Nissan Leaf: Viagens mais longas

A mobilidade sem utilização de combustíveis fósseis continua a ganhar (e a galgar) terreno. A marca japonesa aliada da Renault chegou a versão do Leaf com 250 km de autonomia

A utilização de automóveis que dependem dos combustíveis fósseis pode estar ainda longe de passar a curiosidade histórica, mas o trabalho das marcas no desenvolvimento da mobilidade elétrica continua a ganhar e a galgar terreno. Veja-se o caso da Nissan e do modelo Leaf, que ganhou agora versão com autonomia anunciada de 250 km.

Para chegar a estes valores, a marca japonesa aliada da Renault fez aquilo que podemos chamar de ‘upgrade’ da bateria, introduzindo no segmento tecnologia capaz de elevar a capacidade para os 30 kWh sem comprometer tempos de carga ou as dimensões – apenas o peso subiu. A atualização e a nova tecnologia recorreu a mexidas no design interno do módulo (a disposição das células foi alterada) e à utilização de um cátodo de alta capacidade. Tudo somado, o Leaf 30 kWh puxou a autonomia dos 190 para os 250 km, destacando-se também por ligeiras alterações na estética e por incluir novo sistema de infoentretenimento.

Será importante sublinhar que a autonomia máxima anunciada pela Nissan depende de um tipo de condução e de circunstãncias de tráfego muito específicas. Mas não haverá dúvidas quanto ao aumento do número de quilómetros que podem ser percorridos, bem como da própria capacidade da bateria para a regeneração de energia.

Conduzir e poupar

Qualquer leitor que tenha chegado até aqui e que seja automobilista compreenderá uma regra de ouro nesta questão da mobilidade elétrica. O tipo de condução é diferente, as lógicas são muito mais urbanas e há pouco espaço para, enfim, pés mais pesados no pedal do acelerador.

Dito isto, vale a pena deixar algumas notas sobre o exercío proposto pela Nissan na apresentação nacional do Leaf 250 km. O desafio passava por sair do centro de Lisboa, enfrentar diversos tipos de percurso (urbano, citadino, autoestrada, zona da serra de Montejunto) e regressar ao local de partida . O objetivo era cumprir a quilometragem definida e sem recurso a recarga da bateria em qualquer ponto do trajeto.

A forma como abordámos o desafio foi simples: nada de radicalismos nas poupanças (se a velocidade máxima é 70 km/h, não circulamos a 40 km/h), nem nos abusos – velocidade mínima na autoestrada cumprida nos 90 km/h. O resto, pois... bom senso no aproveitamento do terreno e da forma como é possível regenerar a bateria. No final, o Leaf conduzido por Record cumpriu 160 quilómetros e chegou ao ‘controlo’ ainda com 23% da bateria, o que acrescentaria mais 40 km. Mas houve ‘concorrentes’ que confirmaram os 250 km. E dizer isto é dizer muito sobre o novo Leaf.

Informação ajuda a disciplinar

A informação disponibilizada no painel de instrumentos do Leaf tem funções mais abrangentes do que é possível imaginar à primeira vista e uma delas é ajudar decisivamente a disciplinar o tipo de condução. O grafismo dá nota de valores cruciais como a quantidade de energia que estamos a gastar num determinado momento (à esquerda na foto do painel); a carga ainda existente na bateria (em percentagem, ao centro), ou a autonomia (valor de km assinalados à direita). Em cima é possível saber se estamos em ritmo de regeneração da bateria ou apenas a... usá-la.

Nova bateria mais garantia

Para chegar ao valor-chave dos 250 quilómetros de autonomia a Nissan conseguiu evolução da bateria de 24 kWh e manteve as dimensões interiores. O peso subiu (mais 21 kg), fruto do ‘design’ interno e da química utilizada, mas os ganhos na eficiência são objetivos. A própria longevidade da bateria não foi afetada e a NIssan é clara no compromisso com os clientes: a garantia da nova bateria de 30 kWh é de 8 anos ou 160 mil quilómetros.

Por Paulo Renato Soares
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