Velhos tempos novos tempos

Velhos tempos novos tempos

Esta é a minha segunda crónica para o Record. Na primeira era obrigatório ser o grande King. O Eusébio está à frente de todos. Amanhã, será também a segunda emissão do meu programa na CM TV: a “Liga Futre”. E seria uma tremenda injustiça não usar estas linhas sem falar dos meus companheiros de equipa: Fernando Mendes, Jorge Amaral e Veloso. Somos amigos há muitos anos e jogámos juntos. Tenho muitas histórias com todos eles. Comecemos pelo Fernando Mendes.

Amigo de infância, colega de escola e apenas um ano mais novo do que eu. Somos os dois do Montijo. O início da nossa história futebolística tem vários pontos em comum. Demos os primeiros pontapés na bola no Cancela, uma equipa de futebol de salão da nossa terra. Dali eu fui para o Sporting. Depois, jogámos um contra o outro numa partida de iniciados quando ele estava no Montijo e era a estrela da equipa. Fui à minha terra com a camisola do Sporting e perdi 3-0. Aquela foi a primeira humilhação (e das poucas) na minha carreira. Éramos colegas de turma e fiquei tão chateado com a derrota, que estive uma semana sem ir à escola. No ano seguinte, ele também foi jogar para o Sporting.

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Fomos companheiros nas várias seleções jovens e estivemos juntos no Europeu de sub-18 na Rússia. Já como seniores, reencontrámo-nos no Benfica, na época 1992/93. Nas várias equipas onde coincidíamos chegámos a fazer uma asa esquerda diabólica. O Fernandinho era um lateral-esquerdo fantástico. Rápido, com técnica, com raça. É o único jogador português que representou os cinco clubes campeões nacionais: Sporting, Benfica, Boavista, Belenenses e Porto.

Não fui companheiro dele no Porto, mas fui do grande Jorginho Amaral. Um guarda-redes monstruoso. Enorme, forte. Daqueles que te assustam assim que saem da baliza e vêm direitos a ti. O Frasco era o meu colega de quarto habitual, mas quando estava castigado, ou lesionado, eu e o Jorginho ficávamos juntos. Sempre gostei de dormir. E ele começava a chatear-me para acordar e ir tomar o pequeno-almoço.

Costumava dizer-lhe: “Jorginho, deixa-me dormir, por favor”. “Eh pá!, mas tens de comer”, reagia ele. “Não quero comer nada, pá!. Não preciso de pequeno-almoço para fazer boas jogadas e marcar golos. Só preciso que me deixes dormir”. E ele sempre a insistir: “Levanta-te, Paulinho. Vamos comer”. “Não vou, come tu o meu pequeno-almoço”. Eram sempre estas palhaçadas nos estágios antes dos jogos. Vivi um dos grandes momentos da minha carreira com ele, quando ganhámos a Liga dos Campeões em 1987. Lembro-me bem, no final do jogo, de abraçar o Jorginho e da emoção que todos estávamos a sentir com aquela conquista que nos fez entrar na história do futebol português e europeu.

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Por essa altura já tinha jogado muitas vezes contra o Veloso, ou “Velas” (como eu o trato, carinhosamente). Protagonizávamos grandes duelos nos jogos entre Porto e Benfica. Eu: extremo-esquerdo. Ele: lateral-direito. Um defesa incrível. Rápido, poderoso na antecipação, uma verdadeira carraça. Também fomos colegas na Seleção Nacional. Mais tarde, ele foi meu capitão quando fui para o Benfica. Um grande capitão. Líder nato dentro de campo e no balneário. Sempre credível e muito respeitado por adversários, colegas e árbitros. Foi um privilégio poder ter jogado com ele e ter ganho a Taça de Portugal ao Boavista (5-2) no jogo mais completo da minha carreira.

Todos nós, em diferentes momentos das nossas carreiras, fomos arbitrados pelo Jorge Coroado. Agora ele volta a ser o nosso árbitro na “Liga Futre”. O Coroado chegou a expulsar os três. A mim, felizmente, nunca mostrou cartão vermelho. Eu, o Fernandinho, o Jorginho e o Velas vamos ter muitas guerras nos vários programas. E precisamos de um árbitro como o Coroado para pôr ordem na casa.

A equipa está feita. Passados todos estes anos, voltamos ao campo. Para simular os lances mais polémicos, para recordarmos histórias das nossas carreiras, para ensinar os vários truques e técnicas do futebol aos meninos, miúdos e graúdos. E, claro, ao meu querido amigo Nuno Graciano. Como vai estar em todos os programas connosco, pode ser que aprenda alguma coisa…

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GRANDE CALDEIRADA

Escândalo em Espanha

Na segunda mão dos quartos-de-final da Taça do Rei, o Racing Santander renunciou ao jogo com a Real Sociedad. Os jogadores do Racing, atualmente na 2.ª B, entraram em campo, deixaram o jogo começar e deram a partida por terminada passado um minuto. Uma forma de protesto por estarem com salários em atraso há seis meses e uma atitude de coragem que serve de mensagem aos dirigentes do futebol espanhol. A culpa dos salários em atraso é da má gestão dos dirigentes do clube. Eram eles que tinham de ser castigados e banidos do futebol.

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NÓS LÁ FORA

Cuidado com este menino!

Chama-se Marcos Lopes, é português, tem apenas 18 anos e joga no Manchester City. Mais: é uma das grandes promessas do colosso inglês. Foi lançado na primeira equipa por Mancini quando tinha 16 anos. Agora, Pellegrini volta a apostar nele. Há duas semanas foi considerado o homem do jogo no embate da Taça da Liga frente ao West Ham, com duas assistências. Marcos é craque. Canhoto, com toques de magia e número 10, mas também pode jogar pelas alas porque é muito forte no um contra um. Na Seleção, não temos um número 10 puro desde Rui Costa e Deco. Não tenho dúvidas que Marcos poderá ser o próximo se continuar a evoluir desta forma.

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DO MEU ALBÚM

Mercado: a adaptação

Os jogadores que se transferem no mercado de inverno têm sempre uma difícil batalha de adaptação. São dois, três meses para se sentirem completamente em casa. Na maior parte dos casos, quando já estão adaptados, a época está a acabar. Eu também senti isto nas vezes que me transferi na reabertura de mercado. É sempre um risco para o clube e uma corrida contra o tempo para o jogador. Por outro lado, o risco é mínimo noutros casos. Como o exemplo do Atlético Madrid e do Porto nas contratações de Diego e Quaresma, respetivamente. Regressam a casas onde triunfaram e conhecem as estruturas dos clubes e as cidades.

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