Jorge Jesus pode mudar-se de armas e bagagens para o FC Porto no próximo Verão? Como era expectável, a questão do contrato que liga Jorge Jesus ao Benfica, a expirar no final da época, vai tornar-se numa questão recorrente, à medida que a temporada avança e não haja sinais de resolução. Da mesma forma, e até por associação directa ou indirecta, a questão da renovação do contrato de Vítor Pereira pelo FC Porto também fará parte da “dialéctica da bola” nos próximos tempos, enquanto não houver “preto no branco”.
Como sempre, o FC Porto apresenta-se com “vantagem negocial” e pode gerir o dossiê a seu bel-prazer. Mais uma vez, como já aconteceu no passado, o tempo e as circunstâncias correm a favor da SAD portista. Parece-me, pois, bastante verosímil a hipótese de Jorge Jesus rumar ao Porto, e esse é um problema que (mais uma vez) Luís Filipe Vieira tem entre mãos.
É compreensível que o presidente do Benfica revele alguns cuidados na resolução deste assunto, porque não quererá perturbar a campanha desportiva da equipa de futebol, ainda por cima num quadro de apertada competitividade com o FC Porto. A verdade, porém, é que o adiamento de uma matéria tão sensível para o futuro do futebol do Benfica pode tornar-se numa castanha quente a rebentar nas mãos de Vieira. Porque Jorge Jesus representa muito mais (para o clube da Luz) do que um mero treinador. Com as suas imperfeições, Jorge Jesus deu um rumo, um estilo e uma coerência ao futebol do Benfica que já não existiam desde o tempo de Eriksson, há mais de 20 anos.
A manta ficou curta. Quantos mais milagres pode fazer Jesus? Não ver isto ou querer relativizar isto, aproveitando um eventual insucesso no campeonato, é expor-se perigosamente aos efeitos do “pós-Jesus”. Quem suceder a Jorge Jesus não vai ter tarefa fácil e o Benfica não precisa de quem, por contraste, queira aliviar a exigência junto dos jogadores. Essa é uma conquista inalienável do futebol benfiquista. Perdê-la pode representar a abertura de um ciclo de grande instabilidade no futebol dos encarnados.
O Benfica deu um (excelente) contrato a Jorge Jesus, mas talvez não lhe tenha dado a estrutura (de apoio) que mereceria. É isso que falta ao Benfica, em comparação ao FC Porto. O que pode dar, neste momento, Vieira a Jesus, que o convença a permanecer na Luz? O Benfica precisa mais de Jesus do que Jesus do Benfica. Ou Vieira se antecipa (com argumentos que não serão fáceis de arranjar) ou submete-se a um final de época... do arco-da-velha.
É que, sinceramente, não vejo maneira de o FC Porto não aproveitar a oportunidade de demonstrar ao Benfica, depois do êxito com JJ na sua primeira época, que o defeito não está no treinador... mas em tudo o resto. Haveria melhor maneira de visar Vieira?...
JARDIM DAS ESTRELAS - João Moutinho está no ponto
Deixou Alvalade no Verão de 2010 e está a realizar a terceira época ao serviço do FC Porto. Há uma diferença entre o jogador com talento e o jogador de competição. Moutinho é dos poucos jogadores portugueses que conseguem manter um nível de competitividade acima da média ao longo de uma época. Já era assim no Sporting, onde ele deveria ter sido “nomeado” jogador-tipo para o futuro, em vez de ser vendido para um rival. É assim no FC Porto, ainda mais refinado. A sua exibição frente ao Málaga, entre outras, prova que Moutinho atingiu o ponto médio de maturidade. Um jogador do tempo todo e do campo todo.
O CACTO - Prescrito
De prescrição em prescrição, e sob o risco de o(s) processos chegaram às instâncias internacionais com as consequências que isso pode acarretar para o futebol português, “declara-se” o regresso do Boavista ao primeiro escalão da bola indígena.
João Loureiro mostrou-se cauteloso porque sabe da complexidade (jurídica) do assunto e da “relação proibida” que se estabelece entre as decisões dos tribunais administrativos e as decisões da justiça desportiva.
Seja como for, entre proscritos e prescritos, o futebol português continua a afundar-se nas suas omissões e nos seus pecados. Este é um assunto que apela, e muito, ao bom senso. Entre todas as partes: Boavista, clubes, FPF e Liga.
TEMPO EXTRA - A banca e o Sporting
Godinho Lopes retira-se de cena. Uma derrota anunciada. Foi vítima de não ter percebido os tempos de acção. Acreditou que o apoio da banca iria ser suficiente, contra tudo e contra todos, e contra a realidade dos resultados desportivos, para o eternizar no cargo. Fez-se presidente no meio do vespeiro. Apesar das picadas, só muito a custo, parcialmente e a más horas, se livrou de algumas vespas. Teve medo de remodelar o elenco directivo ainda antes de eclodir o “caso Cristóvão”, que beliscou a sua autoridade. Tudo o resto foi uma espiral destrutiva que lhe foi reduzindo o espaço até à “morte por asfixia”. E, mesmo no momento do estrangulamento, ainda se deixou enlear pelo feitiço e traição finais: “avanças, se não houver outro...”
A pergunta que por ora se coloca é esta: qual é o papel da banca nestas eleições do Sporting? A banca pode, ela própria, se não gostar do resultado das eleições, ignorar o apoio que deu, no passado recente, a todos aqueles que patrocinaram a agonia do Sporting?!...