Na habitual página de opinião de Paulo Futre que Record publica ao domingo, o antigo internacional português respondeu a várias questões dos leitores - Grande Paulinho! Alguma vez te aconteceu, em todos os clubes e balneários por onde passaste, teres um colega de equipa homossexual? Como reagiste/reagirias? Achas que é possível numa equipa de futebol haver homossexuais? - Nuno Trigo
Nos dez balneários que tive em seis países diferentes, nunca desconfiei que tivesse um companheiro homossexual. Mas só digo o que penso porque, infelizmente, em 2020, este tema continua a ser tabu e escandaloso para uma parte da sociedade em que vivemos. Se para uma pessoa normal é tremendamente difícil assumir perante um grupo muito reduzido de pessoas, como por exemplo a sua própria família, imagina agora a coragem de que um profissional precisa para, em qualquer desporto coletivo, assumir publicamente a sua homossexualidade, sabendo que vai ser humilhados e insultado brutalmente por milhares de pessoas de cada vez que jogar fora de casa. Por esta razão penso que nunca tive um companheiro homossexual, e o tempo está a dar-me razão, porque nenhum deles até agora o assumiu publicamente. Mas nunca poderei afirmar a 100 por cento, e se amanhã algum der o passo em frente serei o primeiro a apoiá-lo. Mas vou contar-te uma história que ainda hoje não sei como defini-la – e vou até onde posso ir porque o Record é um jornal desportivo e a última frase, se não souberes espanhol, Nuno, vais ter de ser tu a traduzi-la porque não me senti cómodo quando a escrevi e li em português. Tira as tuas próprias ilações e conclusões. Aconteceu no meu primeiro jogo pelo Marselha. Havia uma sala onde nos esperavam as nossas mulheres e, quando entrei, levantei a cabeça para ver onde estava a Isabel; fiquei então uns segundos bloqueado ao ver a beleza fora do normal da mulher de um companheiro meu. Como tinha acabado de chegar a França há muito pouco tempo ainda estava a conhecer o caráter de cada um dos meus colegas. Um dos primeiros amigos que fiz era um fenómeno dentro e fora do campo. Era ele o homem daquele monumento de senhora de máxima beleza. Os dois falávamos em espanhol e quando chegou a confiança total e começámos a falar da nossa vida privada, como ele era e continua a ser uma pessoa alegre, extrovertida e com um sentido de humor espetacular, um dia perguntei-lhe mais ou menos isto: "Em que planeta conheceste a tua mulher, porque é mesmo de outro Mundo?" Estávamos em 1993 eu tinha 27 anos, já tinha lido muitas revistas e visto muitos filmes e vídeos para adultos e pensava que tinha a mente totalmente aberta. Mas estava completamente enganado, porque fiquei paralisado quando ele com toda a calma e a rir-se me respondeu em castelhano:" Paulo yo soy heterosexual , ella es mi novia, pero no es una mujer."
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