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O aperto financeiro que assolou a União Desportiva Vilafranquense teve repercussões e desde 2004/05 a 2006/07, o clube consumou três descidas de escalão consecutivas...
Há já quem lhe tenha chamado um clube-ponte mas a história do Vilafranquense vai bem além disso e está marcada por altos e baixos, sendo que a ideia é que a "fénix" parece ter acordado de novo para os lados do Ribatejo. Começando pelo princípio, a União Desportiva Vilafranquense nasce em 1957 fruto da junção de quatro emblemas: Águia Vilafranquense, Operário, Ginásio e Hóquei. O clube começa dos escalões distritais e vai subindo a pouco e pouco até que em 1987/88 joga pela primeira vez na Segunda Divisão B, o escalão máximo em que mostrou o seu futebol até hoje.
Uma época volvida, já na Terceira Divisão, a equipa que veste de vermelho com a uma lista branca estreava-se a jogar com o FC Porto mas num cenário bem diferente daquele que irá fazer no sábado, diante do Sporting. O Vilafranquense não era uma Sociedade Anónima Desportiva como agora e muito menos era gerido por uma empresa como hoje acontece com a Eurofoot. Até ao reerguer do clube o caminho foi sinuoso e com momentos em que a instabilidade diretiva primava por falta de soluções para liderar um clube eclético mas com inúmeros problemas financeiros. A época de 2004/05 marca uma viragem para pior, incluindo três descidas consecutivas de divisão até cair na 1.ª Divisão do campeonato distrital da Associação de Futebol de Lisboa.
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"Saiu praticamente a equipa toda, ficando apenas o capitão e foram buscar jogadores que estavam na distrital. Foram por aí abaixo. É complicado, sem dinheiro, ter jogadores. O que falhou no Vilafranquense foi o dinheiro. Tiveram de se contentar com jogadores das distritais", recorda a Record, com pena, Hugo Félix, guarda-redes formado nos ribatejanos e que alinhou no clube até 2004.
Cláudio Casquinha também esteve nos últimos de felicidade desportiva do emblema do Cevadeiro depois de, curiosamente, ter sido campeão de iniciados pelo Sporting. O antigo avançado e capitão recorda os momentos complicados da sua última temporada no clube (2003/04) em que o treinador Rui Vitória, a viver a primeira experiência num banco, foi o timoneiro certo para salvar um barco em chamas até onde foi possível. "Só um colega como ele e uma pessoa como ele que já conhecíamos e com quem tínhamos confiança, é que as coisas puderam correr como correram [bem]. Havia colegas que eram profissionais mas já havia casos em que até davamos bens de primeira necessidade uns aos outros. Foi um ano complicado e mesmo assim tivemos um grande espírito, o que nos ajudou a ter um ano tranquilo e ir longe na Taça", aponta.
Antas como inspiração
"Uma inspiração para os miúdos de agora". Tanto Hugo Félix como Cláudio Casquinha não têm dúvidas que a passagem do Vilafranquense pelo estádio do FC Porto em 2003/04 pode deixar um legado pela forma como jogo foi encarado. "Foi um dia especial", lembrou a Record o antigo avançado, descrevendo uma jornada de "muito orgulho". "Fomos ficar a São João da Madeira e logo aí foi um repórter connosco na camioneta a fazer uma reportagem. Foi algo a que não estávamos habituados. Um jogador de futebol é extrovertido e rapidamente começámos a brincar com a situação. Claro que depois soubemos perceber a situação e ser jogadores a sério e do dia a dia de jogador profissional. Deixou-nos orgulhosos"
Por outro lado, Hugo Félix recorda o outro lado da terceira eliminatória da Taça de Portugal da daquela temporada. Para isso é preciso recuar um pouco no tempo e informar que o Vilafranquense marcou encontro com o FC Porto face à derrota do Felgueiras "na secretaria". O clube duriense até bateu os ribatejanos na segunda ronda (3-0) mas a incorreta inscrição do treinador Diamantino Miranda na ficha de jogo determinou a derrota fora das quatro linhas. "Lembro-me bem. Íamos treinar e dizíamos que era brincadeira, que não era verdade. Quando nos apercebemos que era verdade ficámos realmente satisfeitos", documenta Hugo, lembrando o sonho de jogar num dos maiores palcos do futebol nacional e o aparato mediático incomum.
"Era o Estádio das Antas na altura e todos queriam lá jogar, ainda por cima diante de uma equipa que iria ser campeã europeia - mas não sabíamos - e já tinha ganho a Taça UEFA. É só para quem lá esteve e viveu. Viajámos no dia antes à tarde, ficámos no hotel e à porta existiam vários jornalistas à nossa espera e aí percebemos o que era jogar contra um grande. Ficámos a perceber um bocadinho do que era jogar contra um grande. O Vilafranquense jogar contra o FC Porto… começando pelo mediatismo de nos ver porque não era normal os media darem cobertura".
Após o 4-0 construído com golos de Carlos Alberto (2), Sérgio Conceição e Marco Ferreira, Rui Vitória relevou "a experiência enriquecedora" para os seus jogadores ainda que levando uma goleada consentida na bagagem. Antes do jogo, o agora treinador do Benfica ambicionava um Vilafranquense a "defender bem" para tentar uma surpresa e é isso que Hugo recorda para lançar o jogo de sábado com o Sporting.
"Já na altura lembro-me das palavras do Rui Vitória, quando falou aos jornalistas. Apesar de não sermos profissionais à época, [ele diria que] a única equipa que pode ganhar ao Sporting é o Vilafranquense. Eles é que vão jogar e eles é que terão a oportunidade. Claro que vai ser muito difícil porque mesmo dando tudo é muito complicado. A diferença tática das duas equipas é enorme", finalizou, dando votos para que o "tomba-gigantes" seja mesmo o seu Vilafranquense. "Claro que vou torcer pelo Vilafranquense, frente ao Sporting ainda por cima… (risos)".
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