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A depressão Kristin, que devastou o centro do país, provocou uma destruição inédita na rede elétrica de muito alta tensão, com a queda de mais de 60 torres e cerca de 650 quilómetros de linhas inoperacionais em poucas horas, revelou o presidente da REN, Rodrigo Costa. Apesar da dimensão dos danos físicos, o responsável garante que o abastecimento não foi interrompido por falhas na rede de transporte, graças à redundância do sistema elétrico nacional.
"Num espaço de três ou quatro horas caíram-nos mais de 60 torres, algumas com 70 e 80 metros de altura, ficando 650 quilómetros de linhas inoperacionais", afirmou Rodrigo Costa, classificando o impacto como "brutal". Segundo o gestor, a arquitetura da rede permitiu desviar a energia por percursos alternativos, assegurando o fornecimento às subestações da E-Redes, mesmo nas zonas mais afetadas, como Leiria.
O gestor falava em Leiria durante uma visita ao terreno, onde decorrem trabalhos de recuperação da infraestrutura elétrica mais afetada pela tempestade, ao lado da Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, e do presidente do conselho de administração da E-Redes, José Ferrari Careto.
A recuperação das infraestruturas de transporte será, contudo, prolongada. "Estamos a falar de trabalhos que vão durar dois a três meses", disse o presidente da REN, detalhando uma operação no terreno que envolve cerca de 250 pessoas e 50 equipamentos pesados apenas na região de Leiria, entre gruas, guindastes e camiões. As condições do terreno e a chuva têm dificultado o avanço dos trabalhos, criando riscos adicionais de segurança.
Ainda assim, Rodrigo Costa rejeita problemas de meios. "Não é falta de mão-de-obra nem de equipamentos. O desafio é a escala e a complexidade da intervenção", sublinhou, reconhecendo a pressão social associada aos cortes. "Para quem está sem eletricidade, uma hora é sempre uma hora a mais."
A E-Redes registava às 12:00 horas desta quarta-feira 83 mil clientes ainda sem fornecimento de eletricidade, na sequência das avarias provocadas pela passagem desta tempestade devastadora, adiantando que nas zonas mais críticas, as interrupções totalizam 81 mil clientes, com o distrito de Leiria a concentrar o maior impacto, somando 59 mil clientes sem energia. Seguem-se Santarém, com 14 mil clientes, Castelo Branco, com 5 mil, e Coimbra, onde 3 mil clientes permanecem sem eletricidade.
A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, classificou a situação como um fenómeno sem paralelo histórico. "Desde que há registos em Portugal, nunca tivemos um evento desta severidade, sobretudo ao nível da velocidade do vento", afirmou, explicando que, em algumas zonas, "o sistema elétrico ficou praticamente destruído".
A governante justificou que a reposição do serviço tem de seguir a hierarquia técnica da rede — da muito alta tensão à baixa tensão — o que limita a rapidez da resposta, sobretudo em territórios com elevada dispersão populacional. Destacou ainda o recurso a geração de emergência, com cerca de 300 geradores instalados e mais 200 disponíveis, alertando para a logística exigente desta solução.
"O que estamos a fazer não é uma reparação pontual, é uma reconstrução", afirmou a ministra do Ambiente e Energia.
O presidente do conselho de administração da E-Redes, José Ferrari Careto, afirmou que o objetivo da empresa é repor o fornecimento de eletricidade em todo o território até ao final do mês, embora sem assumir garantias absolutas. “Desejo que até ao final do mês esteja reposta a energia na totalidade do território", disse Ferrari Careto, embora não consiga dar garantias. "Não consigo dar garantias, mas espero que isso aconteça", afirmou.
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