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No seu primeiro encontro num Major, Matilde Jorge estreou-se em Roland Garros logo a ganhar, oferecendo ao ténis feminino português a primeira vitória num qualifying de um Slam desde que Michelle Brito jogou o seu último Slam, em Wimbledon 2017.
A vimaranense, 251.ª WTA, derrotou a norte-americana Elvina Kalieva (135.ª) por 7-6(4) e 7-5, em 2h12.
No final do encontro falou ao nosso jornal
Record: Que balanço se pode fazer deste encontro?
Matilde Jorge - Estou bastante feliz. Senti que estava
bastante motivada para jogar este primeiro Grand Slam. Acho que fiz uma boa
prestação. Eestive sempre com um bom nível do início ao fim. Ali no
5-0, senti que foi também mérito da adversária quando tive a oportunidade para
fechar. Acho que ali a
partir, se calhar, do 5-3, a bola não estava a fazer tanto dano, digamos assim.
Mas consegui me manter no jogo. Tentei continuar à procura do que
estava a fazer bem, do que estava a funcionar no resto do jogo, porque sabia
que era por aí o caminho. Estou bastante feliz com a minha vitória. Agora é
descansar o máximo possível para, na quarta-feira, estar outra vez a fundo.
Record - Como é que foram esses momentos em que esteve na frente, e a sua adversária
conseguiu sempre manter-se no encontro? Onde a Matilde foi buscar aquele extra
para conseguir fechar?
Matilde Jorge - Sim, eu acho que estive a jogar a um bom nível tanto no primeiro como no
segundo set. As adversárias também jogam muito bem. Elas conseguem, mesmo eu
estando a jogar bem, jogar bem e nivelar. Eu tentei manter-me sempre ali
presente no jogo, a tentar dar o meu máximo. Acho que mereci também por isso,
porque me mantive sempre à procura, sempre durante todo o jogo e todos os
pontos. Acho que recebi esse prémio da vitória por causa disso.
Record - Houve ali um momento de dúvida? Quando ela empatou a 5-5, a Matilde gritou, foi
isso também que, de uma maneira, a libertou?
Matilde Jorge - Senti que estava a precisar de me libertar de uma maneira. Atirar a raquete ou
atirar a bola para fora do campo, podia levar multa e não era uma coisa que eu
queria. Por isso, (esse grito) foi uma maneira de eu conseguir libertar alguma
frustração e conseguir, de novo, voltar ao jogo.
Record - Mas consegue explicar aquele momento em que está 5-0, depois a norte-americana
consegue chegar ao 5-5. Há uma explicação ou não?
Matilde Jorge - Eu sinto que ali no 5-3, fui eu que perdi um bocado de qualidade de bola. Mas
até ao 5-3, no segundo set, eu acho que foi mérito dela. Estava a
jogar bem, mas ela meio que se soltou e estava a jogar bem. Eu não estava a
fazer nada diferente. Então eu não estava a conseguir criar tanta dificuldade à
outra. E fiquei ali, se calhar, a pensar tipo: o que é que eu tenho de mudar,
se tenho de mudar ou não. Mas a verdade é que eu não tinha de mudar. Acho que
foi só perder um bocadinho de intensidade de pernas ou de energia. E fui tentar
buscar isso de volta.
Record - Como é que foram as sensações, pela primeira vez aqui em Roland-Garros, com
frio, chuva e público barulhento?
Matilde Jorge - Eu nunca tinha jogado aqui e nunca tinha vindo cá mesmo para ver, porque sempre
disse a mim própria que a primeira vez que eu queria vir era para jogar. Eu já
sabia porque ao ver os outros jogos dos outros portugueses, nos anos
anteriores, sabia o ambiente que podia ser. E, mesmo, enquanto estava à espera
para jogar, eu percebia o ambiente que podia acontecer. Mas tentei mesmo
focar-me, tentei abstrair-me. Às vezes, não é fácil. Eu conseguia ouvir tudo,
mas era estar concentrada no jogo. Acho que estive bem nisso, de conseguir
abstrair-me de tudo o que estava a passar à volta e estar focada no jogo.
Record - Agora é a Mary Stoiana na próxima ronda. Como é que podemos antever esse
encontro?
Matilde Jorge - Por acaso não a conheço. Eu soube há bocado que ia jogar contra ela. Não faço
ideia quem é, mas sei que é mais uma adversária bastante dura, bastante
competente. Vou amanhã treinar e também estudar sobre a adversária para me
preparar o melhor possível para quarta-feira.
Record - O objetivo é o quadro principal ou não se coloca essa meta?
Eu vim para aqui, nunca joguei, então estou muito no jogo a jogo, mas acredito
que estou no nível que todas estas jogadoras estão. Acredito que também mereço
e tenho nível para estar aqui a competir contra qualquer uma, mas não tenho o
objetivo de quadro principal, mas o objetivo de ganhar a próxima ronda. Por
isso é jogo a jogo.