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PJ detém Pimenta Machado por três alegados crimes

Pimenta Machado, presidente do Vitória de Guimarães há 22 anos, foi ontem detido por uma brigada da Polícia Judiciária de Lisboa numa das suas residências, mais concretamente naquela que possui na Costa de Caparica, nos arredores de Lisboa. A detenção ocorreu cerca das 16.45 horas e o líder vimaranense foi imediatamente conduzido às instalações da PJ na Gomes Freire, sob a alegação de três possíveis crimes: peculato, falsificação de documentos e braqueamento de capitais.

A origem do processo remonta à transferência do jogador Fernando Meira, de Guimarães para o Benfica, no tempo em que Vale e Azevedo era presidente dos encarnados. Para fechar o negócio, segundo revelam as contas do clube lisboeta, o Benfica pagou 800 mil contos [cerca de quatro milhões de euros], mas, há cerca de um ano, um sócio vimaranense (Domingos Miranda), em assembleia geral, alertou que o valor inscrito no relatório e contas do alvi-negros não era igual – apenas de 710 mil contos –, frisando que uma "comissão" de 90 mil contos estava por comprovar.

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Em consequência, a Judiciária entrou em acção e, segundo Record apurou, terá chegado à conclusão que Pimenta Machado — que nessa AG acabou por assumir a existência de um "saco azul", posteriormente regularizado – pode ter cometido os crimes acima citados, apesar de o peculato (apropriação indevida de dinheiro) ser aplicado apenas a funcionários de instituições com utilidade pública, podendo, ao que parece, os dirigentes dos clubes ser abrangidos por esta lei.

Paraíso fiscal

Os 90 mil contos da referida comissão foram, alegadamente, para pagar a um tal Marcelo Santos, residente nos arredores do Porto, um cidadão desconhecido, pois a PJ não lhe encontra o rasto. E a verba em questão foi há muito depositada, neste preciso nome, num banco da cidade Alofi, capital da ilha de Niue, um "paraíso fiscal" pouco conhecido do público, situado no Pacífico Sul, ao lado da conhecida Ilha de Páscoa, onde a população é maioritariamente polinésia e a moeda é o dólar neozelandês.

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Hoje, no TIC, juíza Mata Mouros ouve Pimenta

Pimenta Machado passou a noite na Gomes Freire, instalado numa cela um piso abaixo de Vale e Azevedo, e só hoje será conduzido ao TIC (Tribunal de Instrução Criminal) para ser ouvido pela juíza Fátima Mata Mouros. Talvez à noite já se saiba qual a decisão, se o líder vimaranense sairá sob o pagamento de caução ou se lhe é feita a acusação.

Fernando Meira

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"Só soube da notícia após ser contactado por Record e, para já, peço desculpa por não fazer qualquer declaração sobre o assunto, pois gostaria de conhecer mais pormenores."

Cândido Gouveia

"A detenção não me merece qualquer comentário. A ilegalidade, a ter existido, foi depois da transferência, após o V. Guimarães ter recebido o dinheiro do Benfica."

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Gilberto Madaíl

"Estou estupefacto!... Fico profundamente chocado e a minha primeira reacção é de não querer acreditar nisso, que se trata de algum mal-entendido. Vou esperar para ver."

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