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Amigos para sempre

Amigos para sempre

Em dia do escaldante dérbi entre Atlético Madrid e Real Madrid, recordo a minha história com Paco Buyo. Foi o maior rival que tive durante toda a carreira. Vou mais longe – era o meu inimigo número 1. E eu o dele. O capitão do Atlético contra o guarda-redes do Real. Personificávamos a eterna batalha entre os dois clubes de Madrid. Eu e o Buyo criámos uma lenda. Ainda hoje, miúdos que nunca nos viram jogar sabem as nossas histórias porque os pais lhas contaram. Cada jogo era uma nova polémica entre nós. Um novo escândalo. E tivemos muitos. Chegámos a uma altura em que já nem nos cumprimentávamos. Dentro e fora do campo. Uma vez, encontrei-o no aeroporto de Madrid quando eu ia para Portugal. Ficámos frente a frente e por pouco não nos pegámos à porrada. Desviámo-nos um do outro no último momento.

Tudo começou no meu primeiro dérbi. Ganhámos 4-0 em pleno Santiago Bernabéu. Naquele dia tornei-me o inimigo público número 1 dos adeptos do Real e também do Buyo. Um alvo a abater. Depois desse jogo, deram-me uma fotografia em que estou a marcar-lhe o segundo golo. Essa foto tornou-se no meu amuleto. Pendurava-a sempre na minha casa de banho cerca de 15 dias antes de cada jogo contra os merengues. Ficava a olhar e a pensar que tinha de vencer o Real e marcar a Buyo.

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A partir daí tivemos muitas guerras, mas destaco uma em particular. A jogada mais polémica da história dos dérbis entre Atlético e Real. Somos sempre convidados por toda a imprensa espanhola quando há um dérbi. E a primeira pergunta é sempre sobre aquele lance. Estava a ser um jogo vibrante, taco a taco. Numa bola dividida, chocámos um com o outro e caímos distanciados por poucos metros. Eu fingi que estava lesionado e rebolei pelo relvado. O Buyo também fingiu que estava com dores e rebolou atrás de mim (éramos dois artistas). Quando estávamos pegados, ambos no chão, o Buyo deu-me um soco na nádega. É nesse momento que o meu companheiro Orejuela chega perto de nós e mete-se entre os dois para tentar proteger-me. Mas o Buyo aproveitou para simular que ele lhe tinha dado um pontapé. Agarrou-se à cara, fez um grande teatro e “expulsou” o Orejuela.

Todos estes episódios fizeram com que eu odiasse o Buyo. E só senti isso com ele. Nem com Pedroni, um jogador da Cremonese. Quando eu estava em Itália, ele fez-me uma entrada dura e destruiu-me a rótula. Tive de ser operado, mas são coisas do futebol e nunca lhe guardei ódio. Em Espanha, tive muitos adversários que me deixaram marcas: os chamados “assassinos”. Davam-me cotoveladas, rasgavam-me os gémeos com os pitons, entre tantas outras coisas, mas era futebol. Nunca odiei esses jogadores. O único que odiei foi Buyo. Para mim, e também para ele, existiam dois dérbis: o das equipas e o nosso. Passava-se sempre alguma coisa entre nós. O espetáculo estava garantido para os adeptos. Mesmo que o jogo estivesse a ser mau, eu e o Buyo tratávamos de animá-lo.

Já depois de estarmos retirados, a imprensa espanhola chamava-nos sempre para comentarmos juntos quando se realizavam dérbis. Cumprimentávamo-nos cordialmente e pouco mais. No Euro’2008 fui convidado por uma estação de televisão para comentar os jogos de Portugal. Quando chego a Viena, na Áustria, a primeira pessoa que encontro na receção do hotel é o Buyo. “Não me lixem”, pensei. “Qualquer um menos o Buyo”. Cumprimentámo-nos e, passados 30 segundos, já sabíamos que íamos trabalhar para a mesma estação de televisão. E que estaríamos sempre hospedados no mesmo hotel. Naqueles 15 dias, jantámos muitas vezes juntos, ajudámo-nos com o nosso trabalho, falámos e rimos das nossas guerras dentro do campo de futebol. Deixámos as nossas diferenças de lado e começámos a construir uma forte relação de amizade.

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Hoje, eu e o Buyo somos grandes amigos. Passei toda esta semana com ele em Espanha. Entre televisões, rádios e jornais. Mais uma vez, recordámos as nossas histórias dias antes de mais um escaldante clássico do futebol espanhol. Estamos, inclusivamente, a preparar um campus de futebol para crianças durante a próxima Semana Santa. Dentro do campo, só queríamos ganhar. Mas fora do campo conheci o verdadeiro Buyo. Um bom homem, amigo do seu amigo e uma pessoa cheia de valores. Passámos de inimigos a amigos. Amigos para sempre!

GRANDE CALDEIRADA

O cigarro de Boateng

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A foto dá vontade de rir, mas pôs a Liga alemã a arder. Um médico do controlo antidoping demitiu-se após a publicação de uma foto em que Kevin-Prince Boateng, do Schalke, está com um cigarro na mão e uma cerveja ao lado enquanto espera pela sua vez de ir ao controlo, após o jogo frente ao Bayer Leverkusen. A foto foi tirada pelo assistente deste médico e tem feito furor nas redes sociais. Afinal, no organizado campeonato alemão também há lugar para caldeiradas destas.

NÓS LÁ FORA

O menino Rúben

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Marcar o golo da vitória no último minuto é sempre inesquecível. Ainda mais para um menino de 19 anos. O defesa português Rúben Vezo fez o golo da vitória do Valencia frente ao Granada no seu primeiro jogo a titular. Com este golo também se tornou no jogador estrangeiro mais jovem da história do clube a marcar no campeonato. O Ruben fez toda a sua formação no V. Setúbal e chegou ao Valencia no último mercado de inverno. Já joga, já decide jogos e está no caminho certo para ser mais um grande craque do nosso futebol. Parabéns, menino!

DO MEU ÁLBUM

O golo de Miranda

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Em maio do último ano, estava no Santiago Bernabéu a comentar a final da Taça do Rei entre o Real e o meu Atlético para um canal da televisão espanhola. No prolongamento, o Miranda marcou o nosso golo da vitória. Gritei como se estivesse no Vicente Calderón, enquanto adepto, ou em casa a ver o jogo, no meu sofá. Se já era odiado pela nação merengue, ainda ficou pior depois de comemorar o golo daquela forma no estádio deles e em direto para toda a Espanha. Hoje não estarei a comentar para a televisão, mas espero gritar da mesma forma a nossa vitória.

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