_
Uma semana péssima para a “justiça” desportiva: o Conselho de Disciplina “de Herculano Lima” voltou a atacar, agora contrariando a base da acusação da Comissão de Instrução e Inquéritos da Liga no caso das 72 horas em relação ao FC Porto; e os castigos infligidos a Matic e Cardozo, ambos ridículos, seja qual for a perspectiva pela qual os analisemos. Bem se pode dizer que foi “uma no cravo, outra na ferradura” – para vergonha da justiça desportiva. Uma decisão que teve o condão de “calar o Benfica” (em relação à Taça da Liga) e “calar o FC Porto” (em relação a Cardozo). Justiça desportiva?!
Estão a FPF e a Liga, em pé de guerra, embora as dissensões ainda não tenham sido consagradas pela opinião publicada. Estes castigos enquadram-se no ambiente de fractura que se vive entre a FPF, de Fernando Gomes e a Liga, de Mário Figueiredo. Dir-se-á que não é bem assim, perante o princípio da separação de poderes. Retórica. Apenas retórica. Basta ver as posições públicas de diversos juristas. E as (altas) pressões que se fizeram sentir, com a queda de um “meteorito” capaz de destruir o que restava da credibilidade da “justiça desportiva” do futebol em Portugal.
Alguém pode acreditar neste Conselho de Disciplina, depois de Herculano Lima ter aplicado uma suspensão de 15 dias a Jorge Jesus (em Setembro do ano passado), com efeito nulo, uma vez vez que a deliberação aconteceu, cirurgicamente, quando não havia competição? Depois de uma decisão destas, perante a qual o Benfica não pôde deixar de se sentir profundamente agradecido, havia condições para julgar alguma coisa que fosse, de modo indirecto, a seu favor? Haveria condições para isso? Mais: haveria coragem para isso?
O que aconteceu foi uma coisa muito simples: o FC Porto, até à data do jogo com o V. Setúbal, vinha cumprindo com a regra das 72 horas, na Taça da Liga. A sua organização cometeu um erro e o gabinete jurídico achou no regulamento uma forma de amenizar ou mesmo eliminar (o Conselho de Justiça o dirá) o impacto desse erro.
O FC Porto colocou em campo o seu poder. Jogou e ganhou (por ora). O Benfica, que já havia beneficiado do beneplácito do CD da FPF, no “caso Jesus” e, também, no “caso Luisão” (pena mínima), para não se sentir penalizado, indirectamente, pela “devolução” do FC Porto à Taça da Liga, ainda teve direito a um “bombom”: 1-jogo-1 a Cardozo, depois de dar um pontapé a um adversário e puxar a camisola de um árbitro.
Meus caros leitores: fazendo um esforço para colocar as clubites de lado, há alguma razão para acreditar na justiça desportiva? Ela reúne condições para ser verdadeiramente isenta e independente?
Entretanto, também roubaram o computador a Vítor Pereira. É preciso fazer um desenho?!...
O CACTO
Andam a brincar com o fogo!...
Esta foi uma semana negra para o futebol português. Para muitos dos seus protagonistas e para a organização de cúpula da bola indígena.
Na segunda-feira, vimos adeptos do Paços de Ferreira a serem perseguidos por adeptos do Sp. Braga. Homens, mulheres e crianças a procurar protecção num estádio sem policiamento.
O ministro Relvas relativizou. Pode vir dizer que “uma andorinha não faz a Primavera” e que se sente seguro nos recintos desportivos. Há exemplos piores do que em Portugal? Sem dúvida. Mas também é perigoso fazer comparações. O ambiente à volta do futebol luso, com FC Porto e Benfica lado a lado, está a ficar (outra vez) demasiado tenso. Ao contrário do que diz o ministro, os sinais são de preocupação. FPF assaltada (também o computador de Vítor Pereira foi roubado...), órgãos da justiça desportiva em frontal desencontro, até por razões processuais que suscitam a questão da falta de solidariedade institucional, castigos absolutamente desenquadrados da realidade, o presidente da Liga a dar conta de que “a Liga passou a ser um alvo a abater” desde que apresentou queixa contra a Olivedesportos.
Houve “sururu”, ontem, na Assembleia da República. Qualquer dia nem nas tribunas de honra o futebol é seguro.
Cuidado, pois! Isto está a ficar... perigoso!
TEMPO EXTRA
Como é possível?!...
Quatro dias foram suficientes para Cardozo passar de besta a bestial. Um golo de belo efeito em Leverkusen. Toda a jogada, mas fundamentalmente a simulação e a finalização do paraguaio.
“Bestial” foi, também, Jorge Jesus que deu sinal, em Leverkusen, quão importante é a gestão de um plantel. Com o foco no campeonato, o banco do Benfica era – se a comparação se torna legítima... – melhor do que o onze. O treinador dos encarnados atacou a Liga Europa, com uma equipa moldada às circunstâncias, sem comprometer, em tese, o jogo com a Académica. Não podendo utilizar Cardozo frente aos estudantes, poupou Rodrigo (totalmente) e Lima. E já está a lapidar Urreta...
Saiu-lhe tudo bem: o resultado, a gestão e o “compromisso” com o paraguaio.
Para os seus botões, Cardozo deve estar a dizer qualquer coisa como: que estranho é este país chamado Portugal. Como é possível dar um pontapé num adversário, puxar a camisola do árbitro e levar... um jogo de castigo?!
Este e outros assuntos serão desenvolvidos no programa “Tempo Extra”, da SIC Notícias, amanhã, a partir das 22:30 horas