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Três mortes em menos de 48 horas por falta de socorro deixam INEM debaixo de fogo

INEM debaixo de fogo

Três pessoas morreram nas últimas 48 horas enquanto esperavam por meios de socorro, deixando em alvoroço o INEM, os bombeiros e as autoridades de saúde, que abrem inquéritos sem no entanto conseguirem evitar a sucessão de casos.

Ontem soube-se de um homem de 78 anos que morreu no Seixal, terça-feira, depois de esperar quase três horas pelo INEM. O Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar admitiu que o novo sistema de triagem possa ter influenciado o desfecho mas, apesar das críticas, o presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), Luís Mendes Cabral, defendeu o novo sistema, justificando que “não havia ambulâncias disponíveis” apesar de o INEM ter os meios necessários: “Temos o número de ambulâncias necessárias, o que precisamos é que estejam disponíveis”.  

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“O INEM fez o seu trabalho”, garantiu Luís Mendes Cabral aos jornalistas, que ainda assim acabou por admitir que “não é admissível que uma situação urgente esteja mais do que 60 minutos à espera”.

O INEM abriu uma auditoria interna, a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde e o Ministério Público instauraram inquéritos para apurar o que realmente aconteceu.

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Os bombeiros, entretanto, dizem que não têm conhecimento do novo sistema de triagem, e queixam-se da falta de macas. Ficam retidas nos hospitais e sem elas as ambulâncias não podem circular. 

Menos de 24 horas depois, surgem mais dois novos casos: uma mulher morreu em Sesimbra depois de esperar 40 minutos por socorro e de ter sido acionada uma ambulância de Carcavelos, que demorou cerca de 40 minutos a chegar ao local. "Em situações de PCR, cada minuto é determinante - por cada minuto que passa sem manobras de reanimação, a vítima perde cerca de 10% de hipóteses de sobrevivência", explica a corporação do concelho de Cascais numa publicação nas redes sociais.

Pouco depois soube-se de outro caso, em Tavira, no Algarve, ocorrido durante o dia de ontem. Um homem de 68 anos morreu depois de estar mais de uma hora a aguardar por socorro. A vítima sentiu-se mal ao final da tarde de quarta-feira, depois de ter ido à farmácia e ter consumido um xarope. Foi inicialmente classificada como prioridade 2 (resposta em 18 minutos), às 18h07, passando a P1 (resposta imediata) aquando da terceira chamada dos familiares, que aconteceu pelas 18h47, informando que o homem já estava em paragem cardiorrespiratória. A primeira ambulância foi acionada pelas 18h42.

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Por Sábado
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