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A Selecção Nacional deveria fomentar a qualidade e o rendimento e não apenas o “espírito de família” e os interesses, a montante e a jusante. Mas não. Impera a cultura do armistício.
Quando é que a titularidade de um guarda-redes (Eduardo) deve ficar pré-determinada por acordo entre o seleccionador nacional e os jogadores interessados? Parece coisa absurda, como são absurdas as substituições pré-minutadas. Quando mais precisávamos do Cristiano Ronaldo, para tentar ganhar o jogo com o Equador, ele teve de sair, porque assim estava previamente combinado. A Selecção Nacional transformou-se assim numa espécie de Capela Sistina: os frescos do Paulo Bento, perdão, do Michelangelo, estão lá todos para serem contemplados, em silêncio.
A Selecção Nacional deveria fomentar a qualidade e o rendimento e não apenas o “espírito de família” e os interesses, a montante e a jusante. Mas não. Impera a cultura do armistício. A “família” (Mendes) tem de lá estar. Passe a hipérbole, podem estar coxos, marrecos, pouco rodados ou ritmados, mas não faz mal. Têm de lá estar. Bem pode reclamar o Paulo Fonseca, treinador do Paços de Ferreira, e chamar a atenção para o rendimento do André Leão – o melhor número 6 da actualidade, segundo ele –, que não interessa nada. A camisola é amarela. Não é vermelha, nem azul, nem verde e o clube da capital do móvel não tem poder. Não é VIP, tem de ter calma. Veja-se o caso do André Gomes. Não é Leão, mas é águia e já foi adoptado pela “família”. Um pouco prematuro, não acham?
Quem joga bem, corre e sua não pode ter aspirações a ser chamado pela Selecção Nacional? Só em determinadas condições de... “pressão e temperatura”? É isto passível de ser defendido dentro da FPF?
Houve chamadas para este jogo com o Equador, cujas semelhanças com Israel são tão evidentes como evi-den-tí-ssimas são as semelhanças entre o Santo Sepulcro e o vulcão Pichincha, que não lembrariam ao careca, excepto dentro do princípio da... “sagrada família”. Jogadores que, por estarem menos em competição, não conseguem jogar de acordo com as exigências mínimas: Veloso, Meireles e Nani são casos indiscutíveis de má “forma” desportiva.
Repare-se no que se está a passar com a nossa defesa (mais dois golos sofridos em casa): os laterais em défice (João Pereira e Coentrão muito longe do fulgor de outros tempos) e, nas ausências de Pepe (lesionado) e Ricardo Carvalho (“castigado”), aposta em Luís Neto e Bruno Alves, que prometem fazer dupla no Zenit.
A experiência, para já, foi muito má – e a pergunta a colocar é se não se consegue mesmo resgatar Ricardo Carvalho a tempo do Israel-Portugal?! Não é altura de o seleccionador engolir o orgulho e olhar para o interesse da Selecção Nacional?
Nani é um caso preocupante de sub-rendimento. Nélson Oliveira está a dar razão a Jorge Jesus e não fez nada para ser seleccionado. Esta Selecção tornou-se superdependente de Cristiano Ronaldo e ele só pode ajudar a resolver... se estiver dentro do campo. E isso não depende apenas do seleccionador-cronometrista. Quero acreditar que “vamos lá” (ao Brasil) mas a Selecção está a perder valor. Sem surpresa.
TEMPO EXTRA
Bruno e os outros
Não poderia arrastar-se mais a agonia de Godinho Lopes, no Sporting, totalmente engolido pelas circunstâncias que ele próprio foi criando à sua volta, por não ter tomado decisões (em tempo útil) que o conduziram, ingloriamente, a um beco sem saída. Pode achar-se agora injustiçado, porque tudo fez para garantir a reestruturação financeira em moldes supostamente vantajosos para o clube, mas a verdade é que não fez o suficiente para parar a bomba-relógio que, tic, tac, tic, tac, lhe tocava ao ouvido.
Confessou ao Conselho Leonino que não se recandidataria a novo mandato (perdeu margem de manobra para isso), mas noutros locais vai alimentando a dúvida, não vá a banca tropeçar na possibilidade de não conseguir arranjar um candidato capaz de se opor aos “ímpetos revolucionários” de Bruno de Carvalho.
Seja como for, o Sporting pode estar falido, mas não faltam (pseudo) candidatos...
JARDIM DAS ESTRELAS
Não pode haver interesse em Lima
Em Agosto do ano passado estava no Sp. Braga e em Setembro jogava no Benfica. Saviola achava-se de saída e Nélson Oliveira já havia sido cedido ao Corunha. Os encarnados tinham Cardozo de pedra e cal e Rodrigo era visto como complemento do paraguaio. De repente, Lima. Bem visto: foram 4,2M€ pagos ao Sp. Braga, mas o rendimento desportivo ao serviço do Benfica tem sido tão elevado que se pode falar, com segurança, na melhor aquisição dos encarnados em 2012-13.
Fala-se agora da cotação do ponta-de-lança no mercado internacional. Talvez sejam mais as vozes do que as nozes, mas, com o emagrecimento qualitativo do plantel benfiquista, até é bom que não haja interessados...Sem Nolito e Bruno César, o Benfica já cedeu demasiado e perigosamente.
O CACTO
A bagunça
A bagunça está instalada, tudo a propósito da introdução das equipas B e daquilo que não se fez para adaptar os regulamento à “nova ordem” do calendário futebolístico indígena. Publicam-se “sentenças” em forma definitiva e os juristas procuram a melhor interpretação da lei, que parece um queijo suíço, entre omissões e... anexos. A propósito: qual é
a razão para se tornar cada vez mais visível a falta de solidariedade institucional entre a FPF (de Fernando Gomes) e a Liga (de Mário Figueiredo)? Será uma questão de... antenas?!