Hugo Silva: o senhor dos cromos

Professor de Educação Física, treinador e um apaixonado pelas coleções de futebol

• Foto: Luís Manuel Neves

Aviso: a reportagem que se segue é destinada a quem já colecionou alguma coisa na vida ou, no mínimo, a quem entende o conceito. Caso o leitor se enquadre neste grupo, faça o favor de continuar a ler; caso não se enquadre, pode ler na mesma.

"O colecionismo é a prática que as pessoas têm de guardar, organizar, selecionar, trocar e expor diversos itens por categoria, em função de seus interesses pessoais." Esta é a forma como o colecionismo está descrito no popular site Wikipedia e acaba por ir ao encontro do caso de Hugo Silva.
Este professor de educação física e treinador de futebol decidiu, aos 40 anos, escrever um livro sobre as coleções de cromos de futebol editadas em Portugal, principalmente as dedicadas ao campeonato nacional. A ideia de escrever sobre o assunto, de editar um livro que pudesse ajudar os colecionadores a organizar os seus tesouros, cresceu nos últimos anos mas a paixão pelos cromos é muito mais antiga, como contou a Record o autor da obra.

"A primeira coleção de que tenho memória é a Gira a Nota, da época 83/84, tinha uns sete ou oito anos. No entanto, nessa altura a minha preocupação não era completar a caderneta, gostava dos cromos para o ‘abafa’, um jogo no qual tentávamos ficar com os cromos do adversário, graças a essa brincadeira fiquei com carradas de cromos. Só mais tarde comecei a colar nas cadernetas", recorda Hugo Silva.
Anos depois, na adolescência, o colecionador viveu um período de abstinência, história comum a muitos que partilham a mesma paixão. Tempos nos quais os estudos exigiam mais e só sobrava tempo para futebol e namoradas. "Depois da universidade, voltei a juntar os cromos. Primeiro tentei arranjar as coleções às quais tinha uma ligação sentimental, depois, uma por cada época. O problema é que em algumas épocas existem várias de que gostava. De repente, o meu espólio começou a crescer e o objetivo tornou-se cada vez mais abrangente."

Hugo Silva delineou uma estratégia pois é impossível (para quem não é bilionário) ter todas as coleções: "Limitei às coleções editadas em Portugal e apenas relativas ao campeonato nacional, embora também tenha outras, como as dos Mundiais, Euros, Champions League", no fundo, as ‘obrigatórias’ nas estantes de cada apaixonado pelos cromos de futebol.

Em 2014, Hugo Silva decidiu colocar em prática um livro que facilitasse a vida aos colecionadores na hora da organização dos seus espólios, assim nasceu este ‘Por falar em cromos...’. "Já tinha a ideia na cabeça há algum tempo e também umas coisas escritas sobre o assunto. Falei com uma editora mas eles só se interessavam se mudassem algumas coisas e isso fugia ao que idealizei", recorda.

Mais tarde, descobriu na net um livro dedicado ao heavy metal português. "Contactei o autor, o Dico, e ele deu-me indicações fundamentais, o que devia fazer em termos de edição, a gráfica, etc. Disse-me o principal: ‘Faz tu.’ Avancei com a edição, sem patrocínios, apenas 200 exemplares nesta fase. Se for necessário mando imprimir mais mas estou consciente de que é para um nicho de mercado", concluiu, revelando: "A venda está a correr bem, recebi várias encomendas."

Objetos de culto

Hugo Silva tem mais de 350 coleções, a maioria completas. Como qualquer colecionador tem as suas preferências, não necessariamente as mais valiosas em termos monetários.
"As cadernetas mais caras são as de caramelos, quanto mais antiga e em melhor estado de conservação, mais valiosa. Tenho uma de 1934, hoje em dia muito rara porque a produção também era muito reduzida", explicou.

Apesar de ter tantas coleções, Hugo Silva elege uma como a preferida: ‘Ases das Multidões’, da época 78/79 é única. A particularidade de ter um cromo que se cola na horizontal [fotos em cima] torna-a especial. Imagino, depois de imprimirem as cadernetas, alguém na editora reparar: ‘Epá, não cabem na folha.’ A solução foi deitar um jogador."

Outro objeto guardado com carinho é a coleção do Paio Pires. Não é sobre o campeonato, apenas aparecem jogadores e treinadores do clube mas é especial para o colecionador porque um dos cromos é o do próprio Hugo Silva [na pág. anterior].
Miguel Amaro (texto) e Luís M. Neves (fotos

Por Miguel Amaro
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