APAF pede "bom senso" e responsabilizam associações por realização de jogos sob temporal

José Borges defende que a segurança dos atletas deve estar acima de tudo

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José Borges, presidente da APAF
José Borges, presidente da APAF • Foto: Paulo Calado

O presidente Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF), José Borges, defendeu esta 4.ª feira que a segurança dos atletas deve estar acima de tudo, responsabilizando as associações distritais pela realização de jogos em situações de alerta meteorológico.

"O princípio geral é sempre que o jogo se realize, mas sempre em condições que não ponham em causa nem em risco os jogadores, atletas e espetadores", afirmou, em declarações à Lusa, o presidente da APAF, sublinhando que cabe às associações distritais cancelar jogos em situações de alerta meteorológico

José Borges reagia aos incidentes registados no último sábado, em que vários jogos de camadas jovens e seniores decorreram sob condições climatéricas adversas.

Em causa estão relatos de atletas com quadros de hipotermia e balizas instáveis devido a ventos fortes, nomeadamente na região Norte e no distrito de Aveiro, que se encontrava sob aviso laranja.

"Claro, há assuntos que são preocupantes. Não é isso que se quer para o futebol, nem para o desporto, de forma alguma", frisou.

O dirigente rejeitou colocar toda a responsabilidade nos árbitros, lembrando que estes estão sujeitos a um regulamento específico e a sanções próprias em caso de incumprimento.

Segundo o presidente da APAF, embora o árbitro seja o "expoente máximo" em campo, os regulamentos atuais são "muito curtos" e focados em critérios objetivos, como a circulação da bola ou a visibilidade das balizas.

"Não podemos passar só a responsabilidade para os árbitros", advertiu.

José Borges foi categórico ao atribuir a primeira responsabilidade às entidades organizadoras: "Cabe à associação, se havia esse alerta laranja ou se havia indícios de que não estavam as condições todas reunidas, deveriam ter eles próprios dito que aqueles jogos eram cancelados".

Borges admitiu, contudo, a necessidade de orientações superiores para a gestão de risco: "Essas decisões têm de partir dos conselhos de arbitragem distritais ou nacionais. Os árbitros são sempre o rosto e a nossa obrigação é estar na defesa dos direitos e da proteção do jogo".

Para o dirigente não pode haver impunidade de nenhuma das partes - atletas, jogadores, treinadores, árbitros e organização - , defendendo que "ninguém está acima daquilo que são as leis e daquilo que é o bem-estar de todos".

No passado sábado, a passagem de uma frente de mau tempo fustigou várias regiões do país, provocando a interrupção de campeonatos em zonas como Leiria, Lisboa ou Setúbal.

No entanto, noutros distritos, a realização das partidas gerou críticas de pais e clubes desportivos.

O caso mais grave ocorreu no escalão sénior feminino, onde .

Paralelamente, em torneios de formação (Liga AF Porto Carlos Alberto), houve registo de equipas dos escalões de sub-8 e sub-9 que se recusaram a entrar em campo para salvaguardar a integridade física de crianças com sete, oito e nove anos.

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