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Luderitz - O desfiladeiro, a cidade-fantasma e as bebedeiras de caixão à cova

• Foto: Isabel Paramés

Resumidamente: tínhamos passado pelas dunas vermelhas e entrado na Sperrgebiet, a zona diamantífera à qual o acesso público está vedado. Rumávamos a Sul e para Sul continuámos.

Cape Dias e não Diaz, como eles escrevem, foi dobrado por Bartolomeu Dias em 1848, onde chegou com as duas caravelas, a "São Cristóvão" e a "São Pantaleão", com que saíra de Lisboa com o objectivo de chegar ao Oceano Índico através do Atlântico. Fomos lá prestar homenagem ao navegador.

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Deixámos portanto a zona de Tirasberge e rumámos para Sul, pela C 13, em direcção a Luederitz, cidade localizada em plena Sperrgebiet, pela única estrada de acesso, a B 4.

Abro um parêntesis para esclarecer o que é a Sperrgbiet. Traduzido à letra, significa «Área Restrita» e, com efeito, toda a faixa que se estende desde Luederitz até cerca de Oranjemund está vedada ao público desde 1908 por ser uma região onde há minas de diamantes. São várias as cidade-fantasma que por ali se encontram, aglomerados mineiros que vão sendo abandonados à medida que a exploração se esgota, e que podem ser visitados desde que sejam feitas marcações prévias com empresas locais.

Foto: Isabel Paramés
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Luederitz também foi uma cidade que conheceu dias de prosperidade enquanto nos seus arredores os diamantes foram arrancados das entranhas da terra. Hoje, a cidade perdeu a importância de outrora, ficou parada no tempo e tornou-se num porto e centro turístico com algum interesse. Os guias destacam como imprescindível visitar o novo centro comercial, construído frente ao mar, a Felsenkirche (Igreja na Rocha) e os dois museus existentes mas, quiçá por ser época baixa, qualquer destes locais foi completamente desinteressante.

O centro comercial tinha a maior parte das lojas encerradas, apenas dois restaurantes funcionavam, as ruas estavam desertas e o vento forte que soprava tornou a visita ainda mais desagradável. Mas, pronto, para se ir «visitar» Bartolomeu Dias era forçoso passar por Luederitz… Ah! Foi possível comprar peixe…congelado!

Uma curiosidade: em 2013, o nome da cidade foi alterado para Naminues, mas o descontentamento da população por esta mudança foi tão grande que, até hoje, a disputa ainda não teve solução.

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KOLMANSKOP – CIDADE-FANTASMA

Após o almoço, e como ali já nada mais havia de interesse, decidimos ir até ao centro mineiro mais próximo, Kolmanskop e, depois, rumar até Aus. O dia do regresso aproximava-se e havia que «comer» quilómetros até Joanesburgo.

A vila mineira foi definitivamente abandonada em 1954, quando as minas de diamantes esgotaram, mas as edificações (ao bom estilo germânico) ali erguidas pelos mineiros permanecem impecáveis, mantidas pela Namibia-DeBeers e pelas areias do deserto. Por isso são ainda bem visíveis a escola, o hospital, onde foi instalado o primeiro equipamento de Raios X de todo o hemisfério sul, o salão de baile e até – imagine-se! – um casino.

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AUS – ANTIGO CAMPO DE PRISIONEIROS DE GUERRA

A nossa aventura aproximava-se do fim e em breve iriamos despedir-nos da Namíbia e reentrar na África do Sul. Prosseguimos então em direcção a Aus, uma pequena e tranquila cidade «perdida» no deserto. Dela se avistam magníficas montanhas e ali perto, em Garub Pan, podem ser vistos os famosos cavalos selvagens que conseguem sobreviver nas bem difíceis condições do deserto. Existem actualmente uns 200 animais e foi engraçado vê-los, desde um palanque montado à distância (para não perturbar os animais), caminhar, em fila indiana, até uma poça artificial de água. Estes cavalos são incrivelmente resistentes e podem ficar até cinco dias sem beber porque urinam menos que um cavalo doméstico. Quanto ao que comem…foi uma pergunta para a qual não tivemos resposta.

Mas a cidade é sobretudo conhecida por ter sido um campo de prisioneiros de guerra, ali estabelecido pelo exército sul-africano, em 1915, que para lá enviava os soldados germânicos capturados durante a I Guerra Mundial. O campo chegou a ter uns 1500 prisioneiros e apenas foi encerrado em 1919, mas ainda é possível visitar algumas das casernas, construídas em substituição das tendas originais.

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Luderitz - O desfiladeiro, a cidade-fantasma e as bebedeiras de caixão à cova

O SEGUNDO MAIOR DO MUNDO

«Desenjoámos» um pouco das estradas e pistas em terra batida e como também o tempo ia escasseando aproveitámos a C13 que nos levaria a Rosh Pinah, cidade mineira sem interesse especial, mas que nos dava acesso ao parque nacional de Ai-Ais e ao desfiladeiro que a Ana Cunha Vaz tinha sugerido como ponto obrigatório da viagem.

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E em boa hora o fez, pois de facto o Fish River Canyon é digno de se ver e de se perder umas horas a observar a soberba paisagem. Ou mesmo uns dias, 5 mais precisamente, se se quiser caminhar pelo trilho de aproximadamente 88 quilómetros que acompanha o leito do rio desde o parque de estacionamento cerca de Hobas até Ai-Ais. O Pedro Santos, o Rui Ribeiro e o Zé Amaro ainda tentaram mas ficaram-se pela tentativa – medo dos macacos, das cobras ou dos escorpiões? Não, nada disso. Não havia tempo. Pois…

Este desfiladeiro é o maior de África e o segundo maior do Mundo, apenas superado pelo Grande Canyon, nos USA. Prolonga-se por uns 160 km, tem uma largura de uns 27 e em determinados pontos a profundidade atinge os 550 metros. Curiosamente, parte (uns 90 km) desta maravilha da natureza é…propriedade privada.

O MACACO FELIZ…

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Perdido ali um bom bocado (e não se perdeu mais pois tínhamos como regra não conduzir à noite), voltámos ao estradão e apontámos como ponto de paragem a pequena vila de Karasburg e concretamente o Kleinbegin Kampsite, onde registaríamos um dos episódios mais engraçados e que ficou memorável.

Na zona existem inúmeras quintas que se dedicam sobretudo à criação de gado ovino e, em algumas, como «complemento» os donos instalaram campings com condições minimamente aceitáveis. Neste, por exemplo, para termos água quente teve de ser aceso lume por baixo de uma caldeira… Foi engraçado.

Mas o mais engraçado foram as tropelias feitas pelo macaco Felis mascote do dono da quinta, que enquanto não foi corrido à pedrada por um dos empregados saltou por e para cima de tudo quanto se mexia ou não. Novito, com pouco mais de um ano, brincalhão e curioso, o Felis foi um «must» da viagem que nos possibilitou momentos de boa disposição e algumas gargalhadas.

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…E O CÚMULO DA MACACADA

O dia do regresso aproximava-se e Joanesburgo era…já ali. Por isso, apontámos para a fronteira de Nakop, que se cruzou mais uma vez sem nenhuma complicação. Estávamos, como disse, nos «finalmentes» desta nossa aventura, pois daqui em diante pouco havia para ver e visitar, a não ser Joanesburgo. Engano nosso... ainda teríamos história para contar…

Alojámo-nos no Boereplass Camping, local nos arredores de Vryburg, que oferece também bungalows, pequenos apartamentos e zonas comuns para a organização de festas. É por isso um local muito frequentado por famílias sul-africanas, que ali se juntam ao fim de semana para se divertirem e especialmente apanharem bebedeiras monumentais. Como era o caso…

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O salão estava repleto e a música em altos berros prolongou-se até horas (in)aceitáveis. Eles e elas deixaram de saber onde deviam ir vomitar, as casas de banho passaram a ser mistas e até houve quem tivesse o desplante de ir espreitar quem estava a tomar banho. O «sorry! sorry!» que ia balbuciando enquanto cambaleava foi o que lhe valeu e evitou sair dali «amarrotado».

E a festa só acabou porque, entretanto, se levantou uma daquelas tempestades africanas que até metem medo e porque acreditamos que os «depósitos» dos foliões não deviam levar mais.

Mesmo assim, não foi fácil adormecer. O ribombar dos trovões quase fazia crer que o «céu se iria abater» sobre as nossas cabeças; o vento abanava as tendas deixando-nos na dúvida: será que ainda vão «levantar vôo?»; os relâmpagos iluminavam a noite e os raios caiam mesmo ali ao lado. O temporal foi tão violento quanto a festa e, por isso, de manhã, em vez de água nas torneiras o que havia era centenas de garrafas espalhadas pelas mesas. Nenhuma cheia e nenhuma de água!

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Seguimos viagem. O próximo e derradeiro capítulo será em Joanesburgo.

Por Eládio Paramés
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