Opinião
Nuno Paiva Brandão Sócio 50.166 do Benfica

2025 - A Grande Transformação

No passado dia 8, a Sport Lisboa e Benfica-Futebol SAD comunicou à CMVM o Relatório e Contas anual, referente ao exercício 2023/24.

Neste documento, procurei obter respostas para duas perguntas simples e diretas: 

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1ª) Nos resultados do futebol, como é que é avaliada a situação, nomeadamente o percurso desde 2021? 

2ª) Nos resultados económico-financeiros, existem alguns riscos ou indicadores negativos a assinalar? 

Em relação à primeira pergunta, o Presidente Rui Costa, na sua Mensagem, refere: "não nos contentamos com menos do que títulos e troféus" e, mais adiante, "soubemos criar ao longo dos anos, a capacidade de investimento que nos permite materializar esse desígnio, seguindo uma linha que privilegia e potencia a vertente desportiva". 

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São afirmações agradáveis mas desajustadas, pelo desfasamento com a realidade objetiva. 

A dura situação é que, no período referido, o futebol do Benfica entrou em " recessão técnica". 

Se tomarmos as pontuações realizadas nas últimas quatro voltas, correspondentes às Ligas de 2022/23 e 2023/24, o Benfica obteve, cronologicamente, 44, 43, 42 e 38 pontos. Sempre em pontuação decrescente e pior de um ano para o outro. Igualmente, se adicionarmos as pontuações obtidas nos últimos três campeonatos - no período sob a Presidência atual - o Benfica somou 241 pontos, face a 248 do FCP e 249 do SCP, perdendo assim para os dois rivais. Como se observou pela mediana prestação do campeão nacional, na Liga Europa, esta inferioridade explica-se menos pela força da concorrência e mais pela debilidade endógena apresentada. 

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Neste contexto, o voluntarismo da Mensagem acima referida parece mais uma tagarelice do que uma afirmação séria. 

Mas, dada a natureza dual das funções dos dirigentes, desportiva e económico-financeira, avancemos para a abordagem à segunda questão acima formulada. 

Estranhamente, escreve o Presidente na sua Mensagem: "o equilíbrio económico do exercício poderia ter sido facilmente alcançável se as movimentações de mercado tivessem avançado mais cedo". É curioso que, num documento tão formal e técnico, seja introduzida uma referência de cunho esotérico, para justificar os elevados prejuízos registados. Note-se que outros clubes, em Portugal e no estrangeiro, que atuam no mesmo mercado, registaram lucros no exercício, não tendo sido vítimas das mesmas forças misteriosas. 

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Em matéria financeira, mais adiante na sua Mensagem, o Presidente elogia "a robustez da Benfica SAD, cujos Capitais Próprios continuam elevados". 

Estas afirmações, perante os resultados realizados, recordam-me quando, há alguns anos, os meteorologistas asseguravam um dia com céu pouco nublado e depois, na vida real, chovia a cântaros. Uma vez mais, parece que os dirigentes da SAD vivem numa realidade paralela, discrepante da vida real.

A teimosia dos factos, revela que, no exercício agora fechado, houve um Resultado Líquido negativo de -31,4M e que, num período acumulado de três anos, de 2021/22 a 2023/24, ocorreu um prejuízo de -62,2M! No que se refere à estrutura financeira, os ditos " robustos" Capitais Próprios de 81,9M, são agora apenas metade do valor dos mesmos em 2020 (161,9M). 

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Em quatro exercícios, como no degelo do Ártico, "derreteram-se" metade dos Capitais Próprios. 

Ao longo dos últimos três anos, para nos cingirmos à etapa atual, têm sido recorrentes as mensagens e promessas, que contrastam com o decaimento dos resultados e das exibições da equipa de futebol, frustrando as esperanças de sócios e adeptos. São a marca de uma argumentação que combina um voluntarismo estéril e uma dose generosa de tolices. Infelizmente, hoje, o melhor que o futebol português tem para oferecer já não se joga no Estádio da Luz. 

Seja qual for o resultado do trabalho de Bruno Lage, a quem desejamos sorte e muitos êxitos, o Benfica necessita de libertar-se deste colete de políticas ineficientes e empreender uma Grande Transformação. Esta terá de resultar das eleições de Outubro de 2025. O exemplo de uma Grande Transformação, operada neste século no Real Madrid, com a chegada à Presidência do brilhante e inovador Florentino Pérez, pode ser uma fonte de inspiração para a mudança?

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Por Nuno Paiva Brandão
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