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O Sporting ganha um jogo na Liga Europa mas Rinaudo, com um penálti escusado, faz os possíveis para adiar o momento da conquista da quarta vitória na época, num jogo em que os leões voltam a exibir a vocação de antecipar o futuro, através do bom desempenho de Esgaio, mais um talento a emergir da cantera de Alvalade.
O magno paradoxo: o Sporting é capaz de se antecipar na detecção de talentos mas permanece adiado face à sua incapacidade de gerir (desportiva e financeiramente) os jogadores que consegue formar.
Adiar foi também o verbo escolhido pelos responsáveis leoninos quando se lhe deparou o Benfica. Ainda antes do dilúvio que se abateu (na quinta-feira) sobre Lisboa e que voltou a revelar os problemas (de origem) do relvado.
Diz o regulamento de competições que, quando uma equipa joga à quinta-feira em território nacional tem direito a que o jogo seguinte na competição doméstica não se realize na sexta-feira e sábado seguintes à realização daquele jogo internacional.
O Sporting olhou para o calendário, poderia jogar ao domingo, mas preferiu adiar o dérbi para segunda-feira, segundo o princípio de quanto maior for o tempo de descanso e recuperação... melhor. Não é um problema exclusivo do Sporting. É um problema de mentalidade do futebol português, no qual (salvo alguns exemplos em contramão) existe uma predisposição para facilitar. Aliás, o Sporting tem sido especial vítima disso. Não exige.
É também por isso que o Sporting tem um plantel mal preparado, porque as pé-épocas são uma brincadeira e não a base (física) que deveria sustentar toda a temporada. Os jogadores correm pouco, não fazem pressão (alta) sobre os adversários, simplesmente porque não se lhes exige preparação (física e mental) compatível com esse desiderato.
Sem saber que o Sporting-Videoton iria ser adiado por 24 horas, por causa do estado do relvado, e já Vercauteren relativizava a questão do tempo de recuperação. O mesmo voltou a afirmar depois de a Liga não vislumbrar nenhuma razão para atender ao pedido do Sporting de novo adiamento. O choque de mentalidades. O choque entre o que pensa um treinador (estrangeiro) e os dirigentes, que se espalharam ao comprido nesta matéria. Um caso evidente de excesso de... precipitação. Muita água, mesmo.
Este episódio do (não) adiamento do Sporting-Benfica mostra bem o nível de incompetência que rodeia o presidente Godinho Lopes, agravado pela inexistência de relação institucional com os encarnados. É por tudo isto que o verbo adiar vai ganhando terreno ao verbo antecipar. Coisas da não liderança. É preciso sair do Museu. n
Nota - O FC Porto apresenta hoje um relvado novo. Sem ruído.
JARDIM DAS ESTRELAS
André Gomes na Champions (***)
Se os treinadores portugueses se empenharem tanto em valorizar desportivamente os jogadores portugueses como o fazem em relação à valorização dos futebolistas estrangeiros, sobretudo os sul-americanos, não tenho a mais pequena dúvida de que a respectiva afirmação se fará sem reservas. Para isso é preciso que os jogadores portugueses se disponham a trabalhar no duro, algo que vejo acontecer mais facilmente no espaço da emigração. Jorge Jesus tem sido verdadeiro especialista em “transformar” (para melhor) jogadores sul-americanos e europeus, como acontece agora com Ola John. Já o fez com Fábio Coentrão. É desejável que tenha paciência para o continuar a fazer com outros jogadores lusos – e a aposta de André Gomes em Barcelona é um bom sinal.
O CACTO
Silêncio de morte
Morreu um adepto de futebol, em Braga. Não foi dentro de um recinto desportivo, como já aconteceu em Portugal. Não é uma questão de imputação de responsabilidades directas. Mas também não se pode resumir esta morte de um adepto do Sp. Braga a um mero e infeliz acidente. Nem se pode aceitar que a morte seja a consequência natural das rivalidades clubísticas, porque não é. Custa por isso aceitar o silêncio que se abateu sobre esta morte. Um silêncio ensurdecedor. Ou terá prevalecido a vergonha de quem alimenta o ódio entre claques?
TEMPO EXTRA
Oportunidade perdida
Grandes elogios ao desempenho do Benfica em Barcelona. Jorge Jesus rejubilou. Os jogadores encarnados seguiram o treinador. Um empate em Camp Nou nunca é, em condições normais, um mau resultado. A verdade é que o Benfica visitou o reduto catalão numa situação conjuntural invejável, com o adversário já qualificado e a apresentar uma equipa com forte incidência de não-titulares. Um bom plano táctico do Benfica, mas ainda assim muitas dificuldades perante um Barcelona de “segunda linha”, que nunca se tinha revelado tão... à mercê. Ficou na retina um ror de oportunidades falhadas. Nenhuma equipa pode afirmar-se no espaço do futebol europeu a falhar, em jogos decisivos, tantas e tão boas ocasiões de golo. Os elogios ao nível exibicional atingido pelo Benfica em Camp Nou foram uma forma de esconder o essencial: os encarnados falharam a sua abordagem à Champions. O jogo em Moscovo deitou tudo a perder.