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Não foi apenas o Secretário de Estado de Juventude e do Desporto, João Paulo Correia, a merecer um recado direto de Frederico Varandas. No discurso em Carregal do Sal, esta tarde, o presidente do Sporting fez um apelo também a José Luís Carneiro, Ministro da Administração Interna, a propósito da trágica morte de um adepto ligado à claque Super Dragões, nos festejos do título do FC Porto. Varandas questionou em concreto os clubes que "permitem o financiamento ilegal" de um problema que alimenta o "crime organizado".
"Dirijo-me novamente ao senhor Secretário de Estado do Desporto mas também ao senhor Ministro da Administração Interna. No dia 8 de maio o país assistiu a um bárbaro assassinato, em plena via pública e aos olhos de todas as pessoas que ali estavam. Ocorreu às portas do Estádio do Dragão aquando das celebrações do título. É seguramente dos episódios mais brutais de violência de que há memória em Portugal. O que aconteceu foi muito, mas muito mais grave do que o ataque de Alcochete, apesar de ter tido apenas um centésimo de cobertura mediática", argumentou Varandas, que reforçou o "episódio chocante" e citou o comunicado do FC Porto sobre o tema.
"A morte de um adepto, durante as celebrações da conquista do título nacional de futebol, não pode deixar de ser lamentada independentemente das circunstâncias que venham a ser apuradas. À família da vítima, o FC Porto endereça sentidos pêsames", leu Varandas, antes de questionar o conteúdo. "Só a mim é que este comunicado faz confusão. ‘A morte’? Não. Não foi apenas a ‘morte’. Foi um bárbaro assassinato. ‘Não pode deixar de ser lamentada’? Claro que sim mas o termo que devia estar bem vincado era condenada. Este é um comunicado pobre, cobarde e condicionado", acusa Frederico Varandas.
Ato contínuo, o presidente do Sporting sublinhou a mensagem para José Luís Carneiro. "Apelo ao senhor Ministro da Administração Interna para ser implacável na luta contra este crime organizado que se acha impune à justiça e à lei portuguesa. Muitos dizem que isto é um problema da sociedade e não do futebol. Não é verdade meus senhores. Claro que é da sociedade mas a origem deste problema está intimamente ligado ao futebol e aos clubes que permitem o seu financiamento ilegal, alimentando este crime organizado. Estes episódios são tão de chocantes como embaraçosos para o nosso país", lamentou.
E garantiu, em jeito de conclusão: "Podem contar com o Sporting nesta luta e em todas que venham a acontecer para que o desporto português seja mais limpo, transparente, saudável e digno."
Por Ricardo Chambel e Vítor Almeida Gonçalves