras catedrais
Embora ‘O Sapo’ seja o seu restaurante de eleição, Jaime Pacheco é também um adepto confesso de outros dois restaurantes: ‘O Aleixo’, no Porto, na zona de Campanhã, e ‘O Solar dos Presuntos’, em Lisboa. Os proprietários de ambos foram amigos muitos especiais do treinador quando este ainda calçava chuteiras e passou por períodos difíceis devido a lesões. "Ambos faziam questão de me levar a boa comidinha dos respetivos restaurantes aos hospitais onde estive internado, no Porto e em Lisboa", não se esquece Jaime Pacheco de deixar registado.
O SAPO
Lugar da Estrada, 25, Irivo, Penafiel
Tel: 255 752 326
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