Eles são reis do TT

Carros preparados e pensados para combinar a velocidade, a força e a destreza. Ora tal arrojo só podia ser americano e saído no meio de um bar...

Eles são reis do TT
Eles são reis do TT • Foto: Paolo Baraldi

São carros criados para andar por todo o lado e se não der para ir nesta viatura, o melhor mesmo é pensar em não ir. Carros preparados e pensados para combinar a velocidade, a força e a destreza. Ora tal arrojo só podia ser americano e saído no meio de um bar. Assim foi em 2007, quando Dave Cole e Jeff Knoll decidiram saber quem eram os melhores pilotos de todo-o-terreno, se os de velocidade ou se os de trial.
Nascia assim o King of the Hammers, uma prova que começou com 13 veículos no deserto do Mojave na Califórnia e teve na última edição em fevereiro quase 500: “É a prova mais dura que alguma vez vi”, começa por nos contar José Rui Santos, único português que vive por dentro a competição, por ser comissário desde 2012, e acrescenta que “quem vence aquela prova vence qualquer outra, por isso mesmo, só pode ser um rei, um ‘King’”, diz a sorrir. É ele a ponte transatlântica entre os dois continentes e foi pela mão dele, depois de desafiado pelo cofundador do King of the Hammers Dave Cole, que nasceu o King of Portugal que se realiza em Vimioso desde 2013:

“O conceito Ultra4 já existia em Portugal mas não com esta dimensão”, diz José Rui Santos, detalhando que “os carros são divididos por classes – Legend, Stock, Modified e Unlimited – e tanto podemos ver viaturas mais convencionais do ‘Off-Road’ como os carros que competem nas categorias de Stock, como veículos com pequenas modificações como os Modified e os Legend. Nos primeiros, o tamanho dos pneus pode chegar às 37 polegadas e nos segundos entram viaturas sem limite de pneus, mas com o formato original; e depois há os Unlimited que como o próprio nome diz não tem limites e aqui todos os carros são diferentes”, descreve José Rui Santos, assegurando que “este conceito tem tudo a ver com os portugueses pois mistura aquilo que os pilotos de todo-o-terreno gostam, podendo usar qualquer carro que têm”.

Circuito europeu

A prova portuguesa de 2013 serviu para impulsionar Dave Cole a criar um circuito europeu de Ultra4. Assim, em 2014, além de Portugal, Reino Unido, França e Itália recebiam o ‘King’, cenário que se repetiu em 2015, mas sem a prova francesa: “O nosso objetivo é mostrar à Europa aquilo que consideramos ser o futuro das provas de todo-o-terreno”, afirma JT Taylor, norte-americano que participa no King of The Hammers desde 2007 e que na passagem por Portugal não se cansou de dizer: “Portugal é o melhor país da Europa para este tipo de prova.” E justifica: “Aqui sinto-me em casa pois há pedras muito duras, há muito pó a dificultar o trabalho dos outros pilotos, há cenários que parecem intocáveis, cenários a que apenas um carro Ultra4 consegue chegar.” É esta a justificação para o nome que JT Taylor deu a um dos ‘spots’ de maior atração no King of Portugal, os ‘ovos de dinossauro’: “Quando fiz a pista a pé (são 25 km, n.d.r.) e me mostraram um local com rochas – algumas atingem os seis metros de altura – só imaginava ver os carros a contornar aqueles ‘ovos de dinossauro’”, o nome ficou, diz o norte-americano que revela que “o público português também gosta e percebe muito de todo-o-terreno pois aquela zona mostra a essência desta competição: força, destreza, trabalho de equipa e a rapidez”. No Ultra4 há um piloto e um copiloto, embora haja quem corra sozinho. Algum problema é resolvido pelos dois ou pela boa vontade dos outros. Depois é ver quem é o primeiro a chegar... e se o carro chega inteiro.

Sabia que o campeão europeu é português??

Filipe Guimarães (à direita na foto, com o copiloto Hugo Sampaio), de 42 anos, natural da cidade que tem no nome, estreou-se no circuito europeu este ano e apesar de não ter ganho qualquer etapa – fez segundo em Itália e no País de Gales e terceiro em Portugal – conseguiu levantar o título em Vimioso na passada semana: “Isto para mim é um sonho”, começa por dizer, acrescentando: “Entrei neste conceito no King of Portugal em 2014 para mostrar os pneus que tinha criado para os carros de todo-o-terreno.”

A experiência correu tão bem que Filipe Guimarães quis fazer todo o circuito europeu. À Record Revista conta: “Para mim, terminar era o grande desafio, a partir de certa altura, em Itália coloquei o quinto lugar como uma meta, mas chegar ao primeiro lugar, quando até agora tinham ganho apenas norte-americanos, é algo que me enche de orgulho” e atesta que “isto foi o melhor que podia ter acontecido ao todo-o-terreno na Europa”. “Precisávamos de estar todos juntos, trial e velocidade pois só assim conseguimos ter mais força e provas mais fortes”, justifica.

Além de Filipe Guimarães também Alexandre Serrão participou em todas as provas do Ultra4 Europa, mas no próximo ano a concorrência nacional vai crescer. Emanuel Costa que venceu a última edição do King of Portugal em Vimioso já lançou o aviso: “Para o ano eles podem contar comigo para aumentar a concorrência e, com certeza, vamos mostrar que não é por esta vertente do todo-o-terreno ser nova que os portugueses vão ser inferiores”, assegura o piloto de Penafiel.

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