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O dia mais feliz da minha infância

O dia mais feliz da minha infância

Tinha 12 anos. Era um miúdo e já jogava no Sporting. Foi também com esta idade que tive o privilégio de conhecer o Eusébio. O João, o meu primo mais velho, era amigo dele e marcou um almoço no Estádio da Luz. Lembro-me que aquilo ficou agendado dois ou três dias antes. E a partir desse momento não consegui dormir. Estava nervoso, agitado, ansioso. À espera do grande dia.

Chegou o momento. Durante grande parte do almoço, o Eusébio esteve a tentar convencer-me a jogar no Benfica. E sempre com a ajuda do meu primo, um benfiquista fanático. Resisti e fiquei no Sporting, por mim e pelo meu pai, apesar da pressão do King. Mas, mesmo assim, aquele foi o dia mais feliz da minha infância. O primeiro dia mais feliz da minha vida.

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Passaram dois anos e voltei a estar com o Eusébio. Ele foi ao Montijo assistir à final de um torneio de futebol de salão no qual participei. A minha equipa, o Cancela, venceu. Eu era o mais novo de um torneio de seniores. No final, o Eusébio deu-me a medalha, elogiou-me pelo meu jogo e voltou a tentar convencer-me: “Tens de vir para o Benfica.”

Depois disso, estive muitas vezes com ele. Mas a mais marcante aconteceu a 25 de janeiro de 1993. O dia da minha apresentação aos sócios do Benfica. Entrei no Estádio da Luz ao lado do grande Eusébio. Perante mais de 80 mil pessoas. Tinham passado 14 anos desde o dia em que o conheci naquele almoço. E caminhava ao lado dele como jogador do Benfica. “Sabia que um dia vinhas aqui parar”, disse-me o King.

A última vez que tive o prazer de estar na sua companhia foi três dias antes do último Natal. Jantámos juntos e recordámos os velhos tempos. Aliás, essa foi a penúltima vez. A última aconteceu mesmo a 6 de janeiro, no seu velório, porque estive no Estádio da Luz enquanto ele nos dava o seu último adeus. Uma despedida linda e emocionante. À altura daquele grande génio.

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O Eusébio foi único. Por isso, estes dias têm sido muito duros para o mundo do futebol, para Portugal e, sem dúvida, para mim. Uma das grandes lendas do futebol mundial deixou-nos para sempre. O homem que mais fez pelo futebol português. Sem ele, não tínhamos Futres, Figos e Cristianos. Foi muito mais do que um jogador: foi um pioneiro. A primeira grande referência de todos nós. Um ícone do futebol. Um dos melhores de sempre. Jogou apenas o Mundial de Inglaterra, em 1966. Agora imaginem se tivesse jogado quatro, como Pelé. Certamente estaríamos a dizer que Eusébio era o melhor de todos os tempos.

O King também foi um exemplo de como estar no desporto e na vida. Em paz, sem guerras, com respeito por companheiros e adversários. Um símbolo do fair play. Também por isso merecia uma homenagem mais sentida dos máximos responsáveis da FIFA e da UEFA.

Primeiro: custava muito a Blatter e Platini apanharem um avião e aparecerem, por 10 minutos que fosse, no velório do King? Segundo: a “homenagem” que lhe prestaram na gala da Bola de Ouro foi uma autêntica vergonha. Cerca de 30 segundos de umas imagens e está feito. Um desrespeito para com Eusébio e para com Portugal. Vindo daqueles lados, infelizmente, já podemos esperar tudo. Mas do que a FIFA e UEFA não se querem lembrar, nós nunca vamos esquecer. Nunca vamos esquecer o nosso Eusébio.

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No dia 5 de janeiro foi-se um génio, um ídolo, um herói irrepetível. Um amigo. Mas o Eusébio não morreu. Eternizou-se. Até sempre, King! Até sempre, amigo!

GRANDE CALDEIRADA

O “caso Neymar”

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Primeiro, Neymar tinha custado apenas 57 milhões de euros ao Barcelona. Depois, veio uma investigação do jornalista Eduardo Inga, antigo diretor do jornal “Marca”. E o mundo do futebol ficou a saber que, afinal, os culés pagaram pelo brasileiro cerca de 94 milhões de euros. Ou seja: a contratação mais cara de sempre. Os sócios do Barcelona foram enganados. Um desses sócios pôs uma ação em tribunal e a bomba rebentou. O presidente Sandro Rosell foi obrigado a demitir-se na última quinta-feira. Um autêntico escândalo mundial. A caldeirada da semana.

NÓS LÁ FORA!

Cristiano... sempre!

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Não podia começar este espaço sem falar do grande Cristiano Ronaldo e destes dias que têm sido inesquecíveis para ele e um grande orgulho para todos nós portugueses. Lançou um míssil entre condecorações. Ganhou a Bola de Ouro (com toda a justiça) e passados alguns dias marcou mais um golo de génio (dos muitos que já tem) frente ao Betis. Depois, veio a Portugal para receber o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. O nosso menino merece tudo isto. Parabéns, Cristiano! Obrigado, Cristiano!

DO MEU ALBÚM

Recorde do “Guinness”

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O mercado de inverno esta aberto e é uma altura muito complicada para os jogadores e para as suas famílias. Podem ter de mudar de vida a qualquer momento. Para outro campeonato, outro país, outra cultura. É um período de grande ansiedade. Conheço bem esse sentimento. Em 1993 joguei em quatro países em 11 meses: Espanha (Atlético Madrid), Portugal (Benfica), França (Marselha) e Itália (Reggiana). Deve ser recorde do “Guinness”. Mas faz parte da vida de um jogador. Sempre a viver na incerteza quando os mercados estão abertos.

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