Das palavras de Klopp ao público no estádio: todas as respostas de Fernando Santos

Selecionador nacional divulgou convocatória para os três jogos de Portugal

• Foto: Paulo Calado/Arquivo

Fernando Santos divulgou esta quinta-feira a convocatória da Seleção Nacional para os três compromissos agendados para outubro - Espanha, França e Suécia -, uma lista com quatro novidades. Em conferência de imprensa feita à distância, sem jornalistas na sala, o selecionador abordou essas mudanças na convocatória, os adversários de Portugal e... as palavras de Jürgen Klopp.

Regresso do público: Desde início que me manifesto em relação a essa questão. O público é fundamental. A presença no estádio, por aquilo que traz ao jogo, o ambiente, o apoio. O futebol sem público é futebol na mesma e joga-se da mesma maneira e, com o hábito, as coisas correm e fluem de forma diferente. Há uns meses, percebia-se que os primeiros mostravam falta de habituação. Depois foram fluindo. Mas sem público é sempre diferente. Na minha opinião, respeitando sempre o que é mais importante para todos, que é a saúde pública, acho que o futebol deve ter público. Espero e desejo que esta oportunidade concedida à FPF nos jogos internacionais possa ter reflexo nos jogos do campeonato. É fundamental e parece-me claro que em estádios com 50 ou 60 mil com 10, que as pessoas cumpram as regras, é bom para o espetáculo, para os jogadores.

Mudanças na convocatória: Estável é. Não é por haver três ou quatro que é sinónimo que esses não regressem. Temos um lote muito alargado e a seleção é muito alargada. Estou muito satisfeito com o comportamento daqueles que desta vez não vêm e tenho confiança absoluta neles. Entendi que nesta janela devia optar por outros jogadores, mantendo as características essenciais. Qualidade é o fator principal. Temos o plano de jogo, o nosso pensamento e em jogo depende muito do que o adversário deixa, mas é importante as características dos jogadores. Isso tem algum peso e há confrontos diferentes. Para determinado confronto, um jogador mais rápido, mais vertical, menos vertical, pode ser mais importante. É nesta base que na seleção vamos fazendo as escolhas. Uma equipa que joga com três centrais convoca mais centrais, por exemplo. Tudo o que tem a ver com plano estratégico é que vai ditando a convocatória, mas não em relação à qualidade. Há jogadores que já vieram que gosto, mas no padrão atual se calhar têm menos características. Em 2016, Portugal tinha mais médios no meio-campo, agora está com jogadores nas alas. São características diferentes, que ditam as convocatórias.

Relativizar jogo com a Espanha? Experiências não direi e relativizar também não. Não podemos fazer isso com a Espanha. Relativizar um confronto entre duas seleções deste gabarito era muito negativo. Agora, se é comparar entre um jogo que vale pontos e outro não é diferente. Mas jogo com a Espanha é muito importante e não podemos relativizar de forma nenhuma. Aqui não há experiências. Mas vai jogar a equipa que entender pensando que quatro dias depois há outro jogo. Agora vamos passar a ter cinco substituições.

Klopp e a geração inacreditávelTenho grande respeito pelo Klopp, é um treinador de eleição. Mas não é mais do que refletir o trabalho que tem sido feito nos clubes e nas seleções, que têm potenciado o trabalho e a qualidade dos jovens. Têm chegado de forma muito natural à seleção nacional, perfeitamente preparados.

Menos jogadores da Seleção a jogar em Portugal:Se reuníssemos no campeonato nacional todos os jogadores que estão fora, claro que a Liga teria um nível superior. Estes vão todos para fora para grandes equipas… se estivessem cá o nível era mais elevado. Para o campeonato era bom, para a Seleção é igual. Interessa é a evolução, que se tornem mais jogadores, que joguem aqui. Para a Seleção não é importante, mas para o campeonato era bom que estivessem cá todos, mas não é possível. É natural.

Rivalidade com Espanha: Não sei se há esse nível de rivalidade. Um Argentina-Brasil ou Uruguai-Brasil… Não me parece que seja assim. Há sempre a questão de ser um clássico, por ser a península ibérica, mas essencialmente será um excelente confronto entre equipas com excelente qualidade e têm-no feito de forma brilhante há muitos anos. Têm sido jogos extraordinariamente emotivos.

Renovação de Espanha: A pergunta pode ser colocado exatamente da mesma forma ao Luis Enrique. Sempre se fala muito de renovações, mas é algo gradual, natural. Uns entram, deixam de estar, voltam. Acontece com Espanha e com Portugal.


Preparação de três jogos: Nunca há tempo para treinar. Todos os selecionadores falam disso porque é um dos défices das equipas nacionais. A maioria dos jogadores vem com muitos jogos já em cima porque vêm a seguir a competições europeias, campeonatos… Preparar em tão pouco tempo normalmente resta-nos um dia para trabalhar um pouco mais. Esse é o mérito dos treinadores AA e sub-21 que é conseguir em pouco tempo resolver questões importantes. França joga a três centrais, mas em regime normal poucas vezes temos defrontado equipas assim. A equipa tem de pensar em relação ao adversário. Se em ambiente normal estamos mais contra 4x4x2 ou 4x3x3, precisamos de tempo. Depois há a recuperação dos jogadores. O pior é chegarmos aos nossos jogos com os jogadores recuperados mentalmente e fisicamente. Temos conseguido chegar com os jogadores frescos. 

Geração de laterais direitos: Dos quatro habituais por acaso estão todos em Inglaterra. O Semedo era o único que não estava e agora já está. Cada um tem as suas características. Não são todos iguais, mas tem muito a ver com o que penso de cada adversário, de cada jogo. Todos atacam bem, mas há uns que defendem melhor em diferentes formas. Tenho felicidade de ter uma qualidade coletiva grande.

Resposta nos jogos anteriores: Tenho desde que joguei com a Dinamarca em outubro de 2014, o primeiro jogo oficial. Desde aí para cá temos tido uma equipa extremamente sólida, com qualidade, tanta que ganhou o Europeu de 2016. Mantém-se esse nível com muita qualidade, felizmente para nós. Sem qualidade era impossível ter essas conquistas. Esse padrão mantém-se. Disse na antevisão que a minha dúvida não passava pela qualidade mas pelo tempo em que iam conseguir dar a resposta em campo. Alguns até vieram de férias diretamente e estiveram mais tempo em jogo com o mesmo nível. A resposta eu esperava, mas durante tanto tempo não sei…

Jogadores de férias na Seleção? Não faz sentido… Já fui treinador de clube e nunca tive essa opinião. Quem trabalha nas seleções são profissionais e competentes. Conhecem muito bem e sabem o que têm de fazer porque há algo que não queremos, que é não prejudicar os clubes e os jogadores. Temos forma de mantê-los bem. Percebo a questão porque há uns que chegam e jogam só 5 minutos. Mas os clubes só iam trabalhar mais ao nível do treino. Os que têm menos tempo de atividade em jogo compensamos ao nível do treino. Há jogadores que vão ter mais tempo de treino do que outros. Temos essa opção de equilibrar para os jogadores que chegam aqui e voltam aos clubes da mesma forma.

Por Pedro Gonçalo Pinto
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