O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andriy Sybiga, classificou esta quinta-feira como vergonha para o Comité Olímpico Internacional (COI) a desclassificação do atleta ucraniano de skeleton dos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina devido ao capacete que homenageia mortos da guerra.
"O COI não apenas desqualificou o atleta ucraniano, como também manchou a sua própria reputação. As gerações futuras vão-se lembrar deste momento como vergonhoso", escreveu Sybiga nas redes sociais.
O atleta Vladyslav Heraskevych foi hoje banido da competição por recusar usar outra peça de equipamento de proteção que não aquela que honrava atletas e treinadores vitimados durante a ofensiva e invasão russa.
A presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), Kirsty Coventry, reuniu-se com Heraskevych, cerca de uma hora antes do início da prova, já no topo da pista da modalidade sobre o gelo, mas sem sucesso no seu pedido para fosse usado um capacete neutral.
"É difícil dizer ou usar palavras. É um vazio", afirmou o atleta, enquanto esperava pelo recurso da decisão para a Federação Internacional de Bobsled e Skeleton, acrescentando que iria também apelar ao Tribunal Arbitral do Desporto (CAS).
Heraskevych queixou-se de ser vítima de discriminação porque "muitos atletas já se tinham expressado a si próprios e não enfrentaram as mesmas coisas e, de repente, só o atleta ucraniano destes Jogos vai ser desqualificado por causa do capacete".
O capacete em causa tem pintadas as caras de mais de 20 atletas e treinadores ucranianos que morreram durante o conflito com a Federação Russa, desde 24 de fevereiro de 2022.
O COI tinha anunciado que aquela peça de equipamento não seria permitida, justificando-o com a regra que proíbe posicionamentos ou declarações de teor politico nas competições olímpicas.
Para Heraskevych, o capacete "não viola qualquer regra do COI", instituição que já tinha repreendido o mesmo atleta nos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim2022 por empunhar um cartaz com uma frase que pedia o fim da guerra na Ucrânia, tendo a instituição que superintende os certames olímpicos concluído depois tratar-se apenas de um apelo à Paz.
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