_
Ponto prévio - odeio jogos de naves. Lá pelos meus 15 anos, quando a "turminha" se viciava com R-Type, Asteroids, Space Invaders ou Wing Commander, eu preferia centrar-me em jogos de plataformas e os simuladores de desporto. E assim me mantive...
20 anos depois, chega-me o Wipeout Omega Collection às mãos. Um regresso ao jogo que originalmente foi lançado em setembro de 1995, imagine-se. Confesso que achei que tinha de testar o jogo rapidamente, sob pena de relembrar o suplício que é, para mim, jogar a qualquer coisa que tenha a mínima relação com naves. Se calhar é um trauma, mas a verdade é que seja cinema, séries ou videojogos, basta eu supor que pode vir uma nave a caminho e já começo a ficar com os "calores".
Contudo, embuído de um espírito renovado de responsabilidade, lá me entreguei à missão de testar Wipeout Omega Collection. E foi uma agradável surpresa... Na génese, o facto do jogo me ter agradado prende-se com a constatação de que estas são naves de corrida, que na minha cabeça facilmente se transformam em carros sem rodas, o que torna a experiência muito mais suportável. Não servem para explorar minério, como no insidioso No Man's Sky, nem para nos levar para um planeta zen e fofinho, como em Robinson: The Journey.
Aqui estamos aos comandos de veículos futuristas de alta cilindrada e temos como missão competir em vários modos de jogo para atingir a glória. Os gráficos são brutais, a sensação de realismo é bem apurada e os controlos são dos mais intuitivos de sempre, no que aos jogos de velocidade diz respeito. Aqui não há combos para fazer a nave andar mais rápido que impliquem trocar os dedos e ganhar tendinites. Um botão serve para andar em frente, outros para afrouxar e o analógico cumpre o resto da missão.
Podemos divertir-nos a correr em vários formatos de jogo, como já referi, e é esta a chave do Wipeout Omega Collection. Se estamos numa de acelerar que nem uns bastardos sem regras, podemos fazê-lo. Mas se preferirmos andar ao tiro e lançar mísseis aos adversários, podemos também fazê-lo, em 5 ou 6 modos de jogo que se complementam e permitem agradar a qualquer tipo de jogador. Desde que gostem de jogos de corrida, claro está.
De resto, este jogo tem o mérito de regressar com muito bom gosto a um passado distante e mostrar que, no que diz respeito aos gostos dos gamers, as coisas não mudaram muito. Quem é um verdadeiro amante de velocidade tem de ter este na coleção, até porque se trata de um clássico que mostra por A mais B que se foi relançado montes de anos depois, é porque é francamente bom.
Com um vénia respeitosa vergo-me pela primeira e última vez a um jogo de naves, destacando ainda toda a banda sonora do jogo, que foi entregue a especialistas e, por isso, merece também um destaque final.
Por João Seixas