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As questões relacionadas com a autonomia técnico-desportiva do seleccionador nacional não constituem um tema novo.
Já tivemos um pouco de tudo: seleccionadores totalmente vergados ao peso dos clubes e dos seus presidentes – nesse aspecto, Pinto da Costa esteve longos anos muito mal habituado... – e outros que tentaram fazer o seu caminho, sem concessões escandalosas. É bom lembrar, aliás, que o “namoro da Costa” ia de Bento em popa quando aconteceu esta “gabonice”. O presidente do FC Porto e o seleccionador nacional, recorde-se, andavam “enamorados” enquanto durou o impasse, na sequência do ultimato que Paulo Bento lançou sobre a FPF, ao exigir rumar à fase final do Europeu com a situação contratual resolvida. Isto é, com... “mais contrato”.
De repente, zás, pás, catrapás, Bento “fez mal as contas”, deu mais minutos de competição a Moutinho e Varela, do que a Pepe, e Pinto da Costa “tocou na ferida” do seleccionador nacional, que nestas coisas tem revelado uma atenção focada nos jogadores do Real Madrid, e isso, já se vê, é uma decorrência da força que José Mourinho e Jorge Mendes têm na Selecção Nacional. Zás, pás, catrapás, Pinto da Costa não perdoou, e aproveitou a ocasião para retomar a discussão sobre “Federação rica, clubes pobres”, cuja dicotomia não pode agradar, obviamente, a quem cede matéria-prima (quase gratuita) às Selecções Nacionais.
É uma pescadinha de rabo na boca e daqui não saímos: não há jogadores na Selecção se não houver jogadores nos clubes e, portanto, os presidentes dos ditos cujos invocam direitos de propriedade perante os quais as Federações não têm sido capazes de ripostar, porque não têm força suficiente para isso.
É tudo um jogo de máscaras, a Selecção há muito que é um entreposto de interesses vários, perante os quais os seleccionadores, por muita independência que reclamem, não são capazes de colocar – à frente de todos – os interesses desportivos e, já agora, a imagem do país. Há interesses que ficam por cima de outros interesses, e os interesses do FC Porto que outrora já ficaram por cima, desta vez ficaram por baixo. E Pinto da Costa, que nunca gostou de ficar por baixo (sem nenhum segundo sentido), aproveitou o momento “em baixa” da FPF e de Paulo Bento para colocar os pontos nos ii.
O argumento financeiro é uma falácia, e muito mais quando é colocado como uma inevitabilidade, primeiro porque a FPF (como diz PC) tem muitos milhões de euros de depósitos a prazo nos bancos; segundo, porque não queremos ver o Gabão a reclamar nenhum pedaço da Cidade do Futebol; e terceiro porque ficou uma imagem desprestigiante para Portugal. Já basta o que basta...
TEMPO EXTRA
Benfica segue em frente na Taça de Portugal, no jogo que marcou o regresso do capitão Luisão. Antes do segundo golo dos encarnados, ao cair do pano, por Cardozo, o central brasileiro teve um corte soberbo, que ele próprio festejou, como se houvesse marcado um golo. Esse corte só foi possível, não pela frescura, não pela capacidade de chegar primeiro, mas pela experiência, que lhe dá a melhor leitura dos lances e, com ela, a melhor colocação no espaço defensivo. Luisão não esteve bem em Dusseldorf, não apresentou desculpas, mas como consequência do seu “estatuto” no futebol do Benfica ninguém, dentro do clube, foi capaz de um gesto grandiloquente, de reprovação de uma atitude antidesportiva que só não ficou provada aos olhos (oblíquos) de um certo fanatismo. E ele aí está de regresso, com uma exibição muito positiva em Moreira de Cónegos, a impor segurança. Onze jogos sem competir? Não se notou.
JARDIM DAS ESTRELAS
Não começou bem, o discurso não foi impactante, mas ao conseguir arrancar um triunfo ao Sp. Braga antes da paragem ditada pela eliminação prematura dos leões na Taça, com muita sorte, diga-se de passagem, e também com benefício de um erro (grave) de arbitragem, influenciando o resultado, ganhou fôlego para se recompor e, eventualmente, para colocar o Sporting nos carris. A ver vamos, porque estas coisas não são automáticas nem lineares, e não é fácil reverter uma situação que resulta de um naipe quase inesgotável de equívocos. Certo: o técnico belga impôs a dinâmica de treinos bidiários e isso é a prova de um diagnóstico seguro. Os jogadores do Sporting precisam de trabalhar e de adquirir hábitos saudáveis de treino e competição.
O CACTO
Acha certo reunir-se com o presidente do Sporting antes do embate com o Sp. Braga, nada se sabe dessa reunião, o presidente António Salvador critica o encontro e o seu timing, e o “presidente-dos-árbitros” não tuge nem muge, não dá explicações, não replica... nada. Tudo na sequência das “queixas” do Sporting, que nesse jogo beneficia, por simples coincidência, de um erro protagonizado pelo “melhor árbitro português”. Alguém defende a verdade desportiva? Desde que os erros sejam “a nosso favor”... siga a marcha. Tudo muito lamentável!