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Entre os muitos problemas que o Sporting tem para resolver, um dos maiores de todos chama-se... Eduardo Barroso, esse notável cirurgião de competências comprovadíssimas na sua profissão, perdido nos labirintos (dialécticos) do “pontapé na bola”.
É evidente que, no meio da preocupante situação financeira em que se encontra o Sporting, tantas vezes denunciada e tantas vezes desvalorizada, corolário da inacreditável e danosa gestão que foi feita dos activos da SAD nos últimos (largos) anos, pode parecer excessivo elencar a postura do presidente da AG do clube leonino como um dos maiores problemas. Mas é mesmo assim: um clube de futebol não pode estar sob o “fogo cerrado” dos “bitaiteiros de serviço”, sobretudo quando eles fazem parte dos órgãos sociais do clube e ultrapassam as funções para as quais são eleitos.
Não há mais nenhum outro caso similar no Mundo. O Sporting, nos últimos anos, criou uma tradição a este nível, entregando cargos de representação a figuras habituadas aos palcos mediáticos. O erro está aí. Foi o erro de Bruno de Carvalho e de Godinho Lopes e já havia sido o erro de JEB e FSF. Não se pode entregar cargos de recomendável discrição mediática a personalidades habituadas a um certo protagonismo.
De presidente em presidente, de etapa em etapa, o Sporting não consegue resolver questões basilares como esta. Foi a indiferença perante questões primárias que conduziu o Sporting a uma realidade muito difícil de inverter, com a perda dos dedos e dos anéis. Não basta ter José Maria Ricciardi bem posicionado nos órgãos sociais para se poder resistir a tanto.
Eduardo Barroso, portanto. Confessa que não o move qualquer tipo de protagonismo, mas não quer outra coisa. Diz que não é opositor à direcção de Godinho Lopes, mas comporta-se como tal. Reafirma que não quer ser visto como um desestabilizador, mas não tem sido outra coisa se não o maior foco de desestabilização da vida recente do Sporting.
Repete agora que nunca deveria ter aceitado nenhum cargo no clube e garante que nunca mais se vai candidatar a qualquer cargo, no futuro. Contudo, o tom e a oportunidade emprestadas nas suas últimas aparições públicas sugerem postura de campanha. “No lugar de Godinho Lopes demitia-me e recandidatava-me”. Neste particular, estamos plenamente de acordo. Foi essa, aliás, a tese que defendi publicamente poucos meses depois de Godinho Lopes ter sido empossado como presidente do Conselho Directivo do Sporting. Já se havia percebido o que muitos agora repetem: a lista então constituída destinou-se a vencer eleições, o que seria incompatível com o acto de governar.
Porque numa lista para governar tem de existir um mínimo denominador comum entre liderança, coesão, identidade e solidariedade institucional. O “saco de gatos” sempre foi evidente, mas só agora é assumido até à exaustão. Repare-se, no entanto, no gravíssimo paradoxo: Eduardo Barroso pede para Godinho Lopes se demitir e se recandidatar, mas aceitou fazer parte de uma farsa que ele próprio agora denunciou: “Houve irregularidades gravíssimas nas últimas eleições (...). Votaram 300 ou 400 sócios que não entraram pelos computadores.”
Àboca pequena não se falou noutra coisa, no período pós-eleitoral. Mas ser o presidente da AG do Sporting a afirmar, sem “ses” nem “mas”, que os actuais representantes leoninos foram achados em eleições marcadas por “gravíssimas irregularidades”, sem tomar uma posição, a única possível nestas circunstâncias, não é também sinónimo de apego ao poder ou de uma certa loucura generalizada? Estranho, não é? Um caso de “impugnação” fora de tempo. Manicómio, touradas, farpas, bisturis, facadas. Vale tudo no reino (verde) da loucura.
Um novo acesso de loucura parece ter tomado conta das últimas movimentações e notícias: não me parece líquido que a banca possa achar soluções de excepção para o Sporting. Primeiro, porque os grandes clientes não são apenas “clubes de futebol”; segundo, porque há um princípio de equidade que não deve ser rompido.
Ao Sporting, na verdade, tudo acontece. É tudo muito Tristóvão. Não admira, pois, que se encontre numa situação de falência. Material e moral. Coitado do Jesualdo!