_

As idas de Bernardo Silva ao gabinete de Guardiola para analisar jogos e o momento em que seria central: «Fiquei parvo...»

Guardiola explica tática a jogador no campo de treino
• Foto: AP

Bernardo foi elogiado por Pep Guardiola várias vezes ao longo dos anos e foi mesmo descrito como o seu "jogador preferido" pelo técnico catalão. O jogador não consegue esconder isso.

"Sempre senti que tive um impacto forte quando cheguei e que ele sempre gostou de mim. Depois, o resto vai crescendo. Passar os bons e os maus momentos juntos, ajuda a fortalecer este tipo de relações e a ganhar confiança. Mas, desde que cheguei, e nos meus primeiros seis meses eu não era titular, sentia que eles estavam super satisfeitos comigo. Jogava cinco minutos e sentia que tinha o apoio do meu treinador. Sempre tive um impacto muito grande na forma como treino e me comporto no meu dia a dia. Acho que o treinador sempre teve um carinho especial por mim", iniciou, no programa "Soltinhos pelo Mundo" do Canal 11.

PUB

"Ao início, chamavam-me 'Bernardiola'. Mas, é óbvio [que sou o 'filho' do Guardiola]. Porque ele já disse nas entervistas que eu sou o favorito e é difícil de negar. Primeiro, nós adoramos os dois futebol e eu gosto muito da parte tática do jogo, interesso-me. Portanto, quando ele fala, eu estou a ouvir o que ele está a dizer e há muitos jogadores que fingem que estão a ouvir e dá-lhes igual. Eu estou a ouvir e gosto de aprender. Quando cheguei ao City e sabia que iria ser treinado pelo Pep Guardiola, eu queria aprender com ele. E, depois, é a paixão que eu ponho todos os dias nos treinos. Eu sou competitivo, não só nos jogos como nos treinos. Sempre fui um fã da forma como ele joga, para mim o futebol tem de ser para a frente e para o ataque e interessa-me muito essa cultura do processo ofensivo, que é a parte mais forte do Guardiola. Essa paixão pelo jogo, juntamente com treinar sempre bem no dia a dia porque eu gosto de jogar futebol e de estar sempre presente, foi fortalecendo a relação. Ganhar também ajuda, obviamente. Ele chamava-me muitas vezes ao gabinete dele para comentar situações de jogo. 'Amanhã estava a pensar jogarmos assim. O que é que achas? Concordas? Não concordas?', ele gosta de ouvir os jogadores. Eu também gosto imenso dessa parte e temos isso em comum", continuou.

"Falamos muito. Ele ouve muito os jogadores. Lembro-me na final da Champions de nos perguntar coisas e até o ano passado perguntar-me "Quem é que achas que está melhor? Aquele ou aquele?" e até me deixa numa posição difícil e dizia-lhe "Se o mister me perguntar para jogar numa linha de três ou de quatro, eu dou-lhe a minha opinião, mas não me obrigue a escolher entre dois amigos" porque é difícil. Mas, é bom ele sentir o que temos para dizer. Esta época, depois da paragem para seleções de setembro, ele sentou-se com os quatro capitães para falarmos sobre tudo. Eu, o Rúben, o Rodri e o Haaland. Tivemos uma reunião de duas horas. Falámos sobre a parte tática, ajustámos imensa coisa juntos para que as coisas funcionassem bem. Eu digo-lhe sempre tudo. Por vezes digo "Mister, com todo o respeito, eu não fazia assim. Mas, é a minha opinião". O treinador é ele e discutimos no campo. Às vezes o Rúben passa-se no campo porque não concorda com a forma como pressionamos, mas isso faz parte do futebol. Mas, no final de contas, o treinador é que manda", realçou.

PUB

 

No Man. City, o jogador sai com 19 títulos, todos sob a orientação de Pep Guardiola.

PUB

"A nível tático, principalmente na parte ofensiva, é um patamar diferente. Todos os jogadores deviam ser treinados por ele, pelo menos uma época, para perceber. Ele vai ao detalhe. O jogo posicional dele e a forma como os jogadores respeitam as posições ajuda principalmente contra equipas que defendem muito baixo ajuda muito a quebrar essas equipas. Para além da qualidade individual que tivemos nos últimos anos, a principal arma que tivemos foi conseguir quebrar essas defesas baixas. Há equipas que também têm jogadores de grande qualidade e não conseguem porque os processos não estão bem trabalhados", assegurou antes de contar a história de como era suposto ter jogado... a defesa central contra o Arsenal fora de portas em 2022/23, num jogo muito importante para as contas do título.

"Nesse jogo, era suposto jogar a central e eu treinei a central. Quando ele me disse, eu fiquei parvo porque era o Arsenal fora e estava em primeiro no campeonato. Foi o ano em que ganhámos a Champions e eles estavam com mais 5 ou mais 6 pontos que nós. Depois ele acaba por fazer isso mais vezes com o Stones que fazia a construção com o Rodri em 3+2. O Stones é que entrava [da defesa para o meio-campo]. E ele disse-me 'Eu preciso de fazer o 3+2 e eu quero fazer contigo'. Portanto, eu ia fazer de central para depois entrar dentro na construção. E eu disse 'Oh mister, eu estou pronto! Mas, sabe que não é a minha posição?', podem meter-me onde quiserem e eu vou dar sempre o meu melhor. E eu vou ter com o Rúben e digo-lhe 'Acho que vou ser teu parceiro de defesa' e ele disse 'Tu estás a gozar comigo, não estás? Se nós sobrevivermos a isto, sobrevivemos a tudo'. Ia jogar o [Nathan] Aké a lateral esquerdo e eu a central [esquerdo], mas depois nós treinámos e o treinador veio falar comigo e disse "Vou-te proteger e vais jogar a lateral e depois vens fazer o 3+2 dentro e meto o Aké a central", mas eu ainda fiz um treino a central", contou.

PUB

"No jogo, apanhei o [Bukayo] Saka pela frente e era pancada sempre que ele recebia a bola porque se não eu estava tramado. Depois levei amarelo para aí ao minuto 30 e ao minuto 50 mete o Akanji a lateral esquerdo e eu passo para extremo direito. Depois desse jogo, ainda joguei com o Aston Villa e o Forest a lateral. Acho que a forma como nós jogamos ajuda um bocadinho e gosto de acreditar que sei o que fazer em cada posição. Mas, mesmo assim, é difícil porque as minhas características naturais não me ajudam. O Matheus Nunes adaptou-se tão bem à posição porque ele é um bicho físico e consegue ir buscar os extremos na Premier League que são sempre malta rápida", elogiou sobre o ex-Sporting.

Pep Guardiola já disse, recentemente, que ia chorar se falasse muito sobre o capitão e o jogador lembrou que o treinador é "bastante emocional". "Ele [Guardiola] tem carinho por mim e por todos nós. Ele chorou quando o Kevin [de Bruyne] se despediu, com o [Sergio] Aguero também. O Pep é uma pessoa bastante emocional. Aquilo que nós construímos todos juntos foi especial e ver um a um a sair custa-lhe. Cada um que tem ido é um bocado parte dele. Ele já sabe da minha decisão há bastante tempo. Quando ele me disse que queria que eu fosse o capitão este ano, eu disse-lhe "Mister, eu não sei se faz muito sentido só porque vai ser o meu último ano. Não sei se o Mister não prefere que seja o Rúben [Dias], o Rodri, o Erling [Haaland] que vão ficar aqui no clube mais tempo" e ele tomou a decisão. Mas, ele já sabia há bastante tempo", concluiu sem antes abordar a iminente saída do técnico espanhol.

PUB

"É a grande pergunta que ninguém sabe responder. Oficialmente, ninguém sabe. Os jogadores têm sensações. Eu não vou dizer o que é que eu acho, mas temos feelings. Já aconteceu tantas vezes no passado dizerem que era o último ano e nunca foi. É uma decisão que só ele tem de tomar com a família dele", terminou.

Por: J.M.

1
Deixe o seu comentário
PUB
PUB
PUB
PUB
Notícias Mais Vistas
PUB