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Segunda-feira (9 de julho)

Já ninguém questiona o grau de importância para a saúde que é atribuído à prática de exercício físico de moderada intensidade quando aliada a uma dieta equilibrada e individualizada. Quando estes dois fatores estão associados a repouso e hidratação adequados, os quatro pilares essenciais de qualquer projeto que envolva melhoria da saúde são obtidos, não apenas no nível individual, mas também a nível coletivo.

Quando falamos treino, podem considerar-se dois extremos: o sedentário que é rotineiramente inativo e, por outro lado, o atleta de alto rendimento, que está sempre na procura permanente e constante de chegar ao seu próprio limite, tentando o melhor e mais específico desempenho na sua modalidade.

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Sem o devido cuidado, a nenhum deles pode ser atribuído um bom estado de saúde, porque o grau de esforço físico ao qual o atleta se impõe é muito alto e pode, sim, ser muito prejudicial para o seu corpo.

Existem várias questões que podem interferir na saúde: o ambiente (através da ação de poluição, stress físico e mental), fatores genéticos, nutricionais e culturais. Todos exercem grande influência no processo das doenças degenerativas e envelhecimento.

Muita literatura demonstra que ter uma dieta tão natural e balanceada quanto possível, que inclua alimentos com propriedades nutricionais e funcionais como vegetais folhosos, legumes, frutas frescas, nozes, grãos integrais, carnes magras e ovos, fortalece o sistema imunitário e combate radicais livres e seus efeitos nocivos sobre o corpo.

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A nutrição clínica funcional pode compreender a interação de todos os sistemas presentes no organismo, priorizando os aspetos bioquímicos, fisiológicos, emocionais e cognitivos do corpo. Assim, esse tipo de nutrição é cada vez mais importante no contexto da nutrição desportiva, pois promoverá um melhor desempenho e controlo de possíveis desequilíbrios orgânicos que possam comprometer o desempenho atlético e a saúde dos atletas.

Portanto, é muito importante considerar todas as variáveis que podem comprometer o atleta: stress oxidativo; metabolismo energético; regulação hormonal; digestão, absorção e integridade da barreira intestinal; funcionamento do sistema imunitário; desintoxicação e biotransformação hepática; inflamação e integridade estrutural.

Em relação ao stress oxidativo, como o nosso metabolismo celular faz parte de um processo de oxidação do oxigénio, está bem descrito que num atleta de alto rendimento este processo acontece de forma mais rápida, tendo como consequência um maior volume de produção de compostos oxidativos. O stress oxidativo pode ocorrer no corpo durante a prática da atividade física quando as quantidades de espécies reativas de oxigénio (ROS) e ERNs (espécies reativas de nitrogénio) produzidas nessa condição superam as defesas antioxidantes químicas e enzimáticas disponíveis. A principal consequência deste processo é a possível ocorrência de lesões oxidativas que, quando ocorrem, além de impedir/atrasar o progresso desportivo dos atletas, pode, em muitos casos, induzir o envelhecimento precoce, aumentar o número de lesões musculoesqueléticas e outras doenças e aumentar a morbilidade dessa população. Na tentativa de preservar a estrutura e o funcionamento celular durante a atividade física, é necessário o uso de protocolos alimentares ricos em compostos antioxidantes. A produção de enzimas antioxidantes requer a presença de níveis adequados de minerais como zinco, cobre e selénio, bem como quantidades suficientes de proteínas e vitaminas de alta qualidade, como as vitaminas do complexo B e vitamina C.

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Durante a semana vou falar sobre vários alimentos funcionais que trazem vantagens aos atletas, porém, e por causa de sua importância, quero falar sobre dois que acho que são importantes e que costumam levantar mais dúvidas.

O cacau cru, é uma fruta rica em flavonoides, protocianidinas e catequinas, componentes bioativos com importante capacidade antioxidante. Os flavonoides inibem as enzimas pró-oxidantes e a formação de compostos de iões pró-oxidantes, que podem ajudar na recuperação pós-treinamento, com uma redução na perceção da dor.

O chá verde, rico em substância fenólica, contém catequinas, compostos com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. A capacidade antioxidante das catequinas do chá verde impede a oxidação da vitamina E, outro potente antioxidante. Estudos mostraram que o uso de antioxidantes pode retardar a fadiga muscular, aumentar a tolerância ao exercício e melhorar o desempenho de atletas que consomem chá verde regularmente.

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Por tudo isto, estratégias alimentares e nutricionais que controlem o corpo do atleta são essenciais na prevenção de lesões associadas a processos oxidativos.

Fonte: Revista Brasileira de Nutrição Funcional - ano 15, nº 63, 2015

Por Inês Morais
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