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Herói do atletismo nacional dá conselhos a quem vai participar, dia 15 de dezembro, na prova lisboeta
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RECORD – O que sente por ser o padrinho da São Silvestre El Corte Inglés, prova com o apoio do jornal Record?
CARLOS LOPES – Sinto-me honrado pelo convite porque uma prova destas, com a grandeza que tem, é das melhores provas que se realizam em Lisboa e em Portugal. Quando chama a si milhares de participantes isso é um sinal de grandeza. São momentos únicos em que as pessoas se reveem e convivem a propósito de fazer desporto. Libertam a sua mente para uma melhor qualidade de vida.
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R – O facto de a sua primeira prova oficial ter sido, precisamente, uma São Silvestre torna esta corrida ainda mais especial para si?
CL – Totalmente. Já pensei nisso e digo-lhe que foi o princípio de uma grande era para o desporto nacional, tudo começou ali. Lembro-me muito bem dessa prova. A meio senti que não andava ali a fazer nada, mas de um momento para o outro comecei a aproximar-me dos que iam na frente e terminei em 2.º lugar. Isso deu-me um alento e uma capacidade de sentir que tinha qualidades e, além disso, era um prazer imenso correr.
Sempre gostei de andar livre pela natureza e participava em tudo o que era possível e imaginário, sobretudo no futebol. Simplesmente, com 1,68m e levezinho a bola fugia-me, tinha muitas dificuldades. Felizmente, perdeu-se um bom futebolista e ganhou-se um grande atleta (risos).
R – Sendo na altura do ano em que é, em meados de dezembro, a cidade vai estar engalanada com as iluminações de Natal. Isso confere uma atmosfera ainda mais especial à São Silvestre El Corte Inglés...
CL – Lisboa à noite é linda, muito bonita. As pessoas que vão correr ou, simplesmente, assistir a este grande fenómeno desportivo e apoiar dão um colorido extraordinário. Além disso é uma prova aberta a toda a gente, entra no coração das pessoas. É um sentimento de felicidade indescritível.
R – O que o Carlos Lopes gostaria de dizer às pessoas que estão com dúvidas e ainda não se inscreveram na São Silvestre El Corte Inglés?
CL – Nisto não pode haver dúvidas. Há que participar com coragem, mas ter cuidado com a sua participação. Há uns que estão mais preparados do que outros e esses não se podem deixar embalar pelo ritmo dos outros. É preciso mentalizarem-se que cada coisa no seu lugar. Os que estão melhor preparados podem imprimir o ritmo que bem entenderem, já os que não estão tão bem preparados têm de ter uma noção do seu ritmo e sentirem o prazer de correr. Isso é que dá gozo. Só digo uma coisa: participar é bonito. Inscrevam-se, tenham paciência e, se for possível, façam algumas corridinhas antes do dia da prova, libertem-se.
R – Dada a sua enorme experiência que conselhos daria às pessoas para se prepararem minimamente para não sofrerem na corrida dos 10 km?
CL – Todos os momentos que tiverem livres, calcem umas sapatilhas, vistam uma t-shirt e saiam à rua para correr. Façam isso com prazer e alegria, libertem-se. Além da corrida, podem sempre optar pela caminhada, que é igualmente aconselhável. Já nos anos 70 dizia que o prazer de fazer desporto era a minha maior alegria. Eu assim que saía do trabalho ia logo a correr com uma alegria enorme nos olhos porque ia para a minha liberdade, fazer aquilo de que realmente gostava e, acima de tudo, ainda ganhava alguma coisa com isso. Não que fosse muito, mas ainda ganhava alguma coisa.
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