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Adeptos, jornalistas e até ministros vieram a público comentar a derrota com a Bósnia
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Uma hecatombe nacional: assim se resumem, no menor número de caracteres possível, as reações à eliminação de Itália às mãos da Bósnia e Herzegovina no playoff de acesso ao Mundial'2026. A tetracampeã do mundo vai falhar o seu terceiro Mundial consecutivo, algo inédito para uma seleção tão titulada. No rescaldo de mais uma eliminação, o clamor em Itália vai desde críticas à exibição da equipa nacional a pedidos de mudança profunda na estrutura do futebol do país. Além-fronteiras, um sentimento sobrepõe-se: incredulidade por estarmos à porta de mais um Mundial sem a squadra azurra presente.
O desportivo 'Corriere dello Sport' descreve a situação como um autêntico “psicodrama”, numa compilação de reações nas redes sociais ao jogo em Zenica, que terminou com a vitória da Bósnia nas grandes penalidades.
Algumas reações recorrem ao humor para criticar a exibição da equipa e recordar o seu estatuto de favorita face aos bósnios. "Só de imaginar a nossa equipa a jogar com a Argentina, a Espanha, o Brasil... é melhor ir embora" lê-se numa das muitas reações nas redes sociais.
Num registo mais sério, a 'Gazzetta dello Sport' fala num “terceiro Apocalipse, o pior de todos”, ao mesmo tempo que afirma que a ausência da azurra do maior palco do futebol mundial se está a “tornar normal”. “Perdeu a sensação de choque, de imprevisível, de catástrofe”, escreve; ao mesmo tempo, olha para 2030 e para a próxima oportunidade de qualificação da Itália para constatar que “pela primeira vez, haverá jovens a atingir a maioridade sem nunca terem visto a Itália num Mundial”.
“Como é que a Itália acabou assim?” questiona o generalista 'Corriere della Sera'. “É quase impossível compreender como e quando começou este louco declínio do futebol italiano”, escreve o jornal, que não deixa de apontar o dedo ao selecionador Gennaro Gattuso. “Só teve 8 jogos, mas deviam ter sido suficientes para vencer a Bósnia”.
No entanto, na seleção nacional, um nome emerge na imprensa italiana como o principal ‘vilão’ desta eliminação: Alessandro Bastoni, o central do Inter que foi expulso ainda na primeira parte – e que já estava há semanas debaixo de fogo no país pela sua controversa simulação que resultou na expulsão de Pierre Kalulu no clássico entre Inter e Juventus para a Série A, que os nerazurri venceriam por 3-2.
“O 2026 de Bastoni é um desastre”, escreve a 'Gazzetta'. “[O cartão vermelho] é um erro que só vai alimentar o debate sobre a sua forma recente e força emocional em momentos de pressão máxima”, acrescenta.
Já o 'Tuttosport' preferiu abrir o ângulo de análise, analisando esta terça-feira o “poço sem fundo” em que a azurra parece ter caído, e questionando o que será preciso para fazer “uma revolução” na federação italiana. “As areias movediças têm engolido o futebol italiano durante anos. Presidentes, diretores federativos e treinadores têm cometido erros, alguns mais do que outros. Mas certamente não são os únicos responsáveis pelo terceiro Mundial consecutivo sem Itália”, pode ler-se.
Com efeito, o principal alvo na mira da imprensa italiana parece ser Gabriele Gravina, o presidente da federação nacional. “De que estás à espera Gravina?” escreve ainda o 'Tuttosport', apelando à demissão do responsável máximo pelo futebol italiano.
Um apelo acompanhado até pelo poder político, na figura de Andrea Abodi, ministro do Desporto italiano: “Agradeço à equipa e ao treinador pelo empenho que demonstraram, mas é claro para todos que o futebol italiano precisa de ser reconstruído, a começar pela direção da federação”. Resta saber quando se começará a reerguer o futebol italiano.
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