Os mais velhos (e mais interessados no futebol internacional) lembram-se certamente de Harald Brattbakk. Este antigo avançado, agora com 44 anos, passou por clubes como Rosenborg (onde defrontou o FC Porto na Champions), Celtic e FC Copenhaga, sempre com instinto matador e uma frieza típica dos noruegueses.
Agora, numa altura em que os campos de futebol são já uma miragem, Brattbakk é… piloto de aviões. De resto, o craque nascido em Trondheim já tinha deixado o aviso, logo na altura de arrumar as botas.
“Coloco ponto final na minha carreira como futebolista e agora quero seguir com outra paixão – ser piloto de aviões”, revelou no dia 21 de novembro de 2006, na conferência de imprensa em que anunciou o adeus ao futebol.
A verdade é que treinou nos Estados Unidos, na Phoenix East Aviation, e conseguiu licença em 2008, tornando-se piloto da Helitrans. De 2010 até hoje está ao serviço da Norwegian Air Shuttle.
“Na escola secundária queria ser advogado. Gostava de futebol mas nunca acreditei que podia ter uma carreira a dar chutos na bola. E muito menos esperava ganhar a vida a pilotar aviões, mas depois de terminar carreira ainda tentei regressar aos estudos de Direito mas não consegui conciliar com o meu segundo filho. E foi então que o hobby dos aviões passou a ser profissão”, revela em entrevista ao site oficial da FIFA.
Com o nome inscrito na galeria dos imortais do futebol norueguês, depois se se tornar no melhor marcador de sempre da liga daquele país, com 166 golos, Brattbakk admite que ser piloto acarreta mais responsabilidades do que ser avançado…
“É muito mais difícil do que ser futebolista. Trabalhamos muito ao nível físico como futebolistas, mas os dias são curtos. Agora não é bem assim. Aliás, estou muito mais tempo fora de casa por causa das escalas de voo do que quando estava em estágio. Contudo, posso ver o nascer do Sol, passear por cima das nuvens e como viajo muito na Noruega, posso sempre passar por cima do estádio do Rosenborg e relembrar os golos que ali marquei”, destaca.
A relação com o Rosenborg é forte, mas aquela que tem com o Celtic não fica atrás. Brattbakk foi autor do golo que permitiu à formação escocesa bater o rival Rangers e colocar ponto final na série de 10 triunfos dos protestantes no “Old Firm”. É, por isso, um herói no Celtic Park, onde gosta de regressar de vez em quando.
“Levei os meus filhos ao jogo da Champions entre Celtic e Barcelona. E o Celtic ganhou… Fiquei louco. Eles adoraram e, nesse momento, admito que pensei que nunca rejeitarei um regresso ao futebol como treinador, nem que seja das camadas jovens. Mas por agora estou sempre concentrado nos comandos dos aviões”, remata.