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O chefe de missão de Portugal aos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina2026, Pedro Flávio, disse à Lusa que o principal objetivo é "superar os resultados da última edição", com um trio de atletas a melhorar cada vez mais.
"Diria que, em termos de objetivos, os três atletas, todos em nível objetivo elevado, estão melhores do que estavam em 2022. Por isso, para nós, federação e Comité Olímpico de Portugal, o objetivo é conseguirmos superar os resultados que conseguimos na última edição dos Jogos Olímpicos. Eu penso que é possível, pelo que temos assistido nesta fase de preparação, de qualificação, para os Jogos", explica, em entrevista à Lusa.
Portugal vai contar com José Cabeça, no esqui de fundo, e os irmãos Vanina Guerillot e Emeric Guerillot, no esqui alpino, sendo os dois primeiros 'repetentes' de Pequim'2022, quando Portugal também teve três participantes - Ricardo Brancal foi o terceiro de então.
Flávio, que preside à Federação dos Desportos de Inverno de Portugal, volta a assumir o cargo de chefe de missão, que já teve noutras provas, a começar pelos Jogos Olímpicos da Juventude Gangwon2024.
Antes, assumiu a função em quatro edições do Festival Olímpico da Juventude Europeia de Inverno: Sarajevo2019, Vuokatti2022, Fiuli-Veneza2023 e Bakuriani2025.
Se José Cabeça e Vanina Guerillot têm vindo a ganhar experiência a olhos vistos nos últimos anos, somando já uma participação olímpica no currículo, Emeric é "um atleta muito jovem", que, além disso, fará Portugal regressar ao super G, em que o país não marcava presença desde Lillehammer1994.
Nesta disciplina de velocidade do esqui alpino, "uma das provas rainhas dos Jogos", Portugal sente "um motivo de orgulho" por voltar a participar, diz o chefe de missão.
José Cabeça "tem tido resultados interessantes", e caminha a olhos vistos para "um resultado bem melhor do que o conseguiu em Pequim2022", um 88.º lugar, que ainda é o melhor de sempre do país no esqui de fundo, analisa.
Por seu lado, Vanina Guerillot é hoje "uma atleta mais madura", tornou-se também professora de esqui, nos Alpes franceses, e está "bastante focada", com bons resultados recentes.
Estes Jogos surgem num momento de "crescimento e introdução de novas modalidades de gelo", nas quais Portugal habitualmente não pontificava, e Pedro Flávio lamenta a perda de uma quarta presença "por muito pouco", no caso da jovem Jessica Rodrigues, na patinagem de velocidade no gelo.
"Mas não tenho dúvidas que, em 2030, ela vai estar nos Jogos Olímpicos de Inverno", afiança o dirigente.
Abdel Larrinaga e Raphael Ribeiro tentaram a qualificação no bobsleigh, uma modalidade com "nível competitivo muito elevado, e número muito limitado de participantes".
"O projeto é muito embrionário e tem aqui também um peso muito grande do equipamento. Nós estamos a tentar que este trenó, estes equipamentos, sejam o mais competitivos possível, mas, por vezes, também não é muito fácil. E a logística de transporte no bobsleigh é complexa", comenta.
Para a edição de 2030, afiança, trabalhar-se-á para tornar uma realidade a participação "em modalidades como, por exemplo, o snowboard ou até a patinagem artística no gelo".
Depois de Sochi2014, PyeongChang2018 e Pequim2022, esta edição é mais 'amena' no que toca a viagens e logística para as cores portuguesas, com um Mundial com pouco 'jet lag', diferença horária, e maior apelo de interesse mediático e da população em geral.
"Para nós, é uma excelente oportunidade, também, de se falar mais de desportos de inverno, de dar mais desportos de inverno aos portugueses, porque vamos ter dois canais de televisão a transmitir muitas horas as competições portuguesas na televisão em horários normais que os portugueses conseguem ver", lembra.
Ficar "quase ao pé de casa é muito bom", acrescenta, até porque "as famílias dos atletas" também estarão presentes, depois de em outras edições isso não ter sido possível -- em Pequim2022, afetou a presença a pandemia da covid-19.
Por outro lado, a forma como os atletas estarão espalhados "por 'clusters' diferentes" implicará um trio espalhado pela região em torno de Milão e Cortina d'Ampezzo, ou seja, horas de viagem entre cada local para os oficiais da missão.
Por Lusa