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Os últimos anos de carreira de João Capela como árbitro coincidiram com os primeiros do VAR no contexto do futebol europeu e mundial. "No início eu era um bocado resistente à introdução do VAR, porque no início achava que estaríamos mais expostos ao erro. Hoje tenho uma ideia completamente diferente e essa ideia foi mudando ao longo da carreira quando era árbitro e VAR", afirmou o atual VAR manager do campeonato grego, em declarações a Record.
Lembrou que "as zonas cinzentas existirão sempre, pois a adaptação é gradual e o VAR surgiu apenas há sete anos, o que não é muita coisa". E manifestou a sua preocupação com aquele que já se tornou num grande desafio da evolução do VAR, de forma generalizada: a dependência dos árbitros dessa ferramenta de apoio. "Neste momento, nas provas onde há VAR, as equipas têm menos resistência a aceitar decisões da equipa de arbitragem, por estarem habituados ao processo de VAR e a que haja alguém com uma segunda opinião, e se forem a provas sem VAR têm mais dificuldade em aceitar o erro do árbitro. Se eu perco a minha estrutura, ou fundações da arbitragem que é o trabalho de equipa, contacto visual, tu vais retirar o que é o trabalho e as estratégias para alcançar as melhores decisões em campo, porque vais começar a ficar muito dependente do VAR", continuou.
Estarão, então, os árbitros a tornar-se dependentes do VAR e a sentir dificuldades também a atuar em provas sem esse apoio? "Claro que sim, está a acontecer claramente, é óbvio. Faz parte do processo e não se extingue isso do processo. O árbitro faz jogos sem VAR até chegar às competições profissionais. Quando têm jogos com VAR, a tendência é tentar a ajuda de quem tem mais condições para ajudar, o que começa a ser um erro", sublinhou João Capela.
"Os primeiros VAR do árbitro, e foco muito isso aqui, são os dois assistentes e o 4.º árbitro em campo. Têm de continuar a trabalhar em equipa no campo, continuar a poder desenvolver estratégias para chegar à decisão final. As equipas de futebol com mais sucesso são as que trabalham melhor em equipa. Costumamos dizer aqui: arbitrem o jogo sem pensar no VAR, mas em alguns momentos lembrem-se que o têm. Deve ser esta a perspetiva. O VAR não faz a gestão emocional do jogo", apontou.
"Os jogadores e treinadores sentem quando o árbitro está dependente do VAR e não toma as decisões ou tem receio de tomar decisões e isto faz perder credibilidade e autoridade. Imaginemos no futuro não precisarmos de árbitro no campo, tendo apenas um a ver imagens e de vez em quando pára para um penálti. É o futebol que queremos? Não é", focou João Capela.
"As decisões têm de ser corretas no campo, há que minimizar as intervenções do VAR, cujo princípio é intervir nas situações de erro claro e óbvio. O VAR analisa evidências, imagens, tem de saber analisar imagens e escolher câmaras. Situações cinzentas vão existir sempre, mas o princípio da existência do VAR não é para situações cinzentas, mas sim para situações claras e óbvias", explicou Capela, uma das presenças confirmadas no 'Thinking Football', no final da próxima semana (18 a 20 de novembro), na cidade do Porto.
Por André GonçalvesLíder da Liga Portugal garante que em breve se pronuncia sobre o futuro próprio
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