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Prey: Afinal somos presa ou predador?

Num futuro em que muita coisa corre mal, Prey é um angustiante jogo de sobrevivência que vai buscar inspiração a jogos como Bioshock ou System Shock.

Sendo um jogo que tenta, a cada instante, criar a sensação de que algo está a correr mal, Prey sustenta-se num design interessante e em cenários que conseguem em alguns momentos contar uma pequena história que torna o mundo mais coerente e mais ambicioso em termos narrativos, mas nem sempre com enorme sucesso. É verdade que não consegue alcançar o brilhantismo, por exemplo, de Bioshock em termos de cenário e história, mas consegue deixar-nos com uma sensação de que estamos a compreender aos poucos o que ali aconteceu com detalhes que iremos notar se estivermos atentos.

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A narrativa começa bem, conseguindo agarrar a atenção do jogador com bastante mistério e algumas pistas promissoras. Infelizmente a meio o enredo perde algum peso, levando a que o jogo se torne durante muitas horas apenas num survival quando podia ser algo mais. Nesse aspeto o problema é principalmente sustentado por várias missões secundárias que não conseguem acrescentar muito ao enredo principal.

No entanto, na fase final o jogo volta a ganhar algum fulgor, apesar de não conseguir um final memorável, atinge uma coerência bem conseguida e lógica. As personagens acabam por não ser memoráveis e também se sente em muitos casos a falta de mais opções de diálogo. Todavia, temos de enaltecer as várias questões morais que iremos enfrentar e que alteram a história. O resultado é um jogo que ao prologar-se por mais de 30 horas, por vezes parece algo inconstante, no seu enredo, mas que compensa com a sensação permanente de que estamos a ser observados e que iremos ser atacados. O ambiente tenso é o trunfo de um jogo que apresenta nuns momentos uma boa inteligência artificial, mas que falha noutros.

Os nossos poderes são variados e bem pensados apesar de não trazerem nada de revolucionário ao género. A base da jogabilidade passa sempre pela exploração porque o combate não consegue destacar-se. Em termos de exploração devemos enaltecer o facto de existir sempre algo com que interagir em cada cenário. Existe muito para armazenar e usar mais tarde, nas mais variadas possibilidades.

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Longe de ser um portento gráfico, Prey faz uma boa reutilização dos cenários, levando-nos várias vezes aos mesmos locais, e em cada vez poderemos ter uma nova opção. Deixa-nos tensos durante todo o jogo e leva-nos a questões que nos farão pensar. Falha em alguns tempos de loading demasiado extensos e no geral é um jogo que não consegue marcar o género mas que vai melhorando aos poucos, graças a uma vertente mais estratégica e que se enquadra muito bem na tensão constante. Se gostam do estilo, terão aqui uma boa opção que vos durará umas 40 horas à vontadinha.

Enredo: 3,5/5

Jogabilidade: 4/5

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Som: 4/5

Gráficos: 3,5/5

Nota final: 4/5

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Por Luís Pinto
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