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Estivesse o Sporting numa situação de alguma estabilidade, com as finanças minimamente equilibradas e a equipa a mostrar-se competitiva, a contratação de Jesualdo Ferreira, a acontecer num começo de época, seria observado como um excelente acto de gestão.
Não há no futebol português muitos treinadores com a experiência e o saber futebolístico de Jesualdo Ferreira. O tricampeão pelo FC Porto chega, contudo, a Alvalade num momento altamente conturbado da vida do Sporting, no qual o futebol se acha mergulhado na confusão, com um técnico belga recentemente contratado, que se seguiu a três apostas presidenciais convictas.
Ao caos seguiu-se o caos e, por isso, está tudo por realizar e com as alternativas a Godinho Lopes no terreno a prepararem-se para o “assalto” à actual “nomenclatura”, não há condições para reconstruir, rapidamente, o “edifício”. É uma questão de (falta de) confiança e, sem dinheiro, Jesualdo Ferreira terá muitas dificuldades em fazer muito mais do que reajustar o actual plantel às exigências de emagrecimento, saneando todos aqueles que não têm honrado a camisola do Sporting. E, se fizer isso, já estará a prestar um bom serviço ao clube de Alvalade.
Godinho Lopes vai fazer tudo para chegar intacto ao fim do primeiro trimestre de 2013. Decidido a completar o mandato, ignorando os sinais que o rodeiam, o presidente dos leões arrisca-se a sair do Sporting da pior maneira. Devorado pelas circunstâncias e ferido de morte por não ter sabido resguardar-se dos estilhaços do “caso PPC”.
Oprojecto de Godinho Lopes falhou, mas o presidente do Sporting nega-se a reconhecê-lo. À espera de Godot? À espera que, depois do Mundo acabar, aterre em Portugal alguém que compre a TAP e o Sporting?
Não é uma operação fácil, mas foi Godinho Lopes, há muitos meses, quem alimentou a ideia segundo a qual os investidores estariam a chegar. Nem os investidores chegam nem o pai (Sporting) almoça. E é bom que se tenha a noção de que, embora haja o reconhecimento de que o Sporting precisa de emagrecer os seus custos, a factura da crise já vai alta: são as indemnizações não apenas a treinadores (quanto está a custar a remodelação?) e são as “voltas ao Mundo” à procura de investidores.
Se o Sporting não consegue colocar os jogadores a render; se o Sporting não consegue vender os jogadores; se os passes dos atletas estão todos retalhados; e se as despesas são muito maiores do que as receitas, não são necessários grandes conhecimentos de gestão para se concluir que, a este ritmo, o Sporting é inviável como clube profissional.
Como vai o Sporting satisfazer os seus compromissos com a banca, exaurido como está financeiramente e sem receitas à vista? Tudo fica ainda mais difícil de entender quando um dos maiores ideólogos dos leões dos últimos anos, grande gestor de influências no universo leonino, com presença (pois claro) no Conselho Fiscal, vem dizer que “é preciso dar tempo ao presidente, porque ele também está a aprender”.
Não há verdade mais cristalina, mas terá José Maria Ricciardi alcançado, no meio das críticas aos jogadores, o pendor das suas declarações? Enquanto o FC Porto tem um presidente há 30 anos e o Benfica há 10, uma das forças vivas leoninas aceita sem pestanejar que o presidente do Sporting faça o seu tirocínio como presidente. Não é estranho? Fica então clara a razão por que Godinho Lopes não se demite.
Para o quadro ser ainda mais negro só há mais uma coisa que pode acontecer ao Sporting sob a presidência de Godinho Lopes: o clube descer de divisão por via administrativa, na sequência do caso PPC (Paulo Pereira Cristóvão).
Tudo o resto já aconteceu: ausência de resultados desportivos, uma equipa profissional a afundar-se jogo após jogo, com exibições miseráveis; treinadores, jogadores e dirigentes a serem sacrificados em prol de uma reestruturação que parece nunca acabar; casos na justiça (PPC) que atiram o nome do Sporting para a lama; e uma situação financeira de bradar aos céus, com erros primários em looping a custar verdadeiras fortunas, como são os casos de indemnizações a pagar a quem vê interrompido, antes de tempo, o vínculo contratual com a SAD sportinguista. Tudo a um ritmo alucinante, a causar forte dano ao erário leonino. Não há muitos inocentes.
Feliz Natal!